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Gabrielly Pazetto
Isabela Giacomini
Nicole Barcelos
*agradecimentos especiais à Cymara Sell

Alguns escritores, pela qualidade de seu trabalho e pela beleza de seu estilo, por vezes conquistam lugares especiais nas estantes de todos nós – sejam eles considerados autores “para adultos” ou “para crianças”. Anthony Browne (1946), escritor e ilustrador britânico, é um desses casos: com mais de 40 títulos publicados em diversas línguas, está para além de uma categorização como “infantil” ou “juvenil” – seus livros aparentemente infantis na verdade falam para leitores de todas as idades. Além disso, em 2000, teve seu trabalho reconhecido com a maior honraria da literatura infantil juvenil, ganhando o prêmio Hans Cristian Andersen de ilustração. Atualmente, Browne é um dos maiores ilustradores de seu tempo e por isso (e muito mais) acreditamos merece uma lista especial no nosso Blog. Confira os livros selecionados por nós e nos diga: qual deles é o seu favorito?

O túnel – Rosa e Juan são irmãos, muito diferentes em tudo. Rosa tem medo do escuro, enquanto o menino o aproveita para fazer travessuras. A mãe deles vivia se zangando com suas implicâncias, até que um dia resolveu pedir para que saíssem brincar juntos, sendo amáveis um com o outro. Mas o que as crianças não poderiam imaginar é que no meio daquela saída entediante, encontrariam um túnel muito obscuro e interessante. Será que eles conseguirão chegar em casa para o almoço? Ou o túnel mudará todo o enredo? A narrativa traz um convite a se aventurar, com um toque de suspense e muita aventura.

Histórias de WillyWilly é um personagem recorrente das obras de Browne, estrelando diversos livros do autor há mais de 30 anos. No Brasil, muitos de seus títulos ainda não foram publicados e traduzidos, mas um dos mais recentes felizmente foi. Em Histórias de Willy visitamos Robinson Crusoé, Alice no País das Maravilhas e uma série de outros personagens do que muitos poderiam chamar de “clássicos” da literatura infantil juvenil. Pois, nesse livro, Willy (com que, lembremos também, Anthony Browne diz se identificar muito) literalmente viaja por uma série de cenários que certamente serão conhecidos de muitos leitores, atravessando mundos coloridos pelo passar das páginas duplas que ilustram suas aventuras. O leitor há de talvez discordar ou ansiar por outras histórias além das escolhidas por Browne, mas o convite questionador do texto verbal certamente o levará a pensar em suas próprias histórias dignas de preencher um livro!

Vozes no parque – Trabalhando com uma multiplicidade de vozes, neste livro Browne narra a história de quatro personagens diferentes que vêm suas vidas se esbarrarem em uma tarde no parque. A obra é muito feliz em retratar pontos de vistas de diferentes posições sociais e as ilustrações, como não poderiam deixar de ser, nos fazem mergulhar em capa página para analisar cada detalhe e referência – especialidades do autor.


Na floresta – Um menino sai para levar uma cestinha de bolo para sua vó, a pedido da mãe e precisa escolher entre o caminho mais longo e demorado e o caminho da floresta, mais rápido e sinuoso. Na floresta parece uma história muito familiar, mas em que na verdade há muito a ser desvendado, principalmente nas ilustrações do autor e nas cores por ele utilizadas. A cada página virada uma nova emoção surge, e as expectativas são superadas – às vezes o óbvio acaba não acontecendo, às vezes sim.


Gorila – Em "Gorila" conhecemos a doce Hannah. Hannah tinha muitos sonhos, sonhos com gorilas, seu animal preferido. A menina sempre pedia ao seu pai para levá-la ao zoo, mas ele se recusava por não ter tempo, até que um dia ela decidiu ir por conta própria! Em mais uma história sobre primatas, Browne mistura seus traços delicados com a realidade dos pais do século XXI que não têm tempo de realizar os sonhos de suas garotinhas.



Little Beauty – Vivendo sozinho em um recinto num zoológico, um gorila pode ter tudo o que quiser – menos, porém, o que mais o angustia: uma companhia. Seus tratadores, na ausência de outros iguais para lhe servirem de parceiros, presenteiam-no com uma gatinha, chamada Beauty. Quando o olhar profundo e melancólico do gorila cruza o olhar animado e cheio de vida da doce Beauty, uma conexão se estabelece imediatamente. A partir daí somos testemunhas de um afeto que vai sendo construído pelo compartilhamento dos momentos mais corriqueiros da vida. Em Little Beauty, Browne dá vida à mais um gorila de humanidade e sensibilidade ímpares, com expressões fortes que falam do que há de mais humano em todos nós.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.


Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.

Isabela Giacomini é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e vê na literatura uma porta para outros universos e realidades.

