Luís Camargo
(Correspondente Nacional do PROLIJ)

Esta obra apresenta as biografias de três dos maiores artistas brasileiros do período colonial: o arquiteto e escultor Aleijadinho (1730-1814), o arquiteto e urbanista Mestre Valentim (1745-1813) e o compositor padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830).
Além do período histórico, os três compartilham a mestiçagem: são filhos de portugueses com mulheres negras, africanas, escravas. Os “anjos mulatos” do título sinalizam tanto o elevado valor artístico desses artistas como a presença da cultura africana no Brasil. Trata-se, assim, de uma contribuição inestimável para a implementação da lei 10.639, de 2003, que determina a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio.
Cada biografia apresenta, resumidamente, o contexto histórico, social e cultural em que cada artista viveu, os fatos mais importantes de sua vida e um panorama da produção artística de cada um. Tudo baseado nos principais pesquisadores e especialistas em cada artista, como se pode comprovar pela bibliografia.
O ponto alto do livro, no entanto, são as três pranchas que ilustram cada uma das três biografias. Rui de Oliveira é um dos nossos maiores ilustradores, reconhecido e premiado internacionalmente. Ensaísta (autor de Pelos Jardins Boboli: reflexões sobre a arte de ilustrar livros para crianças e jovens) e professor universitário, é obcecado pela exatidão visual, como o processo de trabalho, mostrado ao final do livro, pode demonstrar. As ilustrações encantam pela verossimilhança. Além disso, Rui escolheu enquadramentos que fazem o observador se sentir participante das cenas.
A observação atenta das pranchas revela outros aspectos: os gestos e olhares dos personagens expressam sentimentos, atitudes, intenções. Por isso, além de uma belíssima introdução à arte brasileira colonial, este livro é também uma introdução à alma humana.
Dirigido ao público adolescente, Três anjos mulatos do Brasil fisga a curiosidade do jovem leitor, levando-o a um patamar mais elevado de conhecimento histórico e apreciação estética. É um convite aos leitores de todas as idades a “salvaguardar os princípios da diversidade e da tolerância cultural e racial.”

FICHA TÉCNICA:


Obra: Três anjos mulatos do Brasil
Autor: Rui de Oliveira
Editora: FTD

        Na manhã do dia 21, sábado, no palco principal da 9ª Feira do Livro de Joinville, os três autores, Cleber Fabiano de Silva, Sonia Regina Reis Pegoretti e Sueli de Souza Cagneti, fizeram mais um lançamento, com contribuições dos demais prolijianos, do segundo livro de resenhas do Prolij, este com a temática africana e afro-brasileira. 
 

        No stand da  Prefeitura, o Livro dos Livros Resenhas do Prolij v.2 - Literatura Africana e Afro-Brasileira estava à venda por R$25,00, além de receberem autógrafos dos escritores. Também as escolas municipais receberam cada uma gratuitamente um exemplar do livro, devido ao apoio das Bibliotecas Públicas.

  

        Os livros (volume 1 e 2) podem ser adquiridos no Prolij (Biblioteca Central da Univille, piso térreo), horário de funcionamento: 8h - 12h e 14h30min - 18h30min (de segunda a sexta-feira).Contato: (47) 3461-9059 / prolij@univille.br.
        Nesta última noite do VII Abril Mundo 2012, recebemos a professora  de História da África da USP, graduada em Ciências Políticas, mestre em História da Cultura, pela PUC/SP, e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense/RJ, especialista na área de cultura africana e afro-brasileira, Marina de Mello e Souza, com a palestra A construção de memórias e identidades afro-brasileiras, que será mediada pelo professor Silvio Leandro da Silva, graduado em História e mestrando em Patrimônio Cultural Sociedade pela Univille.
      
        Veja ideias e citações desta palestra:

        A palestra foi pensada na ideia de que é importante conhecer os povos africanos, pois a África é muito mais que um continente. Deve-se estudar de onde vieram e o que viveram antes da escravidão para falar, escrever ou analisar as produções a respeito destes povos. Ou seja, para Marina de Mello e Souza "a história é a base".

      Sobre maneiras de organização dos povos, a historiadora ressalta: a importância da família, o poder centralizado estruturado, o mundo visível (nós) e o invisível (ancestrais) - para compreensão da vida, sempre interligados -, e por muito tempo ágrafas, eis a importância dos contadores dos mitos (decorados) que Reginaldo Prandi falava na quarta-feira. 

        O tráfico de escravos acontecia com estrangeiros, sem direitos civis na sociedade onde é incorporado, é uma propriedade do senhor (branco), muitas vezes afastados dos membros de sua família... Ou seja, o que alguns escritores chamam de "morte social".  

        "A gente não pode falar de 'África', não pode falar de 'negro', é preciso ter um olhar mais especificado". Afinal, são muitos povos e se tratando da sociedade escravocrata são diversificados, dependendo da aldeia de origem, experiências, língua, costumes, relação 'econômica' com o senhor, trabalhos realizados, etc.

        Na sociedade escravocrata, o negro é visto como escravo, mesmo que nascido livre, sempre será visto como suspeito (será um escravo fugido?). 

