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Isabela Giacomini
Há 137 anos nascia o escritor Monteiro Lobato, considerado o precursor da literatura infantil no Brasil, e merecidamente! Ele trouxe um novo olhar às crianças, falando sobre sua esperteza, curiosidade e imaginação, mesclando também elementos da cultura brasileira, possibilitando uma maior aproximação aos seus leitores. Ele não apenas criou histórias encantadoras que nos suspendem no mundo concreto e nos levam a diferentes aventuras, como buscou incentivar a leitura, a falar da importância de ser crítico, a valorizar as diversidades entre as pessoas, a respeitar a natureza, a resgatar histórias clássicas da literatura, a preservar a cultura nacional e local e a preconizar os momentos de contação de histórias através de suas personagens icônicas. E por falar nas personagens, como não lembrar do Sítio do Pica-Pau Amarelo, da boneca Emília com suas pílulas falantes, da Narizinho de nariz arrebitado, de Pedrinho com suas aventuras pelo sítio, da Tia Nastácia com suas receitas maravilhosas, de Dona Benta com suas histórias antes de dormir, da Cuca com seus planos mirabolantes de captura, do Tio Barnabé, do Rabicó, do Burro Falante, da Vaca Mocha e tantos outros, quase incontáveis?! Ainda que existam críticas a termos utilizados por ele, temos que lembrar que cada escritor vive em um tempo histórico, com pensamentos não necessariamente iguais aos contemporâneos, e que, mesmo assim, se pararmos para ler bem a fundo sua obra, observaremos que as próprias histórias desconstroem preconceitos e mexem com assuntos e temáticas muito pertinentes até hoje, mostrando que a literatura desestabiliza a noção de uma temporalidade bem definida e que atinge leitores sob diferentes perspectivas a cada vez que é lida, em cada novo momento.


Viva nosso pai da Literatura Infantil e pai de tantos outros autores que nele se inspiraram para escrever! Viva o Dia Nacional do Livro Infantil!

Isabela Giacomini é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e vê na literatura uma porta para outros universos e realidades.

Como já é de costume, no mês de abril costumamos celebrar a literatura infantil de uma maneira especial, por conta do aniversário de dois de nossos grandes escritores: Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato! E em 2019, preparamos uma nova edição do Abril Mundo, um evento tradicional realizado pelo PROLIJ. Confira abaixo a programação completa e demais informações:

Dia 02/04 (terça-feira), das 14h30min às 16h30min, no anfiteatro do CCJ: encontro do Dia Internacional do Livro Infantil, com sessão de contação de histórias, discussão do conto "A roupa nova do imperador", de Andersen e um momento para refletir e pensar sobre a literatura infantil e o que ela tem para nos dizer, mostrar e ensinar, com mediação da professora pesquisadora Alcione Pauli.

Dia 10/04 (quarta-feira), das 18h às 19h, no anfiteatro do CCJ: encontro do Clube do Conto* para discussão da obra "O paraíso são os outros", de Valter Hugo Mãe, com mediação da professora Berenice Rocha Zabbot Garcia (Letras/Univille)

Dia 17/04 (quarta-feira), das 19h às 22h30min, local a confirmar: encontro do Salve o Cinema em parceria ao PROLER e ao segundo ano do curso de Letras, com sessão e discussão do filme "Into the wood", dirigido por Rob Marshall, com mediação de Nicole Barcelos

Dia 24/04 (quarta-feira), das 18h às 19h, no anfiteatro do CCJ: encontro do Clube do Conto* para discussão do conto "A pequena sereia", de Hans Christian Andersen, com mediação de Gabrielly Pazetto e Luana Simão (Letras/Univille)


*Para participar do Clube do Conto é necessária a inscrição, lembrando que basta realizar uma vez, pois ela é válida para todo o primeiro semestre do ano. Acesse o formulário pelo link: http://bit.ly/clubedoconto2019_1

Os eventos são abertos a todos os interessados. Venha participar conosco e fazer o mês de abril mais literário!