Gabrielly Pazetto
Isabela Giacomini
Nicole de Medeiros Barcelos
As histórias em quadrinhos foram, para muitas pessoas, as precursoras do gosto pela leitura e para muitas, continuam fazendo parte de sua rotina literária. Elas trazem uma diversidade de linguagens e de temáticas, permitindo a reflexão e a diversão, além de trabalharem com a ludicidade das crianças e dos jovens por meio das cores e dos desenhos utilizados.

As HQs foram, por muito tempo, consideradas um gênero menor, mas sua complexidade e importância passaram a ser reconhecidas a partir do momento em que se percebeu que muitos leitores o são porque tiveram contato com elas.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2016 pelo Instituto Pró-Livro, mostra que Histórias em Quadrinhos é um dos gêneros mais lidos por jovens entre 9 a 17 anos. E por isso, trouxemos aqui uma lista de HQs muito especiais.
Sendo:

Pétalas, de Gustavo Borges e Cris Peter – Pétalas, de Gustavo Borges e Cris Peter – Pétalas é a obra mais singular dessa lista! Trata-se de uma narrativa visual em forma de quadrinhos. As ilustrações de Gustavo Borges e a coloração de Cris Peter dão vida à história de uma linda amizade em meio à neve, para nos lembrar o que realmente pode aquecer o coração.



Nimona, de Noelle Stevenson – Era uma vez um guerreiro, um vilão, um experimento científico, tudo isso vivendo em um mundo medieval com super-heróis e magia (ou seria pura tecnologia?). Esta é a história de Nimona, da americana Noelle Stevenson. O quadrinho é a estreia da autora na escrita independente e é um prato cheio para quem busca aventuras, mas sem os clichês dos quadrinhos de super-heróis. Nimona é forte, é guerreira, e é impossível não sofrer, se alegrar e se aventurar junto com ela!



Série “Valente”, de Vitor Cafaggi – Série “Valente”, de Vitor Cafaggi – Valente é um ser enfrentando a adolescência e os problemas que ela traz: namoradas, ensino médio, faculdade e amigos. E o melhor de tudo? Ele é um cachorro, mas ao longo da história descobrimos que Valente é um pouquinho da gente também! Valente sofre, Valente erra, Valente tem dilemas típicos dos jovens que estão nessa fase tão conturbada. A série possui 5 volumes lançados até agora e o desfecho desta história será no 6º e último volume da série, que está previsto para ser lançado até o final de 2018.


Maus, de Art Spiegelman – Talvez o fator mais impactante de Maus seja o fato de que a história realmente aconteceu. HQ biográfica, Maus conta a história do próprio pai de Art Spiegelman, judeu, que viveu o horror da 2ª Guerra Mundial.


Hilda e o troll, de Luke Pearson – Hilda é uma curiosa menina com uma imaginação fértil. À guisa de muitas personagens que conhecemos, a protagonista dessa HQ, ao ouvir histórias sobre trolls, confabula sobre a sua existência e teme ser, um dia, comida por um deles. O que o avançar das páginas dessa obra revela, porém, para além do encontro inusitado preludiado pelo próprio título, é a descoberta que ele desencadeia.


Persépolis, de Marjane Satrapi – Pouca luz ainda foi lançada sobre a guerra do Irã que ocorreu na década de 1980, principalmente no (nosso) mundo ocidental colorido pelas tinturas da mídia internacional americana. Persépolis vem na contramão de tudo isso para nos oferecer um olhar de dentro desse conflito: Marjane Satrapi conta a sua própria história no Irã, como filha de uma família progressista em um país que, de uma hora para outra, foi literalmente encoberto por véus pretos. Com humor inconfundível, a autora guia o leitor pelas veredas mais escuras dessa narrativa necessária, mas dolorida, de uma maneira que beira a leveza. Desvelando um pouco do que a própria História ainda não deu conta de mostrar, a HQ continua reverberando no leitor para muito além dos quadrinhos finais que “encerram” o conto de Satrapi (e de sua herança persa) – e não ao acaso foi adaptada para o cinema em 2007, em uma animação homônima indicada ao Oscar.


Eles estão por aí, de Bianca Pinheiro e Greg StellaÉ bem difícil falar desta HQ sem dar nenhum spoiler, até porque sua leitura não se limita apenas às palavras, as ilustrações também contam a história de Eles estão aí. A HQ traz a jornada de duas criaturas vagando pelo mundo e encontrando diversos seres pelo caminho, na tentativa de compreender e de serem compreendidos.



Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos

Aprofundar-se em uma língua estrangeira é também mergulhar em toda uma outra forma de ler e escrever o mundo: é entender como outro (diferente do eu) coloca-se diante das mais variadas situações da vida. Como se sabe, a literatura (a arte da língua), por excelência, tem o poder de fazer com que o leitor se confronte com outras realidades, lançando luz sobre questões específicas que são, por vezes, também universais. Colocar-se diante de um livro é estar constantemente diante de algum tipo de espelho. Continuando assim nossa proposta de explorar alguns títulos em língua inglesa, hoje separamos um punhado de obras para leitores um pouco mais experientes, e que também estejam mais confortáveis com a língua estrangeira: são 5 livros e uma série com tom mais juvenil e texto mais extenso, indicados especialmente para jovens leitores, independentemente da idade.


Pippi Longstockings, de Astrid Lindgren – Traduzido no Brasil como Píppi Meialonga, a trilogia conta a história da menina Píppi que, após perder o pai em uma navegação, decide ir morar na Villa Villekulla, onde conhece Tommy e Annika, dois irmãos inseparáveis. Juntos eles de... Pippi Longstockings é escrito pela sueca Astrid Lindgren, o título original da obra é Pippi Långstrump, mas ela ganhou popularidade quando foi traduzida para o inglês. Recomendamos a tradução do sueco para o inglês de Edna Hurup. 

Winnie-the-Pooh, de A.A. Milne, com ilustrações de Ernest Shepard – Quem não conhece o simpático urso amarelo que, no Brasil, atende popularmente por “Puf”? Em Winnie-the-Pooh conhecemos melhor Edward Bear (ou Winnie-ther-Pooh), bem como toda a turma do bosque dos cem acres (a hundred acre wood) em seus nomes originais: Christopher Robin, Piglet, Rabbit, Eeyore, Owl, Kanga e Roo (e nada de Tigger, ou Tigrão, nesse livro, viu?). Christopher Robin é ao mesmo tempo personagem e interlocutor das histórias que são narradas e, ao lado dele, vivemos as diversas aventuras passadas nesse lugar de pura imaginação. Muito diferentes das ilustrações coloridas e quase pasteurizadas que se tornaram referência da obra através dos filmes e das series animadas, os traços simples de Enerst Shepard unem-se à narrativa divertida de A.A. Milne para construir um universo encantado e pueril como só uma criança poderia imaginá-lo. Um tanto extenso, porém, o texto requer mais fôlego do seu leitor – assim como uma generosa dose de bom-humor. 



Matilda, de Roald Dahl, com ilustrações de Quentin Blake – Matilda é brilhante. Tanto o livro quanto a personagem. Popular entre os protagonistas de Roald Dahl (um elenco famoso de figurinhas conhecidas como Charlie, de A fantástica fábrica de chocolates, ou James, de James e o pêssego gigante), a pequena garota que ficou na memória de muitos pela sua adaptação para o cinema em 1996, na verdade, é ainda menor e mais mágica em sua versão original. Pois, no livro, Matilda tem apenas 4 anos e, como sabemos, já leu mais livros do que eu e você juntos. Sua inteligência é tamanha que talvez supere até mesmo as fronteiras físicas daquilo que se acredita ser possível ou não acontecer "de verdade", e surpreende – mas o que há de verdadeiramente encantador nela talvez seja outra coisa, que fala bem mais de seu coração do que de sua cabeça. 



Tales of outer suburbia, de Shaun Tan – Equilibrando-se sobre a linha tênue entre o real e o fantástico, Shaun Tan visita as fronteiras da imaginação em seus Tales of outer suburbia (publicados no Brasil como Contos de lugares distantes pela finada Cosac Naify). Contando 15 histórias que falam de temas não tão distantes, a obra é escrita e ilustrada pelo autor australiano, revelando uma simbiose ímpar entre o texto verbal e visual que resultam num tom que beira ao mágico e ao surreal – tônicas em toda a obra de Tan. Difícil mesmo é escolher apenas uma delas como favorita: apesar da estranheza e do estranhamento provocados pelas narrativas, todas falam muito sobre nós e sobre como somos e são de profunda sensibilidade. Como bem colocou Peter Robb, no The Sydney Morning Herald, o trabalho de Shaun Tan é “a um só tempo banal e perturbador, familiar e estranho, local e universal, tranquilizador e assustador” - e vale a pena ser conferido de perto.



A series of unfortunate events, de Lemony Snicket – Se você não estiver preparado para ler uma série de atrocidades, passe longe desses livros! Composta por 13 volumes catastróficos, A series of unfortunate events narra a história desafortunada dos três irmãos Baudelaire, de seu The Bad Beginning, em que se tornam órfãos após um incêndio misterioso na mansão de sua família, passando por todos os diversos tipos de perrengues até chegarem a um The End – feliz ou não, cabe ao leitor decidir. Carregadas de um senso de humor cítrico e inteligente, as desventuras dos Baudelaire, de fato, não são para qualquer um: mas aqueles que se divertem com ironias cruéis e jogos de palavras inteligentes encontrarão na escrita de Lemony Snicket (autor e narrador das obras, e pseudônimo de Daniel Handler) um prato cheio de diversão. Apesar da fórmula um tanto “repetitiva” no início da série, o texto de Snicket é rico em conteúdo e linguagem: não subestima o seu leitor e está constantemente o desafiando a pensar de outra forma, se aproveitando de diversos recursos de metalinguagem para engendrar as tragédias que ocorrem aos Baudelaire e suas desventuras. 



