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        No dia 1º de dezembro, primeiro domingo do advento, o novo lar de nossa querida Sueli Cagneti, na Praia Brava, recebeu os prolijianos para nosso tradicional amigo secreto, com direito a muita conversa, indicações de livros, carinho e sabores deliciosos de despedida e recomeço. 


        Após o delicioso almoço proporcionado pela coordenadora pelo seu aniversário e produzido pelo amigo Marcos, a prolijiana Áurea começou as festividades poéticas com a leitura de um texto próprio sobre o PROLIJ e seus membros.      


        Em seguida, a prolijiana e mestranda Luciane - que não participou do amigo secreto este ano - agradeceu toda dedicação de sua orientadora, presenteando nossa coordenadora. E também não ficou sem receber, Áurea com seu grande coração lhe trouxe um chocolatinho.


        O amigo secreto foi iniciado pela "dona do Prolij" que pegou nossa artista. Maria Lúcia ganhou os livros "Guaynê derrota a cobra grande", de Tiago Hakiy e "Os homens tristes", de Gustavo L. Ferreira e Paulo Vieira. 


        Maria Lúcia pegou a prolijiana colaboradora Ana e a presenteou com seu livro "A Narrativa Visual na Literatura Infantil Brasileira: Histórico e Leituras Analíticas" - que Ana ajudou a revisar - e o livro de contos "O casamento da Lua", da Ed. Boa Companhia.


       Ana, com um poema autoral, revelou que sua amiga secreta era a Rafaela e a presenteou com o livro "Canções", de Mario Quintana. 


        Rafaela pegou Sonia e lhe deu o elogiadíssimo livro do angolano Ondjaki "A Bicicleta que tinha Bigodes". 


     Sonia presenteou a Viviane com "A invenção de Hugo Cabret".

        
        Viviane presenteou Leandro com "Por que ler os clássicos", de Italo Calvino.


     Como não podia faltar, um amigo secreto repetido ocorreu. Leandro presenteou seu irmão Cleber com "Fábulas Selecionadas", de La Fontaine, com ilustrações de Calder. 


        Cleber, por sua vez, presenteou Áurea com "A mocinha do Mercado Central", de Stella Maris Resende e "Em busca do leitor literário", de sua autoria.

       Áurea, apesar de todos os desafios em seu caminho, conseguiu presentear Alcione com um lindo castiçal de advento.

        Para fechar o ciclo, desta vez sem trocas diretas, Alcione presenteou Sueli com um enfeite natalino para sua nova casa. 


        Como todo evento do Prolij, uma criança esteve entre nós, Gabriel, filho de Marcos, e não ficou sem receber um mimo. Também Marcos foi presenteado com "Pedro Pedreiro", de Fernando Vilela e Chico Buarque. Além de Sueli ganhar uma máscara da última viagem do Cleber e seu presente de aniversário dos prolijianos: dois jogos de copos e taças; afinal desejamos muitas realizações e brindes nesta nova fase. 




        O Prolij encerrou assim suas atividades de 2013 e deseja a todos boas festas!
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

A escritora e ilustradora Carolina Cunha traz ao leitor a fábula afro-brasileira Mestre gato e comadre onça (SM, 2011) recontada a partir de cantigas de capoeira. A história fala de um gato muito astuto e disfarçado que era mestre de capoeira e convidava outros animais a aprenderem essa arte. Os bichos da floresta a princípio ficaram meio ressabiados, mas depois aderiram às aulas do bichano com muita dedicação.
Num belo dia, uma onça pintada muito dissimulada aparece para fazer umas aulinhas e se diplomar na capoeira, provocando aquele alvoroço na floresta. Mestre gato aceitará essa aluna com fama de esfomeada? Onde será que essa história vai terminar?
Na ilustração aparecem vários animais da fauna brasileira. O livro recebeu da FNLIJ em 2012 o selo de altamente recomendável na categoria reconto e vem acompanhado de um CD com 60 canções de capoeira, gravadas pelas crianças dos grupos Nzinga, Espaço Cultural Pierre Verger e Projeto Pequenos do João, que vão completar a diversão da garotada e quem sabe, provocar curiosidade sobre essa luta-dança deixada de herança para nós.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Mestre gato e comadre onça
Autora e ilustradora: Carolina Cunha
Editora: SM
Ano: 2011