Isabela Giacomini
O livro Reinações de Narizinho foi publicado por Monteiro Lobato no ano de 1931 e é a primeira obra que compõe a série intitulada de “Sítio do Picapau Amarelo”, que veio a fazer muito sucesso tanto na literatura como na série televisiva. A importância de tal obra, assim como várias outras de sua produção, é imensurável, uma vez que leitores de Lobato são atualmente os escritores de renome que beberam dessa leitura e escritura e se influenciaram para escrever para crianças e jovens nos dias de hoje. Em Reinações de Narizinho temos várias pequenas histórias que parecem isoladas e que focam em personagens distintos, mas que estão interligadas em muitos aspectos, não somente pela linearidade narrativa, mas pela conexão dos acontecimentos no decorrer de cada aventura, seja através dos personagens ou de universos imaginativos coexistentes.

O livro inicia contando um pouco sobre a vida de Lúcia, também conhecida como Narizinho, por conta de seu nariz arrebitado, que vive no Sítio do Picapau Amarelo com sua avó, Dona Benta, e com uma criada, Tia Nastácia.  Lá também existem outras personagens como Rabicó, um porquinho de estimação que está sendo preparado para o abate na época de virada de ano e a boneca Emília, inicialmente muda, mas que com o desenrolar de diversas aventuras acaba por se tornar uma boneca para lá de falante, coisa de um tal de doutor Caramujo do Reino das Águas Claras.

E por falar no Reino das Águas Claras, é por lá mesmo que a aventura de Narizinho e da boneca Emília começa para valer. Lá elas têm contato com diversos animais aquáticos, principalmente com o príncipe escamado e com Miss Sardine, mas também com outros um tanto quanto diferentes para o fundo do mar como a Dona Aranha Costureira, a Dona Barata da Carochinha, Pequeno Polegar e tantos outros personagens de universos literários diversos.

O episódio do reino localizado no fundo do mar se mistura com a questão da pílula falante tomada pela boneca Emília e também com a chegada do primo Pedrinho ao Sítio. Cada nova história vai se entrelaçando a primeira e a segunda e assim sucessivamente, até que todos os personagens conhecidos do Sítio do Picapau Amarelo, do mundo das fábulas, das mil e uma noites, das princesas e de tantos outros lugares acabam se mesclando, formando várias histórias dentro de uma. É como se Lobato construísse uma colcha de retalhos a cada nova personagem, a cada aventura em que os meninos são convidados e a cada imaginação mirabolante que possuem.


É interessante também avaliar que a boneca Emília, ou Condessa das Três Estrelinhas ou ainda Marquesa de Rabicó, ganha um espaço muito significativo na casa. Dona Benta e Tia Nastácia que duvidavam das imaginações infantis acabam se surpreendendo com tudo que pode acontecer se transportando para outros universos e perspectivas, seja usando o pó de Pirlimpimpim ou não. Primeiramente o episódio de uma boneca falante as assusta, mas com o tempo se torna natural e imprescindível para suas relações e para os momentos de convivência, principalmente nas decisões, nas novas ideias e nas contações de histórias antes de dormir. A boneca ganha tanto espaço que parece por vezes a protagonista, enquanto na verdade esse papel seria de Narizinho. É nesse livro que a síntese de toda a formação do Sítio é trabalhada, de como cada personagem passa a integrar essa grande família, de como os malvados aparecem e o que cada um faz para ganhar o coração da vó bondosa que é Dona Benta.

Lobato traz ainda um traço fortíssimo que é o revisitamento de outras narrativas, sejam elas orientais ou ocidentais. Princesas com Branca de Neve e Cinderela entram em cena, assim como Barba Azul, Capitão Gancho, Soldadinho de Chumbo, Sininho, Peter Pan, Chapeuzinho Vermelho, Aladim, Simbad, Sherazade, Pinóquio e tantos outros. Essa fusão de diferentes esferas literárias entra em comunicação de uma maneira natural e encantadora e permite que o leitor associe coisas já lidas a algo novo e a outro contexto.