Good omens (or the nice and accurate prophecies of Agnes Nutter, witch), de Neil Gaiman e Terry Prachett – O mundo vai acabar. No próximo sábado, na verdade. Logo antes do jantar. Ou assim diz a profecia de Agnes Nutter, bruxa – e no livro feito a partir desses seus bons ou maus augúrios, de Neil Gaiman e Terry Prachett. Escrito à quatro mãos na década de 1990, Good omens (traduzido no Brasil como Bons augúrios, ou Belas maldições) conta a história do Armagedom do ponto de vista de personagens muito peculiares, carregado do humor britânico de seus dois autores. Você vê, embora o mundo esteja para acabar (sábado, lembra?), nem tudo está indo tão bem para com algumas partes desse Plano Divino. Para começar, o Anticristo foi parar na família errada, e é um garoto simpático e magricela. Os quatro cavaleiros do apocalipse? Agora eles pilotam motos - e um deles até se aposentou. As partes envolvidas (céu e inferno) tampouco estão muito animadas com O Fim: Aziraphale e Crawley, respectivamente um anjo e um demônio que estão na Terra desde O Começo, por exemplo, já se apegaram aos hábitos terrenos e não estão muito a fim de abrir mão deles. Agora, com tudo isso pelo caminho, se o mundo acaba mesmo no sábado ou não é você quem vai ter que descobrir.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.

Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos
*Agradecimentos especiais à Cymara Sell

A literatura de um povo (literalmente) diz muito sobre ele. Ela modifica-se tanto em conteúdo quanto em forma para assumir os contornos da realidade que integra, ou para distorcer e enfrentar as fronteiras que a sociedade vigente impõe. A literatura de um povo também diz muito sobre a sua língua. Como se representa o mundo, como se diz certas coisas - ou não se diz... Por isso, a literatura de um povo é um ótimo meio de conhecê-lo, seja em suas traduções para a nossa própria língua, seja no próprio texto original dos autores. Hoje, propomos um movimento diferente aqui no blog: nos dedicamos a olhar por alguns momentos livros escritos originalmente em inglês em suas versões originais, em tudo que tem para oferecer. Ditos livros infantis em inglês, esses são, na verdade, livros para novos leitores - não importa a idade e o tamanho deles. Que tal se aventurar em novas histórias em um novo idioma?! 


Where the wild things are, de Maurice Sendak – Vestido com seu traje de lobo, o pequeno Max desafia sua mãe e é deixado de castigo em seu quarto, onde as tramas da vida real dão espaço a uma floresta. Suas aventuras farão com que ele descubra where the wild things are. Escrito e ilustrado por Sendak, o livro é um clássico da literatura infantil mundial e ganhador da Medalha Caldecott de 1964, que premia anualmente a obra infantil que mais se destaca em termos de ilustrações.



The heart and the bottle, de Oliver Jeffers – Como proteger o coração das dores do mundo? A protagonista de The heart and the bottle pensou que talvez fosse por bem guarda-lo em uma garrafa, mas nem sempre esse foi o seu lugar. No começo desse sensível livro ilustrado de Oliver Jeffers, conhecemos sua protagonista ainda cheia de curiosidade encantamento com o mundo. Ao se deparar, porém, com um vazio talvez grande demais para compreender, ela mesma se esvazia de seu próprio coração, e, então, o mundo também começa a parecer cada vez menos curioso e encantador. Para recuperar seu coração e, com ele, sua sensibilidade, ela vai precisar de uma “mãozinha” – que talvez esteja onde ela menos espere.



A child of books, de Oliver Jeffers e Sam Winston – A epígrafe que começa esse livro talvez o defina da melhor maneira: “The universe is made of stories, not atoms” (Muriel Rukeyser). Esse livro é feito de histórias. Histórias que conhecemos, algumas mais do que outras, mas que são os tijolos sobre os quais se cimentaram todas as outras histórias que viemos a conhecer. “A child of books” (traduzido talvez não tão felizmente para “A menina dos livros”, sob o selo Pequena Zahar) é literalmente construído sobre essas histórias: seus protagonistas viajam em uma onda de imaginação sobre trechos de As viagens de Gulliver, A família Robinson, As Aventuras de Pinóquio, 20 mil léguas submarinas e tantos outros clássicos “marítimos”; escala uma montanha construída de passagens de Peter Pan; adentra uma caverna escurecida pelos excertos de A ilha do tesouro; e até mesmo se embrenha em uma floresta de contos de fadas. Trata-se de um livro para quem ama livros, para quem ama histórias, e para quem sabe que são elas que traduzem o que há em nós de mais humano: a imaginação.