Por Sonia Regina Reis Pegoretti

O livro “A princesa e a ervilha” de Rachel Isadora (Farol, 2011) fala da procura de um príncipe por sua princesa. Saiu viajando por muitos lugares, pertos e também distantes, mas teve dúvidas se suas candidatas eram verdadeiras princesas. De volta a sua casa, em um dia de tempestade, aparece uma bela moça toda encharcada se dizendo princesa. Será? Não iria demorar muito para a rainha descobrir sua verdade!
Típico de um conto de fadas, certo? O que deixa a obra de ISADORA rica são seus dez anos de viagem pelo continente africano na sua bagagem, o que a fez ilustrar essa história de acordo com aspectos da cultura africana. Trata-se de um revisitamento da obra de Hans Christian Andersen com o mesmo título publicado em 1835.
A ilustração rica em cores, com diferentes técnicas artísticas chama a atenção para vários detalhes na busca do príncipe por sua amada. A paisagem, animais, as roupas, as tatuagens, as danças, o trabalho e o relevo nos dão algumas referências acerca desse lugar. O conceito de “príncipe”, “princesa” e “reino” contextualizados na história também através das ilustrações fazem o leitor refletir sobre questões como o multiculturalismo. Outro ponto que vale destacar é o uso de diferentes linguagens e idiomas presentes no continente, mostrando a diversidade e a pluralidade africana.
O livro foi uma grata surpresa e pode provocar a imaginação do leitor, levando-o a outros caminhos e possibilidades.

FICHA TÉCNICA:

Obra: A princesa e a ervilha
Autora: Rachel Isadora
Editora: Farol
Ano: 2011

        Na manhã do dia 21, sábado, no palco principal da 9ª Feira do Livro de Joinville, os três autores, Cleber Fabiano de Silva, Sonia Regina Reis Pegoretti e Sueli de Souza Cagneti, fizeram mais um lançamento, com contribuições dos demais prolijianos, do segundo livro de resenhas do Prolij, este com a temática africana e afro-brasileira. 
 

        No stand da  Prefeitura, o Livro dos Livros Resenhas do Prolij v.2 - Literatura Africana e Afro-Brasileira estava à venda por R$25,00, além de receberem autógrafos dos escritores. Também as escolas municipais receberam cada uma gratuitamente um exemplar do livro, devido ao apoio das Bibliotecas Públicas.

  

        Os livros (volume 1 e 2) podem ser adquiridos no Prolij (Biblioteca Central da Univille, piso térreo), horário de funcionamento: 8h - 12h e 14h30min - 18h30min (de segunda a sexta-feira).Contato: (47) 3461-9059 / prolij@univille.br.
        Com literárias e instigantes leituras, os autores Cleber Fabiano da Silva, Sueli de Souza Cagneti e Sonia Regina Reis Pegoretti, fizeram o lançamento do Livro dos Livros Resenhas do Prolij v.2 - Literatura Africana e Afro-Brasileira.


        O público interagiu pegando sortes do livro "Sortes de Villamor", de Nilma Lacerda, um dos livros resenhados neste segundo volume.


        Os livros estarão à venda em todo o evento, também na 9ª Feira do Livro no Lançamento neste sábado (10h30 no palco principal) e posteriormente no PROLIJ (Biblioteca Central da Univille).

