Gabrielly Pazetto

No livro Uma Ilha Lá Longe, de Cora Rónai e com ilustrações de Rui de Oliveira, criaturas mágicas 
vivem entre humanos pacificamente, sendo admirados e muito observados, até que máquinas e construções passam a fazer parte do cotidiano do povoado – agora cidade – causando danos a estes animais fantásticos. 
A narrativa, detalhista, utiliza as palavras certas para explicar sobre as singularidades dos pégasos, centauros e unicórnios, mas peca por subestimar o leitor e explicar algo que muitas vezes já estava explicado. Ainda assim, a história emociona por mesclar elementos mágicos com fatos que conhecemos muito bem, além de brincar com a imaginação do leitor em relação ao paradeiro destas criaturas nos dias atuais. 
As ilustrações do carioca Rui de Oliveira, nos brinda com a riqueza dos detalhes dos desenhos, sempre em preto e branco, com elementos singulares que compõe as suas texturas, como na imagem contrastada da pequena família observando as máquinas no campo enquanto flores, do outro lado da cerca, florescem. 
O belo desfecho nos dá aquela pontinha de alegria nesta história que não tem muitos momentos felizes, afinal, estas criaturas mágicas e aladas estão por aí em alguma ilha lá longe. 


RÓNAI, Cora; OLIVEIRA, Rui de. Uma Ilha Lá Longe. Rio de Janeiro: Record, 2007.



Gabrielly Pazetto é graduanda de Letras na Univille e técnica em Informática. Faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.
Letícia Marques Hermesmeyer

Um Jardim para Pétala, escrito por Christina Dias, ilustrado por Ellen Pestili, publicado pela editora Planeta Infantil, é disposto em quarenta e oito páginas ilustradas. A obra infanto-juvenil foi publicada em 2013 e conta a história de Pétala, uma sonhadora criança que encantará a todos que lerem com sua fértil e inocente imaginação. 
Com toda sua doçura, Pétala desejava ter um jardim em sua casa. Missão quase impossível para seu pai. Os dois moravam sozinhos em uma casa no subúrbio de uma cidade grande, sem muito – ou nenhum – espaço para plantar flores. No entanto, Pétala mostrou que, para realizar um sonho, não há barreiras, basta abusar de muita fantasia. Com o tempo, Pétala persuade seu pai, que passa a ter imaginação igual a da menina e, assim, o jardim, em sua casa, nasce, cresce e floresce. Tudo o que a menina passa a ver são flores, “os jogos, os filmes, a merenda” (p. 27) e a casa não era mais cinza, “o chão ganhou cores, os azuis cintilavam formando ondas de brilho, as cachoeiras caíam das paredes” (p. 37). 
As ilustrações da obra chamam a atenção e aproximam o leitor da imaginação de Pétala e seu pai, pois retratam os principais fatos da história de maneira engenhosa e inovadora. Elas afirmam o texto verbal e possuem função predominantemente estética. Desta forma, a ilustradora Ellen Pestili tornou o texto mais agradável esteticamente, penetrando na mente do leitor e servindo de complemento para o entendimento e construção do imaginário do leitor. O que mais me chamou a atenção no conto foi a forma singela com que a autora abordou a relação entre fantasia e realidade, fazendo com que os leitores vejam a felicidade nas pequenas questões da vida, induzindo-os a enxergarem flores no que os olhos cansados só veem dores. A criatividade de Pétala é tão pura e natural, que, gradualmente, é transmitida a seu pai e também aos leitores. 
 Embora a obra seja destinada ao público infanto-juvenil, ela pode e deve ser lida em todas as faixas etárias. Isto porque trata de um tema que aflora a imaginação em todos que a lerem e, principalmente, por nos fazer refletir sobre o ritmo frenético que nós adultos levamos a vida. A história nos faz abrir os olhos para enxergar o mundo com a pureza de uma criança e também a despertar a esperança como a autora Christina Dias aponta: “Assim como Pétala existem muitas crianças no mundo inteiro que sabem transformar aridez em beleza e assim fazem nas casas, nas ruas e nos cantinhos onde vivem (p. 46)”.

DIAS, Christina. Um jardim para Pétala. São Paulo: Planeta Infantil, 2013.




Letícia Marques Hermesmeyer é estudante de Letras (Habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa) na Univille, tem 20 anos e é apaixonada pela vida, pelos sonhos, pelas pessoas, pela felicidade e, sobretudo, pela paz interior. É professora de Língua Inglesa e não consegue ver-se fora desse mundo de constante aprendizagem. Adoraria viajar ao redor do mundo, conhecer novas culturas e descobrir como as pessoas encaram a vida. Sua alma é sonhadora e a liberdade é sua principal matéria. Acredita, assim como Paulo Freire, que a “educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.
Nesse ano, a Semana de Letras da Univille volta a acontecer, integrando programas e projetos vinculados ao curso para promover uma semana inteira de atividades para acadêmicos e comunidade!  
Ele incluirá: o 22ª Encontro do Proler Joinville, o IX Abril Mundo do Prolij, o 7ª Seminário de Pesquisa em Linguagem, Leitura e Cultura: Linguagem, Leitura e Cultura em Diálogo e o evento internacional, Pátria Língua Portuguesa.

Por meio dessa postagem, divulgamos publicamente a relação de aprovados e ensalamentos para o 7º Seminário de Pesquisa em Linguagem, Leitura e Cultura: Linguagem, Leitura e Cultura em Diálogo, promovido pelo Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura). Basta clicar aqui.

Kauane Cambruzzi

Caio Riter conta a história de “Maria e seu sorriso na janela” delicadamente e sem pressa, levando o leitor a imaginar-se embaixo da janela de Maria, esperando com ela a passagem de Marcelo e de seu skate.
Poucas coisas deixam uma criança tão feliz quanto poder brincar na rua e com Marcelo não é diferente. Ele voa em seu skate, faz da calçada sua pista de corrida, embora sempre desacelere quando passa em frente à janela de Maria. Ele, ainda tão menino e já sabedor do valor de um sorriso cheio de graça.
O leitor, seja criança ou crescido, torna-se amigo de Marcelo, compartilhando sua vontade de ver o belo sorriso de Maria e sua curiosidade quando um dia ela não lhe sorri mais. Na verdade, nem abrir a janela ela abre!
Esse é um livro cheio de poemas em forma de prosa, que teve a primeira edição publicada pela Editora Gaivota, ilustrado por Rafael Antón, que traz sua própria graça ao livro, nos fazendo abrir sorrisos feito os de Maria ao ver os traços e as cores escolhidas pelo artista. Antón nos mostra a menina dos sorrisos na capa do livro, debruçada na janela com as negras tranças ao vento esperando Marcelo passar ou talvez, nos convidando a abrir o livro como ela abre sua janela: com sorrisos no rosto, ansiosos por ver Marcelo passar em seu skate.

RITER, Caio. Maria e seu sorriso na janela. São Paulo: Editora Gaivota, 2013.



Kauane Cambruzzi é graduanda em Letras na Univille. Tem os cabelos cacheados e sabe que deve agradecer à bisavó por eles, assim como deve agradecer ao pai por lhe comprar livros e à mãe por lê-los, trazendo a literatura para sua vida.
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