Cloudy with a chance of meatballs, de Judi e Ron Barrett – O que você faria se, ao invés de chuva, caísse do céu uma refeição inteira? Ou melhor, três: café da manhã, almoço e jantar. Em Cloudy with a chance of meatballs, o avô dos protagonistas, inspirado por um incidente com as panquecas do café, conta a seus netos uma “história de ninar” um tanto peculiar, sobre uma cidadezinha chamada Chewandswallow (chew and swallow), em que as mudanças no tempo traziam diferentes ingredientes para as refeições de seus moradores. Tudo aqui é pitoresco: da cidade, seus moradores e seu tempo, até as ilustrações, detalhadas, mas coloridas em tons atípicos e coloridos que transportam ao leitor para uma estética cinquentista americana. Ao final, o leitor pode se perguntar sobre o quão fictícia essa história realmente pode ser.



The day the crayons quit, de Drew Daywalt e Oliver Jeffers – Duncan só queria colorir, mas quando abriu sua caixa de gizes de cera para fazê-lo, encontrou apenas cartas dizendo "Não aguentamos mais" e "Estamos em greve!". Pois, em "The days the crayons quit", de Drew Daywalt e Oliver Jeffers (traduzido como "A revolta dos gizes de cera" pela Editora Salamandra), os gizes de Duncan desistem de serem mal utilizados pelo seu dono e simplesmente vão embora, deixando nada mais do que recados para o menino. Ora, com o amarelo e o laranja disputando para ser a cor do sol, o rosa relegado a "cor de menina", o bege sendo erroneamente chamado de "marrom-claro" ou de "amarelo-escuro" e o azul sendo utilizado apenas para pintar a água, seria de se imaginar que buscariam empregos melhores em outro lugar, não é mesmo? Nessa divertida história que dá voz e vez aos gizes de cera, o leitor tem a oportunidade de ler todas as suas cartas endereçadas a Duncan, a partir das quais se constrói a narrativa, bem como ao curioso desfecho encontrado para essa pequena e colorida revolução! Indicado para leitores de todos os tamanhos, inclusive os adultos que acham que cada cor só serve para pintar um tipo de coisa!



The Gruffalo, de Julia Donaldson e Alex Scheffler – Quem não conhece o Grúfalo? Com seus dentes afiados, pústulas e aspecto feroz, a criatura coloca medo em todo mundo. Ao menos, é isso que diz o ratinho que protagoniza essa história quando em face do perigo de ser devorado (mais de uma vez) pelos mais diferentes predadores com quem cruza pela floresta. No seu texto original, The Gruffalo é ainda divertidamente rimado, de modo que suas repetições parecem uma música ou um poeminha bem-humorado sobre essa narrativa que parece quase uma mentira! (Eu disse quase, hein?)



The singing bones, de Shaun Tan – Qualquer livro de Shaun Tan poderia estar nessa lista.  O autor australiano, que é conhecido por dar vida às mais fascinantes e exóticas histórias através de sua escrita perspicaz e de seus desenhos quase surreais, nessa obra em particular, porém, ao invés de criar mundos alternativos, revisita e reinterpreta histórias que são, em muitos casos, velhas conhecidas de todos nós. Em The singing bones, reencontramos madrastas malvadas, irmãos traiçoeiros, raposas espertas e princesas em apuros que habitam o mundo dos contos de fadas compilados por Wilhelm e Jacob Grimm, mas de maneira um tanto inesperada. Shaun Tan seleciona e adapta, desses famosos contos, alguns de seus trechos mais famosos ou assombrados e, a partir deles, cria esculturas incríveis (e por vezes assustadoras também). A releitura imagética é o que há de mais precioso nesse livro: algumas das obras podem até revelar outras possibilidades de se olhar essas velhas histórias, como uma Rapunzel que é a sua própria torre, por exemplo. Não há outra palavra para definir The singing bones que não genial – como tudo que Shaun Tan presenteia o mundo, aliás.






Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis. 

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos
*Agradecimentos à Alcione Pauli

Até onde vão as fronteiras entre a literatura "adulta" e a literatura "infantil"? Há mesmo essas fronteiras quando pensamos em literatura? Por vezes, é certo, elas são mais tênues do que imaginamos, principalmente em um mundo repleto de fluidez como o em que vivemos. É isso que vem corroborar, também, a nossa lista de hoje! Grandes autores de "gente grande" também escreveram obras ditas infantis ou juvenis (embora sirvam para qualquer tamanho de pessoa), e não são poucos: de Mario Vargas Llosa à Gabriel García Marquez, passando por Galeano, Saramago, e também Cortázar e Clarice Lispector. Hoje, apresentamos 10 dessas obras de autores que escreveram para adultos e também para crianças - e com muito primor. 