Valor: R$25,00
Contato: (47) 3461-9059 / prolij@univille.br


Por Sonia Regina Reis Pegoretti

            Muito legal a ideia de Rogério Andrade Barbosa em coletar e apresentar brincadeiras infantis de vários países africanos. Em Ndule Ndule – assim brincam as crianças africanas, o lema é se divertir.
            O livro conta a história dos irmãos Korir e Chentai, que moram e estudam no interior do Quênia. Como tarefa, eles tiveram que pesquisar como as crianças brincam em diversos países africanos. Através da internet e de cartas, os amigos aprenderam e se divertiram.
            Ao todo são sete brincadeiras reunidas da África do Sul, da República Democrática do Congo, da Nigéria, do Senegal, de Botswana, da Tanzânia e da Guiné-Bissau. A ilustração de Edu Engel é alegre e colorida, retratando o universo infantil na escola. E aí? Quer aprender uma brincadeira nova?

FICHA TÉCNICA:

Obra: Ndule Ndule – assim brincam as crianças na África
Autor: Rogério de Andrade Barbosa
Ilustrador: Edu Engel
Editora: Melhoramentos
Ano: 2011

“Eu sempre achei que nosso trabalho não era apenas plantar árvores, mas despertar nas pessoas o compromisso com o meio ambiente, com o sistema que as governa, com sua vida e seu futuro.” (Wangari Maathai)

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        Através dos tempos, pudemos testemunhar a grande força feminina seja nos movimentos sociais, na expressão das artes ou no ativismo político. Essa é mais uma história de uma dessas mulheres que fez a diferença em seu país, o Quênia: Wangari Maathai. Em 2004, Wangari Maathai foi a primeira mulher da África a receber o Prêmio Nobel da Paz, concedido pela sua conexão entre saúde do meio ambiente do seu país e o bem estar do seu povo.
        A escritora e ilustradora Claire A. Nivola começa essa biografia contando um pouco da vida da pequena Wangari. De quando ela era criança e aprendeu a respeitar as figueiras sagradas, ou com as brincadeiras com os girinos nas margens dos rios quando ia buscar água para sua mãe.
        A menina foi crescendo e sempre amou morar naquele lugar. Mas um dia teve que se despedir da sua terra, e foi morar por cinco anos nos Estados Unidos para estudar biologia. Na sua volta, quanto aprendizado na mala ela trazia!
        Mas para sua surpresa, seu país não era mais o mesmo. A paisagem verde já quase não existia mais, as figueiras estavam cortadas e nos rios secos já não podiam se esconder as rãs. As pessoas já não comiam mais o que plantavam, mas compravam tudo nos mercados. Mas guerreira como era ela não desistiu, e através de uma idéia simples, conseguiu o respeito e a união das mulheres do campo. Agora elas faziam parte da solução de um problema que assolava a terra que todos amavam.
        A ilustração do livro é belíssima, fazendo o leitor se transportar direto para as paisagens e para o seio de uma aldeia queniana. Uma história envolvente, que mostra a luta e a coragem de uma mulher em prol de toda uma sociedade.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Plantando as árvores do Quênia: A história de Wangari Maathai
Autora e ilustradora: Claire A Nivola
Editora: Comboio de corda
Ano: 2010

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        As mulheres são o foco desses seis mitos recontados pelo povo iorubano e afro-brasileiro. Segundo Kiusam de Oliveira, autora do livro Omo Oba – histórias de princesas, “Oduduwá criou a o planeta Terra e, se uma mulher teve esta capacidade, o poder está com ela” (p 7). Nesses mitos, estão presentes seis princesinhas africanas, que um dia se tornaram rainhas. O que há em comum entre elas? Inteligência, força, coragem e beleza, é claro.
        A primeira história “Oiá e o búfalo interior” conta a história de uma princesa muito bela e determinada. Ela adorava brincar com Ogum e dentre seus dons estava o de poder se metamorfosear em animais. Na história “Oxum e seu mistério” a princesinha linda e perfumada conseguia hipnotizar e encantar a todos com sua beleza, sempre conseguindo o que queria.
        Na terceira história “Iemanjá e o poder da criação do mundo” a rainha do mar já demonstrava que desde criança seus atributos de beleza, tranqüilidade, equilíbrio e determinação. Já em “Olocum e o segredo do fundo do oceano” a princesinha era misteriosa e triste. Tinha uma beleza natural e os atributos da introspecção, contemplação e quietude. Mas ela também guardava um grande segredo, só revelado para seu grande amigo Ocô!
        Em “Ajê Xalungá e o seu brilho intenso”, a princesa era irmã de Iemanjá. Desde pequenininha já mostrava sua impetuosidade, curiosidade, empoderamento, orgulho, determinação e coragem. Além disso, era muito bela e possuía o poder de fazer as ondas brilharem! Será que essa princesinha conhece seus limites? Na última história “Oduduá e a briga pelos sete anéis” a princesinha tinha uma beleza rústica, não gostava de se enfeitar. Ela era a Terra e com sua força desejava habitar sua cabaça e possuir os sete anéis. Mas para isso, ela teria que travar uma batalha com Obatalá, o Senhor do Céu!
        Essas narrativas míticas já viajaram por vários lugares e chegaram aqui trazendo encantamento. A força dessas princesas de lá podem inspirar as meninas daqui. Boa leitura!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Omo Oba – histórias de princesas
Autora: Kiusam de Oliveira
Ilustrador: Josias Marinho
Editora: Mazza
Ano: 2009