É justamente por essa grande mistura de histórias que Lobato é trazido para a contemporaneidade em que a questão da autoria é posta em cheque, uma vez que todos os textos estão repletos de outros discursos e de falas e pensamentos de outros indivíduos. É também por suas críticas já existentes nessa e em outras de suas obras que vemos alguns tipos de preconceitos e de ideologias serem desconstruídas, como a não violência aos animais, o combate ao desmatamento, a repreensão pela corrupção e trapaça, o preconceito racial ser refutado, a arte estar desassociada de uma concepção de falta de trabalho e tantos outros pontos que os próprios personagens colocam em embate. Alguns, provavelmente não leitores de Lobato, mas apenas de alguns de seus excertos fora do global, ainda dizem que ele precisa ser banido dos espaços educacionais por ser preconceituoso, enquanto na verdade essas ideias são desmanchadas na própria narrativa pelo comportamento de suas personagens, ainda que ele tenha escrito suas obras na primeira metade do século XX. Isso mostra o quanto a frente ele pensava e o quanto ele refletia sobre sua realidade, enquanto grande parte da sociedade de sua época e contexto naturalizavam ações amplamente repreensíveis na atualidade.

Isabela Giacomini é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e vê na literatura lobatiana uma oportunidade para voltar a ser criança. 


Ah, se vivo fosse...
Se vivo fosse, Lobato completaria hoje 136 anos. Ah, se vivo fosse! Quanto ainda nos diria e quanto poderíamos descobrir com esse que foi pai afetuoso, ativo e amparador de nossa Literatura Infantil. Digo afetuoso, visto que amava o que escrevia e aqueles que o liam. Digo ativo, pois que não só criou textos para crianças, como disseminou a ideia da importância do ler. Digo amparador, porque mesmo já tendo deixado o plano terreno, amparou os que se fizeram seus filhos literários, tornando-se escritores na trilha aberta por ele. 
- Ah, Lobato, não mais direi “ se vivo fosse”. 
Gritemos, então:   Lobato, presente!
                
 Profa. Dra. Sueli de Souza Cagneti


A Impotência da Humanidade

Ana Luíza Busnardo
Beatriz Eichenberg
Flávia Schlogl
Gabrielly Pazetto
Luana Simão
Tamara Gericke

O ano é 1942. O mundo é assolado pela Segunda Guerra Mundial. No Sítio do Picapau Amarelo, Dona Benta se depara com todas as notícias trágicas da guerra e fica triste. Emília, é claro, inconformada com a crueldade do mundo, decide acabar com a guerra: furta o Pó de Pirilimpimpim do Visconde de Sabugosa e viaja até a Casa das Chaves para acionar a chave que controla as guerras, mas é claro que o plano acaba dando errado e Emília acaba acionando A Chave do Tamanho (editora Globo, 2008, com ilustrações de Paulo Borges).
A narrativa acompanha as andanças de Emília (agora com 1 centímetro de altura), em um mundo onde todos os seres humanos foram encolhidos. A ex-boneca de pano passa a observar as diferenças nesse mundo cheio de minúsculos humanos. Com todas as pessoas do tamanho de um inseto, muitas teriam sido sufocadas pelas próprias roupas ou até terem sido afogadas durante os banhos, mas também, do tamanho pequenino em que estavam, Emília conclui que não podiam mais guerrear.
Lobato constrói mais do que uma narrativa que acompanha as aventuras de Emília. Através da impotência dos humanos, ele questiona a guerra, as ideologias dominantes do século XX e o mundo urbano. Em uma passagem fatídica, Emília, ao encontrar-se com Hitler, O Grande Ditador, lhe dá uma lição de moral sobre a paz e ameaça: “... esse misterioso alguém só restaurará o tamanho perdido se tiver a certeza de que Vossa Excelência vai fazer a paz e botar fora todas as horrendas armas que andou amontoando, e desse momento em diante viverá na mesma paz e harmonia com o mundo em que vivem as formigas e abelhas.”
No sítio, Dona Benta e Visconde também refletem sobre as novas e antigas ideias, tendo em vista o novo mundo que estava surgindo. Enquanto as crianças se divertiam em um pires de água, Dona Benta, Coronel Teodorico e Tia Anastácia ficam resistentes e Visconde reflete que as “ideias antigas” deles teriam que ser revistas e reformadas para o mundo atual, lembrando-lhes que se continuarem com o mesmo pensamento, não teriam espaço no mundo que estava nascendo. 
Lobato, desta forma, enche sua narrativa de reflexões e pensamentos sobre a sua realidade no século XX, porém, pode-se facilmente fazer as mesmas reflexões, a partir de sua obra, sobre o século XXI, 67 anos após o lançamento original do livro. 