O lagarto, de José Saramago, com ilustrações de J.S. Borges – Essa é uma história de fadas - quer dizer... embora as fadas não façam uma aparição nela, está bastante claro que o que ocorre aqui só poderia ser obra delas, evidentemente. Nesse que é seu segundo livro infantil (o primeiro foi “A maior flor do mundo”, de 2001), Saramago mais uma vez nos desafia com um conto permeado por nuances sagazes e sutis, dessa vez acompanhando a história de um lagarto gigante que, certo dia, surge em meio a uma cidade para provocar grande alvoroço. Basta dizer que essa inusitada visita tem efeitos todo peculiares - por ação das fadas, não se esqueça - e que vale muito conferir a surpresa que guarda em seu fim. Em 2017, a Fundação José Saramago realizou uma exposição sobre a obra em Portugal, que conta com as ilustrações do xilogravurista brasileiro J.S. Borges, e Adriana Calcanhoto a leu na íntegra em um vídeo que pode ser conferido aqui



Como nasceram as estrelas: doze lendas brasileiras, de Clarice Lispector – Nesta coletânea de 12 lendas brasileiras, Clarice traz uma história para cada mês do ano. Bebendo muito da tradição oral indígena, a autora reúne lendas muito conhecidas do imaginário de crianças (e adultos) brasileiros, como Alvoroço de festa no céu, As aventuras de Malazarte e A perigosa Yara. As ilustrações que abrem cada capítulo ficam por conta de Fernando Lopes. A obra é editado pela Rocco. 



História da ressurreição do papagaio, de Eduardo Galeano, com ilustrações de Antonio Santos – O escritor é uruguaio, mas a lenda aqui contada é brasileira. Galeano, em uma de suas visitas ao Brasil, conheceu essa história através de um cordel cantado sobre o surgimento do belo e curioso animal de penas flamejantes que nomeia esse livro. Com beleza poética própria, seu texto, traduzido por Ferreira Gullar, acompanha um papagaio que, distraído, morre ao cair em uma panela quente. A comoção causada por essa morte é tamanha que o oleiro da comunidade tem uma ideia singular para fazer o animal retornar à vida. Uma história sobre finitude, renovação e recriação, História da ressurreição do papagaio ainda é belamente ilustrada pelas figuras em madeira esculpidas e fotografadas por Antonio Santos, que reforçam a poesia e a brasilidade dessa singela lenda nem tão local assim, afinal.



4 contos, de e.e. cummings, com ilustrações de Guazelli – Conhecido pelo experimentalismo principalmente em seus poemas e em sua marca-registrada (o uso de minúsculas, até mesmo em sua assinatura), e.e. cummings é considerado um dos maiores poetas da modernidade. Sua escrita de vanguarda, porém, não se restringiu ao gênero lírico ou mesmo aos leitores mais adultos. Em 4 contos, o leitor é apresentado a um outro autor: aquele que escreveu histórias para sua filha e neto, publicadas em 1965 nessa que é a sua única obra pensada para crianças. Construído como uma pequena antologia que aborda temas universais, o livro é costurado pelas ilustrações em azul, roxo e rosa de Guazelli, que de alguma forma equilibra as histórias sobre um elfo que se depara com um homem que só sabia perguntar “por que”; um elefante e sua peculiar relação com uma borboleta; uma casa que se apaixonou por um pássaro; e uma menina chamada “Eu” que conhece sua sósia chamada “Você”; todas em o que parece ser um mesmo mundo muito colorido e surreal. 


Discurso do urso, de Julio Cortázar, com ilustrações de Emilio Urberuaga – Você provavelmente esperaria encontrar muitas coisas nos canos de um prédio, mas dificilmente uma delas seria um urso. No entanto, nesse conto de Cortázar, esse é justamente o lugar que o seu protagonista (um urso de pelo marrom avermelhado) gosta de estar e perambular noite e dia. Pela voz do curioso animal, o leitor é levado a um passeio por entre as pequenas aventuras que vive ao compartilhar o cotidiano com os diversos moradores do prédio, fazendo barulhos nos canos e lambendo-lhe as faces no amanhecer. Com simplicidade e muitas cores, as ilustrações de Emilio Urburuaga transpiram o dia-a-dia colorido, embora por vezes solitário, dos inquilinos e do urso que os observa, como em uma crônica sobre as vidas de todos nós (e, ao mesmo tempo, de nenhum de nós).