“Capoeira tem mandinga
Capoeira tem Axé
Capoeira, luta nossa
Capoeira, o que é que é?”

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

      Esse livro divertido vai fazer a festa na roda de capoeira! São doze cantigas populares selecionadas e escritas em caixa alta para ler, brincar e cantar.
      A capoeira é hoje considerada patrimônio cultural e, portanto um ótimo assunto para curtir e discutir com a criançada. Desde o seu nascimento até os dias de hoje, muita coisa mudou. De luta de resistência nas senzalas brasileiras, hoje adultos e crianças, meninos e meninas a praticam como esporte no mundo inteiro. Ou seria também uma dança? Pois gingado é o que não falta para esses lutadores-bailarinos.
      A organizadora do livro, Bia Hetzel, já foi contemplada com um Prêmio Jabuti de “autor revelação” pelo livro Rosalina, a pesquisadora de homens. Também recebeu o selo “White Havens” pelo livro O porco e o prêmio “O melhor para criança” da FNLIJ com o livro O dono da verdade.
      A ilustração acertou em cheio, com cores e desenhos alegres e vibrantes, bem ao gosto das crianças. Ela fica por conta de Mariana Massarani, que recebeu a menção de altamente recomendável da FNLIJ pelo livro Sousa e Leo: o todo-poderoso capitão astronauta de leox, a cidade espacial.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Berimbau mandou te chamar
Organizadora: Bia Hetzel
Ilustradora: Mariana Massarani
Editora: Manati
Ano: 2008



Por Sonia Regina Reis Pegoretti


        Uma viagem de volta às raízes africanas é o que propõe o livro Erinlé, o caçador e outros contos africanos de Adilson Martins. Ao todo estão reunidos oito contos africanos que falam da natureza e seus animais mágicos, heróis e deuses que contam suas trajetórias.
        O caçador é um personagem muito importante na sociedade africana, sendo responsável não só pela caça, mas também pela proteção das aldeias contra o ataque dos animais e são ainda conhecedores das ervas medicinais. Não é por menos que um dos destaques do livro fica por conta de “Erinlé o caçador”, que conta a história dos feitos de um bravo caçador, que por ter vencido um leão, uma hiena, uma serpente e até mesmo um gigante, agora queria para si o título de rei da floresta. Mas o que nosso herói não lembrou é que faltava um animal de força descomunal: o elefante! Quem será o vencedor desse duelo?
        O livro da Pallas editora traz ainda a ilustração de Luciana Justiniani Hees, com traços fortes e característicos da arte africana.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Erinlé, o caçador – e outros contos africanos
Autor: Adilson Martins
Ilustradora: Luciana Justiani Hees
Editora: Pallas
Ano: 2008



Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                Muitos dizem que sua história é uma lenda. Outros dizem que ela é um mito. Já foi enredo de escola de samba, já foi fonte de inspiração para poesia, romance, teatro e cinema. O fato é que as historiadoras Keila Grinberg, Lucia Grinberg e Anita Correia Lima de Almeida resolveram contar, utilizando recursos ficcionais, um pouco da vida de Chica da Silva, personagem que fez história no Brasil e que foi aclamada por todos aqueles que um dia queriam ser libertos e também odiada por muitos outros, numa sociedade escravocrata do Brasil do século XVIII.
                A escrita é leve, a linguagem é de fácil compreensão e inclui um glossário explicativo com o significado do vocabulário da época. Mas a história é consistente e não engana o leitor quanto à crueldade e formas de escravidão que aconteciam,não só no Brasil mas em todo continente americano por mais de três séculos.
                A narrativa criada pelas autoras se entrelaça com fatos e fotos históricas garimpadas em acervos de museus ou bibliotecas nacionais, bem como através de outros autores que já pesquisaram sobre a vida de Chica ou sobre a época em que ela viveu. Assim, nesse vai e vem, o leitor vai podendo conhecer uma história marcada pela luta, pela sorte e pelo amor de uma mulher, em épocas difíceis,até para quem não era escravo.
                Para conhecer Chica da Silva (2007, Zahar) é acima de tudo uma história sobre resiliência e que pode inspirar muitos jovens na (des) construção dos seus saberes e na percepção da importância de vivermos na diversidade e na pluralidade de culturas.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Para conhecer Chica da Silva
Autoras: Keila Grinberg, Lucia Grinberg e Anita Correia Lima Almeida
Editora: Zahar
Ano: 2007

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                Nos últimos anos a literatura infantil tem protagonizado uma importante discussão. Afinal, como avaliar o que entra em sala de aula? Quais parâmetros (se é que existem) seguir?
                O livro Literatura Infantil – políticas e concepções (2008, Autêntica), organizado por Aparecida Paiva e Magda Soares, é fruto de análises e reflexões de pesquisas realizado pelo Ceale/FaE/UFMG. Presentes no livro estão oito artigos que exploram o universo infantil e podem ajudar o professor a ter um olhar mais sensível no que diz respeito aos livros direcionados aos pequenos.
                No que diz respeito às políticas etnicorraciais e à diversidade, dois artigos em especial chamam a nossa atenção: A produção literária para crianças: onipresenças e ausência das temáticas, escrito por Aparecida Paiva e Representação e identidade: política e estética étnico-racial na literatura infantil e juvenil, escrito por Aracy Martins e Rildo Cosson.
Paiva (2008) faz várias considerações importantes acerca da literatura infantil contemporânea. A primeira delas refere-se ao utilitarismo dos textos. A autora aponta que a grande enxurrada de textos que apareceram junto com os “temas transversais” provocou de certo modo uma adequação da literatura infantil ao currículo escolar, à intenção pedagógica. Quanto mais próximo o estilo narrativo do conteúdo a ser ensinado em sala de aula, maior é a sua utilização pelo professor.
Outra questão abordada por Paiva (2008) é a qualidade textual, qualidade temática e qualidade gráfica das publicações que hoje estão no mercado como “clássicos” para crianças. A avalanche de títulos que se enquadram nessa categoria torna difícil a escolha adequada pelo professor. Por parte dos recontos dos clássicos, muitos deles também deixam a desejar, dando a impressão de uma história incompleta, vazia.
Já o texto de Martins e Cosson (2008) trata as representações sociais como mote para várias indagações sobre a grande demanda de livros étnicorraciais a partir da Lei 10.639/03. Reflete sobre a grande diversidade de formatos e registros desses livros, tornando difícil a classificação das obras. Porém a questão evidenciada foi: “Como a literatura infantil e juvenil no Brasil responde contemporaneamente às demandas étnico-raciais de identidade e representação dos negros?” (MARTINS; COSSON, 2008, p. 56).
O caráter político dessa representação nos livros de literatura infantil e juvenil é apontado como algo que foi reivindicado legitimamente pela comunidade afro-brasileira. “Quando falamos de sujeito na literatura negra, não estamos falando de um sujeito particular, de um sujeito construído segundo uma visão romântico-burguesa, mas de um sujeito que está abraçado ao coletivo” (EVARISTO, 2000)[1].
Cabe agora aos professores e pesquisadores expandir a discussão para que equívocos referentes a essa temática e à própria literatura africana e afro-brasileira sejam minimizados.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Literatura infantil – políticas e concepções
Organizadoras: Aparecida Paiva e Magda Soares
Editora: Autêntica
Ano: 2008



[1] EVARISTO, Conceição. In: Congresso Internacional da ALADAA, 10. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2011.