LOBATO, Monteiro. A Chave do Tamanho. São Paulo: Globo, 2008.
No dia 18 de abril comemora-se, por ocasião do nascimento de Monteiro Lobato, o dia nacional da literatura infantil. Em 2017, Lobato completa 135 anos e o Prolij, que desde sua criação tem se dedicado à literatura infantil juvenil, completa seus 20 anos.

Para dar início ao ano que marca a segunda década do programa, o Prolij irá promover, no dia 18 de abril, uma palestra comemorativa! As convidadas dessa noite são as professoras Gilmara Goulart (Timbó/SC) e a professora sênior e fundadora do programa, Sueli de Souza Cagneti. Com a palestra "Literatura Infantil Brasileira: história antes, com e pós Lobato, ilustrada por textos de seus diferentes tempos", as palestrantes discutirão a trajetória e importância da literatura infantil nacional, tendo como ponto central Monteiro Lobato. Será discutido, assim, o que se tinha no Brasil como textos/histórias/poemas para crianças antes de Lobato, o que se teve com ele, e qual seu legado em relação ao florescimento literário da década de 70, bem como as mudanças ocorridas no mundo e suas influências sobre o livro para a criança na contemporaneidade.

A palestra ocorrerá a partir das 19h, no Auditório da Reitoria, e não é preciso realizar inscrições ou pagar pela entrada. Todos aqueles interessados podem participar dessa noite de comemoração! Aqueles que assinarem o livro de assinaturas disponível no espaço também poderão validar as horas de participação em declaração de horas complementares!

Para mais informações, acesse o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/130019957530552/ 



Por Raquel Selner

         Foi-me permitido redigir meu texto a lápis. Melhor assim. Gosto de ter o direito de chamar meu rascunho de arte final, de voltar atrás quando acho que devo, de entregar a versão definitiva do que nunca foi ensaiado.
         Emília é esse rascunho bem feito, é esse ensaio com plateia. Tia Nastácia remendou o mundo todo na indomável boneca que aprendeu a ser gente. Lobato envolveu todos os seus leitores nessa realidade que desconhece o impossível. Enquanto há pessoas que ainda estão ensaiando sua vida, Lobato criou o roteiro de várias outras. Emília teve uma atuação digna de aplausos.
         Mas não quero ser hipócrita: Emília me incomoda. Afinal, para que serve a Literatura Infantil se não for para incomodar aqueles que se bastam? Pois é, Emília me incomoda - me irrita, até. Boneca metida a sabida. Pois é muito bem feito que leve lambada e seja forçada a voltar atrás.
         Sorte que meu texto está a lápis. Ainda dá tempo de eu voltar atrás no que escrevi no parágrafo anterior. Passar a borracha. Ela está a poucos centímetros de minha mão. Mas não quero, não vou apagar o que está feito. Não quero me dar ao luxo do arrependimento.
         Talvez seja por isso mesmo que Emília me incomoda. Porque ela é feito eu: não se arrepende, só se redime. Quando li a Emília, tive raiva porque soube que aquela era eu em muitas situações. No livro que li, “A Reforma da Natureza”, a boneca fez uma porção de mudanças naquilo que ela achava besta na natureza. Pois é, eu também já tive vontade de mudar muitas coisas no mundo tendo como parâmetro único o meu referencial. Dancei.
         E a raiva vem daonde? Do meu reflexo. A Literatura é um espelho que exalta nossas maiores qualidades, mas também evidencia os defeitos. E essa coisa da Emília ser revoltada e metida a sabe-tudo é defeito? Depende da leitura - ou melhor, do leitor. Sempre considerei como defeitos, MEUS defeitos.
         Que bom que na vida temos Donas Bentas para nos guiar e nos exortar quanto àquilo que ainda não aprendemos a enxergar!

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Texto produzido para a disciplina Literatura Infantil e Juvenil, do 2º ano de Letras, da profª Dra Sueli de Souza Cagneti.
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