De repente, nas profundezas do bosque, de Amós Oz - Definida pelo próprio autor como uma fábula para todas as idades, a história que Oz conta aqui tem muito da magia e do mistério dos contos de outrora, na linguagem leve própria desse incrível escritor israelense. Em De repente, nas profundezas do bosque, o leitor é apresentado a uma cidadezinha com uma particularidade muito curiosa: nela não há animais de nenhuma sorte. Nem bichos domésticos ou de fazenda, peixes ou insetos, nem uma ave sequer sobrevoa seus céus cercados por um denso e escuro bosque. Aqueles que alegam a existência dessas criaturas quase míticas são tidos como loucos e mentirosos, mesmo que, vez ou outra, alguns adultos deixem escapar aqui e acolá a lembrança dos latidos, miados e ganidos dos animais que conheceram - o que rapidamente tratam de desmentir, é claro. Nem todas as crianças se satisfazem com as explicações dadas para a inexistência dos bichos, no entanto, e serão elas que finalmente desafiarão os pressupostos de sua aldeia em uma aventura enregelante sobre liberdade, independência e a contestação de verdades absolutas. 



O bicho alfabeto, de Paulo Leminski, com ilustrações de Ziraldo – “O bicho alfabeto tem vinte e três patas, ou quase. Por onde ele passa, nascem palavras e frases. Com frases se fazem asas, palavras, o vento leve. O bicho alfabeto passa, fica o que não se escreve” diz o poema de Leminski que inspira a seleção desta obra. Elaborada como uma pequena antologia do autor curitibano, “O bicho alfabeto” não está ligado à ordem dos 23 caracteres que codificam a linguagem verbal, mas muito mais à brincadeira que o próprio poeta fazia com esses. Reunindo haicais e outros poemas curtos, a beleza das palavras de Paulo Leminski se une às ilustrações sagazes e divertidas de outro mestre em sua arte, e com linhas simples e cores fortes Ziraldo “traduz”, à sua maneira, os dizeres de um saudoso poeta, apresentando-o em toda sua leveza a novos ou velhos leitores. 



O paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe e obras de Nino Cais – O título dessa obra talvez seja familiar a leitores de Valter Hugo Mãe, tendo sido primeiramente escrito como a fala de uma personagem em um outro livro do português: “A desumanização”. Em “O paraíso são os outros”, o autor explora os significados do amor através dos olhos de uma menina - principalmente o amor romântico, que, segundo esse curioso eu-lírico, pode acontecer entre pessoas, elefantes, golfinhos, pinguins, gatos e cachorros (embora esses não namorem com muito juízo, ela bem observa). Com muita poesia, o olhar infantil revela nuances sobre esse sentimento que, por vezes, não se fazem tão evidentes aos adultos, de modo que essa prosa em muito encanta e até diverte. As obras de Nino Cais, que mesclam com fotos antigas de casamentos às imagens de cristais e pedras preciosas, são uma leitura à parte, e que merecem atenção: trazem ainda mais possíveis interpretações para a máxima que intitula essa obra e que a permeia por um todo. 



Cinco histórias do Bruxo do Cosme Velho, de Machado de Assis - Há de se achar que Machado de Assis dispensa apresentações, mas então, como apresentá-lo a jovens leitores? Essa pequena antologia de histórias reúne contos, um poema e uma quase-peça que foram publicados em livros, revistas e jornais durante a vida do escritor carioca e que podem ser porta de entrada para novos amantes da escrita inteligente e afiada dele. Aqui, o leitor encontra “Filosofia de um par de botas”, “História comum”, “Ideia de canário”, “O dicionário” e “Niâni” reunidos e acompanhados por um projeto editorial colorido e jovial, mas com a linguagem de sempre desse que, pela magia de suas palavras, ficou conhecido como o Bruxo do Cosme Velho.



A mãe que chovia, de José Luis Peixoto, com ilustrações de Daniel Silvestre da Silva - Delicada como as gotas que gentilmente batem à janela em um dia cinzento, essa é a história de um menino que é filho da chuva. Ele, porém, não é o único que precisa de sua mãe. Sendo a chuva tão necessária em toda parte, precisa vê-la se afastar, ficar muito tempo em sua ausência, sem nunca realmente poder estar junto a ela. Por vezes em torrente, por vezes num pinga-pinga tranquilo, em uma singela prosa poética, José Luís Peixoto fala dessa peculiar relação entre mãe e filho, mas também de sentimentos que não são nada incomuns à condição humana. As ilustrações de Daniel Silvestre da Silva, por sua vez, dialogam com as palavras de Peixoto, e com traços suaves e cores terrosas fazem conhecer mais sobre o mundo íntimo e por vezes tão grande dos personagens dessa história.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos
Agradecimentos especiais à Alcione Pauli

Chegou a época de presentes, celebrações, agradecimentos e... literatura! Nesta 2ª edição do nosso especial de Natal, selecionamos 7 obras sobre as festividades natalinas e seus mais diversos personagens. Entre contos, livros infantis e poemas, confiram abaixo as leituras natalinas recomendadas neste ano! 