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                O rio Zambeze se localiza no Zimbábue. Lá, vive o povo xona, de onde vieram as histórias e os cantos contidos no livro de Décio Giotelli, A mbira da beira do rio Zambeze. Entre os xonas os idosos são muito respeitados porque detém o conhecimento de histórias que passaram de geração em geração.
                O menino Chaka toca mbira[1], e é o personagem principal dessa aventura, que vai caminhando e aprendendo através dos contos e das canções, que estão gravadas ao som da mbira em um CD que acompanha o livro. Lugares, animais e seres sagrados vão aos poucos sendo desvendados por Chaka na “morada das pedras”. Esse misto de narrativas, músicas e informações fazem de A mbira da beira do rio Zambeze uma possibilidade para aquelas crianças acostumadas com os hiperlinks, navegando de um lado para outro como e quando quiserem.
                As belas fotos ficam por conta de Marie Ange Borbas e a ilustração, bem característica da arte africana, de Suppa. O livro ainda conta com a colaboração de Heloisa Pires Lima como organizadora.

FICHA TÉCNICA:

Obra: A mbira da beira do rio Zambeze
Autor: Décio Giotelli
Fotografia: Marie Ange Borbas
Ilustrador: Suppa
Organização: Heloisa Pires Lima
Editora: Salamandra
Ano: 2007


[1] A mbira é um instrumento musical pequeno, que se coloca entre as mãos.
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                Os mitos sempre estiveram presentes na história humana. A cultura africana tem vários mitos da criação do mundo, por exemplo, a do povo ioruba, banto ou muçulmano, que podem ser comparados uns com os outros e também com mitos da criação de outras origens e povos. Mas se engana quem pensa que este não é também um tema contemporâneo. Eles estão em toda parte: no cinema, na televisão, nos livros e acima de tudo na nossa imaginação!
                É justamente sobre um dos mitos da Costa do Marfim que se trata o livro de Maté, A primeira máscara. A narrativa conta que no começo de todas as coisas, quando Deus ainda olhava para a terra recém criada, homens e natureza viviam em plena harmonia. Mas quando Ele deixou seus espíritos mensageiros para cuidar da terra e foi semear em outros continentes, a vida dos homens começou a mudar, deixando a inveja, a ira e o egoísmo destruir a criação divina.
                Tanto foi a desilusão dos espíritos, que quase todos eles resolveram abandonar os homens e fugir para a floresta. Mas um deles resolveu ficar, e acreditar que poderia fazer alguma coisa para salvar a humanidade.
                A partir daí a narrativa se desenrola com muita sensibilidade, demonstrando todo o sofrimento e agonia do espírito que se transforma em máscara até ser encontrado no meio da mata fechada.
                A ilustração também é assinada pela Maté, que soube capturar a essência da arte africana tanto nos traços como na pintura. A história é uma homenagem às tradições dos povos africanos que cantam e dançam utilizando suas máscaras sagradas, cumprindo um ritual ancestral e que hoje é conhecido e admirado em todas as partes do mundo.

