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De um fiapo de quase nada saiu Emília.

Toda torta e esboçada, com aparência de mais clara má fé, mas tinha o necessário: cabeça, cabelo, cotovelos e pés. Que graça! Que mimo! Emília é viva na feiúra e na beleza, e no emaranhado de trapos se mostra a mais digna das realezas. De boca calada é boneca e mais nada, só pano a criatura; mas se a boca abre o verbo sai louco e mais ninguém se aventura.

Verdade seja dita da boca de Emília. Só verdade se acredita e mentira bem contada é verdade verdadeira para quem ainda duvida. Ela é um ser humano... quer ser um ser humano, mas para que estragar-te agora? A se comparar com toda essa gente que ainda acha que é gente por esse mundo afora...

Emília é esperta! É criança grande em corpo pequeno. Pequena no corpo, mas grande na alma e gigante no pensamento. De jeito desaforado, irônico e arrogante, diz tudo o que pensa. Não há quem não se renda a todo “palavratório” da Excelentíssima Marquesa!

- Queres tu, boneca, ser como eu, de carne e osso?

- Quero eu, Emília, ser como tu, repleta de sonhos!

Forte e emotiva, impulsiva e atrevida, como tu queria eu assim ser, mas sou preso à vergonha, escrupulosa e sem vergonha que minha carne mostra ter. Trocas de lugar comigo? Serás eu e serei tu neste mundo tão insano. Para ti ficam só falhas; para mim fica o sabor de ser um trapo, um fiapo bem mais gente que o próprio ser humano.

Não percas a inocência, a ternura e a decência, e as mantenha para tua vida. Ser boneca é ser mais forte sem esperar a própria sorte neste mundo de armadilhas.
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