A árvore de Natal na Casa de Cristo, de Fiódor Dostoiévski – Este conto de Natal de Dostoiévski, encontrado em antologias como “Os melhores contos de Dostoiévski”, do antigo Círculo do Livro, narra a história de um menino de rua vivendo em uma fria Rússia durante a noite de Natal. Cheio de reflexões sobre religião, desigualdade social e crenças, o autor entrega um conto muito sensível para repensar o verdadeiro sentido da celebração natalina. 

Como o Grinch roubou o Natal, de Dr. Seuss – “Todos os Quem no vale da Vila-Quem gostavam do Natal a valer… Mas o Grinch, que vivia a norte da Vila-Quem, nem o podia ver!” Assim começa a divertida história do Grinch e de como ele roubou o Natal. A narrativa de Dr. Seuss, cheia de rimas, envolve o leitor, que se vê seduzido pelas peripécias da pequena criatura verde. O livro ainda conta com as belíssimas ilustrações do próprio autor. A icônica história do Grinch deu origem a várias adaptações, entre elas o famoso filme de 2000 com Jim Carey.

A missa do galo, de Machado de Assis – Este típico conto machadiano narra a véspera da Missa do Galo, tradicional celebração cristã que acontece na meia-noite do dia 24. Nele, o narrador-personagem Nogueira tem uma longa conversa com Conceição, esposa traída em plena véspera de Natal. Em uma narrativa cheia de ambiguidades e memórias, Machado traz um pouco do espírito natalino em uma história repleta de reflexões.



O presente dos magos, de O. Henry, com ilustrações de Odilon Moraes – Embora por vezes nos esqueçamos, a tradição de presentar uns aos outros no Natal começou com os três reis magos em sua visita ao menino Jesus. Desde então, coloca o narrador desse conto natalino, poucos o fizeram com igual sabedoria. Della e Jim, protagonistas d’O presente dos magos, apesar da juventude, talvez possam tê-lo feito, no entanto. Essa história, já indicada no ano passado, ganhou ainda mais facetas e possíveis leituras através das aquarelas de Odilon Moraes nessa edição especial da antiga editora Cosac Naify, que através das lentes de sépia lançadas pelo ilustrador, acompanham essa singela história natalina.



Olivia ajuda no Natal, de Ian Falconer – Olivia retorna, dessa vez para uma aventura natalina! A consagrada personagem de Falconer, famosa por suas peripécias em outras obras que protagoniza, não poderia deixar de marcar uma data tão importante quanto o Natal, não é? Aqui, o leitor acompanha Olivia nas vésperas de uma das noites mais aguardadas do ano, mal podendo conter sua ansiedade em receber a visita do Papai Noel. Com humor que lhe é característico, mesmo que por vezes não intencional, a porquinha faz de tudo para que essa ocasião seja tratada com a devida importância, ajudando na decoração da árvore e até no preparo da ceia, e proibindo os pais de acender a lareira (ninguém vai querer queimar o traseiro de São Nicolau, certo?). Seus feitos facilmente arrancam risadas dos leitores, e as surpresas reveladas pelas abas que se abrem para trazer novos desdobramentos à trama fazem ainda mais especial essa história de Natal! 














A pequena luz, de José Jorge Letria, com ilustrações de Lelis – Em meio a tantos conflitos religiosos e esquecimento do verdadeiro significado do Natal, esta história de Letria vem para nos lembrar de contemplar a esperança e a fé em sua forma mais pura. A narrativa acompanha a pequena luz, que de pequena só tem o nome. Ela viaja o mundo todo, para lembrar que não é “preciso de templos, de rezas, de promessas ou de sacrifícios”, pois ela está em todo lugar que há esperança. A história ganha ainda mais delicadeza com as ilustrações de Lelis, em uma edição de 2008 da editora Paulinas. 



Um hino de Natal, de Charles Dickens, tradução de Cecília Meireles e ilustrações de Lelis – “A Christmas Carol” também foi outra leitura recomendada em nossa lista do ano passado, sob sua tradução mais comum: “Um conto de Natal”. Tornamos a recordá-la porque, dessa vez, estamos diante de uma versão do texto feita por ninguém menos que Cecília Meireles, e ilustrada por Lelis, que dão um diferente tom a essa clássica história de Natal. Pois, nessa edição de 2012 da Editora Global, encontramos no conto de Dickens mais das nuances poéticas da narrativa sobre o velho e avarento Scrooge, que se vê visitado por quatro espíritos: o de seu amigo Marley, que tenta salva-lo de um destino cruel, e dos espíritos do Natal de seu passado, presente e futuro. Somos também mais uma vez lembrados do que pode significar o Natal, e o que pode vir a ser o “espírito natalino”, com grande beleza tanto no texto verbal quanto no visual.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
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