FICHA TÉCNICA:

Obra: A primeira máscara
Autora e ilustradora: Maté
Editora: Noovha América
Ano: 2009
Por Sonia Regina Reis Pegoretti
               
Nilma Lino Gomes é a organizadora do livro Um olhar além das fronteiras – educação e relações raciais, que faz parte da coleção Cultura negra e identidades e que traz experiências vividas tanto pelo colonizador (Portugal) quanto pelos seus colonizados (Brasil e África). A socialização de estudos e pesquisas acerca do tema vem contribuir para um debate que não se pode mais negar: a reflexão sobre as questões raciais e étnicas na educação, assim como a construção de uma escola mais plural e diversa. Para estabelecer essa discussão, GOMES (2007) divide o livro em três partes.
Na parte I, cujo tema é “Globalização, educação e dignidade humana” já somos presenteados com uma entrevista com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, falando sobre “globalizações” e de como podemos pelo menos “imaginar” viver de forma diferente percorrendo caminhos alternativos. Finalizando essa parte, as professoras Teresa Cunha e Inês Reis versam sobre uma concepção de educação entendida como espaço-tempo capaz de fornecer instrumentos de interpretação, inclusão e participação.
Já na parte II, o tema é “Racismo e etnicidades em diferentes contextos históricos e sociais”. No primeiro artigo, Maria Paula Gutierrez Meneses, discute a (re)invenção das palavras racismo, etnicidade, tribo e encontro colonial, fazendo uma verdadeira viagem no tempo e questionando o leitor sobre o seu real conhecimento do continente africano. Traçando um mapa diferente da realidade africana, a autora aborda o caso de Moçambique como modelo.
O segundo artigo trata de uma pesquisa etnográfica realizada em duas escolas de Portugal. A autora Marta Araujo objetivou explorar as diversas formas de racismo manifestadas nas experiências escolares cotidianas. Os dados dessa pesquisa são analisados diante do leitor, e apontam para a necessidade de programas de investigação comparativos, a fim de compreender como funcionam os passados coloniais com a luta anti-racista em várias sociedades.
A terceira e última parte do livro traz como tema o “Racismo, anti-racismo e educação: o contexto brasileiro”. A professora Nilma Lino Gomes apresenta o contexto tenso e complexo das relações raciais no Brasil no artigo Diversidade étnico-racial e educação no contexto brasileiro: algumas reflexões. Já o artigo A pedagogia Multirracial popular e o sistema escolar de Miguel González Arroyo é o que encerra o livro. O texto é resultado de uma palestra proferida pelo autor no Colóquio Pensamento Negro em Educação no Brasil onde ARROYO faz uma reflexão entre a pedagogia multirracial e a pedagogia popular e ainda sobre o sistema escolar brasileiro.
O dialogo estabelecido pelos autores nos leva a refletir a prática pedagógica e a postura do professor presente nas nossas escolas.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Um olhar além das fronteiras – educação e relações raciais
Autora: Nilma Lino Gomes (Org)
Editora: Autêntica
Ano: 2007
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                A partir da lei 10.639/03, os professores têm a incumbência de trabalhar a história e a cultura afro-brasileira na sala de aula e em 2008, através da lei 11.645, ela se complementa, inserindo a história e cultura indígena. Diz a lei que esses conteúdos devem ser trabalhados em todo currículo escolar, mas com especial atenção nas disciplinas de artes, literatura e história. Tarefa difícil esta, considerando que a maioria dos professores já formados, não tiveram essa formação nos cursos de graduação.
É com essa problemática em mente e também com questões de gênero, raça e etnia que Nilma Lino Gomes e Petronilha B. Gonçalves e Silva organizaram o livro "Experiências étnico-culturais para a formação de professores". O livro apresenta oito artigos escritos por especialistas em formação de professores, sobre histórias contadas ou vividas por eles na sala de aula em diversas regiões do Brasil e também do exterior como Estados Unidos, Mali, Uruguai e Espanha. Essas histórias falam da diversidade na educação e da problemática que muitos dos nossos educandos e também professores enfrentam no seu dia a dia.
Na sua apresentação, Nilma Lino Gomes fala sobre os desafios da diversidade e da importância dos diferentes olhares de pesquisadores sobre essa temática na formação de professores. Aspectos sobre cultura, identidade, semelhanças e diferenças são parte deste livro, que entre outros assuntos, discute em seus artigos a educação indígena, africana, judaica e de ciganos.
Como resultado do trabalho, algumas respostas. Mas, ainda mais perguntas são deixadas ao leitor pelos pesquisadores. É nesse movimento de vai e vem que vamos construindo a educação que queremos. O livro é um convite a experimentar!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Experiências étnico-culturais para a formação de professores
Autoras: Nilma Lino Gomes e Petronilha B. Gonçalves e Silva (Orgs)
Editora: Autêntica
Ano: 2011 3 ed.
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

