Os tantos mundos que compõem a Emília é a visão da Sarah nesta montagem.
_ _ _ _ _ 

Com esta postagem, encerramos a sequência que compôs os vários retratos de Emília, produzidos pelos alunos do 2° ano do Curso de Letras Licenciatura. Todas as produções podem ser vistas no marcador "Retratos de Emília".

Natália colocou Emília dominando o mundo. Diga-se melhor: os mundos. o nosso e o dela!
Ela nem era bonita, veio de um pedaço de feltro velho e ao costurá-la errei as medidas, deixando a pequenina toda torta. Mamãe me ajudou a confeccioná-la, disse ao ver a cabeça: “Está desproporcional ao corpo!” e precisei degolar a pobre e construir uma nova cabeça. Seu enchimento foi retirado de uma almofada velha da vovó, possuía uns remendos, mas era agradável de olhar.



Seu nome era Emília, mas não é por acaso, é quase que herdado. Vovó se chama Emília, eu Emiliana e a minha querida boneca recebeu o nome em homenagem à matriarca da família.



No início não trocávamos uma só palavra, deixei-a de enfeite em minha cama. Em uma tarde, enquanto navegava na internet, encontrei um novo método, o tal consistia em inserir um chip em objetos mudos por natureza para que os mesmos desatassem a falar e pensei: “Ora! Por que não?” Encomendei-o sem pensar duas vezes. Com a ajuda de agulha e tesoura, inseri o pequeno chip na cabeça da bonequinha de pano; no momento não surtiu efeitos, porém, passadas algumas horas, a tal desembestou-se a falar e nada a continha. Eu fechei sua boca, mas ainda era possível ouvir sussurros. A “danada” me repreendeu por demorar tanto para lhe liberar o dom da fala e disse não me perdoar se voltasse a lhe conter.



Deste dia em diante a mocinha não parou mais. Me acompanha aonde vou, sempre tagarelando e falando suas “asneirices”, procurando mudar o mundo com suas pequenas mãos de retalhos velhos e observando o tempo todo com aqueles olhos de botões o que nós, com olhos humanos, não podemos ver.


Retalho, retalho meu, é possível retratar alguém como a Emília tão bem quanto fez a Eloísa?
Como seria a Emília hoje?

Uma mulher já resolvida?

Uma adolescente chata e cheia de manias?

Uma menina obscura? Com seus conflitos e desilusões?

Uma mulher frágil? E ao mesmo tempo forte?

Uma jovem universitária? Capaz de lutar pelo seus ideais?

Uma esposa dedicada à família com sua sabedoria conseguiria dominar qualquer situação?

A Emília de hoje se enquadra em qualquer mulher; da mais criança até a mais idosa.

Todos, até os homens não escapam dessa minuciosa personalidade.

Eu digo que a Emília de hoje é a mistura de cada um de nós. Cada um com seus sonhos, mas todos em busca de um só ideal: SER FELIZ!
_ _ _ _ _
Emília, comentada pela acadêmica Karina.

O móbile da Amanda reflete toda a mobilidade e a movimentação Emiliana, além de – claro – mostrar as inúmeras facetas da qual se compõe a nossa personagem. 
Minha Emília diz:

E você?

Vai aceitar convenções ridículas, simplesmente porque lhe disseram ser o certo?


Vai fingir ser educado quando você tem vontade mesmo é de “soltar o verbo”?


Vai respeitar pessoas bem vestidas e ricas e vai pisar nos pobres e maltrapilhos?


E você?


Vai participar desse jogo de interesses?


Vai ser falso e mesquinho para subir de cargo no seu trabalho, como um rato imundo rastejando e comendo os restos que te deixarem?


Vai pisar na cabeça de outros, esmagar seus miolos até ouvir o último suspiro?


E você?


Vai bater palmas para a impunidade, mediocridade, insanidade e incapacidade?


Vai fechar os olhos quando isto lhe convém?


E você? E você? E você?


Vai concordar com tudo sem questionar, porque já tem coisas demais para fazer?


Vai mentir sua idade, fazer plástica, mudar o visual só para estar na moda?


Vai gritar chorar por algum famoso, porque todos o acham perfeito?


Vai colocar o trabalho à frente de sua família?


Bom, quanto a isso acredito que você pode fazê-lo, mas por pouco tempo.


O tempo necessário para você perceber que as pessoas que você ama não são imortais, e quando estas faltarem, nada os substitui, nem mesmo sua brilhante carreira...


Então?


Vamos continuar a nos autodestruir?


Vamos continuar a olhar para o nosso próprio umbigo?


Vamos simplesmente pensar em nosso bem e esquecermos do bem comum?


Será que vamos continuar a mascarar-nos na nossa ignorância nojenta e mórbida?


Será?
_ _ _ _ _ 
Isabele Buss Meurer fala pela boneca Emília.
Tecnologia do Blogger.