“Aquele que veio do paraíso”. É este o significado de Zulu, povo que vive na África do sul. Ainda hoje, nas aldeias de Durban, as crianças se reúnem para ouvir histórias sobre seu povo. As três histórias recontadas nesse livro por Julio e Débora D’Zambê, “como o criador fez surgir o homem na terra; a concha das histórias e as sete cabeças” são originárias desse povo, rico em tradição.
Os mitos e as lendas africanas têm caráter essencialmente familiar, narram a ancestralidade da família, da comunidade ou do povo, do sol, da lua, do início/fim do mundo e de seus heróis. E são justamente esses os temas presentes nas narrativas escolhidas pelos autores.
A ilustração é de Maurício Veneza, complementando o texto e retratando de forma colorida um pouco da cultura africana.

Livro: Como o criador fez surgir o homem na terra
Autores: Julio e Débora D’Zambê
Ilustração: Maurício Veneza
Editora: Mundo Mirim
Ano: 2009
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

            Vários cientistas discutem sobre quando o mundo começou e pela força do que ele foi gerado. Para Pomme essa resposta foi fácil de encontrar. Foi quando ela foi concebida.
            Sua mãe e seu pai se encontraram quando ela veio da África. Ele a viu e a achou linda. Ele carregou suas malas. Ela tinha fome e, portanto comprou duas maçãs verdes a as guardou na bolsa. Depois ela mordeu uma das maçãs e ofereceu ao seu pai (que ainda não sabia disso, pois tinham acabado de se conhecer!).
Pomme - ela disse em francês.
            A partir daí, se desenrola uma linda história de amor. As palavras escritas se transformam em poesia. “De noite, contava estrelas com papai. O silêncio era vasto como o mar. A cama virava então um barco balançando sobre as ondas.” (DIELTIENS, p.9)
            A ilustração fica por conta de Stefanie De Graef que colabora com a narrativa de maneira delicada, evidenciando o caminho percorrido pela mãe de Pomme desde sua chegada da África até seu nascimento.
            A escritora Belga Kristien Dieltiens aborda a complexidade de um amor interracial em Meu nome é Pomme, um livro sensível e imperdível para todas as idades.

FICHA TÉCNICA:

Livro: Meu nome é Pomme
Autora: Kristien Dieltiens
Ilustração: Stefanie De Graef
Editora: SM
Ano: 2011
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        O livro “Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica” é integrante da coleção Cultura Negra e Identidades e se mostra como uma importante obra teórica acerca da literatura africana e afro-brasileira.
        É dividido em quatro artigos principais e um de conclusão, escritos por três autoras diferentes, docentes da UFMG: Iris Maria da Costa Amâncio, Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge. Integra o projeto Novos percursos e novos horizontes de formação: a continuidade das ações afirmativas para universitários negros na UFMG, apoiado pelo Programa UNIAFRO II (MEC/SESU/SECAD) e realizado pela equipe do Programa Ações Afirmativas na UFMG, nos anos de 2006 e 2007. 
        Preocupadas com a formação de professores e com o currículo que se apresenta nos cursos de graduação, as autoras trazem à luz questões importantes como a ausência da literatura africana e afro-brasileira nos cursos de pedagogia e de questões relacionadas à lei 10.639/03 nos cursos de licenciatura.
        O livro ainda apresenta vários textos de escritores africanos e brasileiros e propostas de atividades elaboradas pelas cursistas participantes do projeto.
        Indispensável na biblioteca de todo professor!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica
Autoras: Iris Maria da Costa Amâncio; Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge
Editora: Autêntica
Ano: 2008
Páginas: 166
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