        Sobre a construção de identidade, "o sujeito pode vir nu", mas mesmo que tenha 10 anos de idade já terá uma bagagem cultural da sua aldeia. "Não existe, no meu entender, uma transposição pura da cultura africana." Chegando ao Brasil torna-se cultura "afro-brasileira", inclusive com a influência indígena, não apenas do branco. Há um processo de "desafricanização" destes povos, especialmente naqueles que ganham um espaço na casa do branco, como as amas de leite, ficam quase "sinhazinhas" negras. 

        Os ritos são reconstruídos, pois a natureza é outra, os espíritos desta natureza mudam, além das muitas influências culturais (africanos de aldeias diferentes e indígenas). Bem como outros elementos culturais, como as danças, as músicas e as rezas. 

        O tambor é tipicamente um instrumento que abre a relação entre mundo visível e invisível, tem todo um ritual para tocar, muitas vezes só permitido a alguns. 

        Esses rituais são permitidos pelos senhores numa ideia de que "ficarão mais calmos e trabalharão melhor". O branco escravista se recusa a conhecer o negro, sua cultura, seus hábitos, enquanto o escravo sabe tudo o que acontece com seus senhores.


 
        Sobre o candomblé, ela explica que como acontece no Brasil é tipicamente brasileira, embora mantenha muito próxima às religiões africanas. A palestrante explica que a história é dinâmica, sofre transformações todo o tempo. Ela sugere o documentário "Mensageiro entre dois mundos". 
        
        Por fim, pode-se concluir que a memória africana é parte constitutiva de cada brasileiro. A historiadora ainda diz que a identificação "afro-descendente", vista de forma positiva, é momentânea, logo seremos todos BRASILEIROS. 


        O evento termina, a reflexão continua...
     Agradecemos a todos os palestrantes, convidados e participantes. E convidamos a todos para o lançamento do Livro dos Livros Resenhas do Prolij v. 2 - Literatura Africana e Afro-Brasileira, amanhã (dia 21) às 10h30 no palco principal da Feira do Livro de Joinville. 

          
        Último dia do VII Abril Mundo 2012, com aquele gostinho de "quero mais". A tarde de oficinas, como muitos previam, foi um sucesso. Dos que vieram por admirar o Professor Cleber, passando pelos que queriam aprender mais com o Professor Dr. Prandi, àqueles que tinham sede de conhecimento em africanidades, todos caminharam na desconstrução/construção.





        Ainda hoje, teremos a palestra A construção das memórias e identidades afro-brasileira com a Professora Dra Marina Mello e Souza, às 19h, no Auditório da Univille.
        Nesta noite de 19 de abril, a programação do VII Abril Mundo 2012 teve início com duas apresentações  do grupo de danças urbanas Maniacs Crew. Porque somos MULTI! Aprendemos com todas as artes...


        Na sequência, a professora Sueli de Souza Cagneti agradeceu a presença de todos, muito especialmente ao Professor Paulo Borges, diretor fundador da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular, e à Alaíde Costa, da  Associação de Caridade e Culto Afro Abassá de Inkisse Nzazi. 




        Então, deu-se início a palestra Arte com balangandãs e muiraquitãs com Maurício Negro, ilustrador, escritor e designer gráfico, que possui mais de cem livros ilustrados e participou de diversas exposições e catálogos no Brasil, Argentina, México, Itália, Alemanha, Eslováquia, Coréia e Japão.




        Veja algumas ideias e citações desta palestra: 
        
        Sobre a busca por um recorte apurado da "arte brasileira", Negro diz "Tudo é brasileiro! A gente é antropofágico."


        O palestrante justificou o título explicando que balangandãs são pulseiras cheias de pingentes, uma espécie de amuleto que as baianas levavam como bracelete de sorte, e muiraquitãs são figuras esculpidas em pedras da Amazônia, ou seja, palavras representativas das duas culturas as quais ele mais se dedica (africana e indígena). Inclusive tendo um projeto editorial chamado Muiraquitãs, deseja ainda ter um com nome de Balangadãs.

        Maurício Negro ainda apresentou uma seleção de deslumbrantes imagens suas ao som de "Samba da bênção", de Vinícius de Moraes, e de "Batuque na cozinha", de Martinho da Vila.  

        Antes da sessão de perguntas, o mestre de cerimônia, Cleber Fabiano da Silva, agradeceu publicamente a artista plástica e prolijiana Maria Lúcia Costa Rodrigues pela arte do evento e toda a decoração. 


        Maurício diz que gosta de dar chance ao acaso, que na sua arte permite experimentações, embora tenha revelado que estuda muito o tema de um livro até começar a ilustrá-lo.


        Agradecemos a presença de todos, e gostaríamos de lembrar que amanhã à tarde as oficinas serão nas salas de aula do piso superior do BLOCO A da Univille. 

        Com literárias e instigantes leituras, os autores Cleber Fabiano da Silva, Sueli de Souza Cagneti e Sonia Regina Reis Pegoretti, fizeram o lançamento do Livro dos Livros Resenhas do Prolij v.2 - Literatura Africana e Afro-Brasileira.


        O público interagiu pegando sortes do livro "Sortes de Villamor", de Nilma Lacerda, um dos livros resenhados neste segundo volume.


        Os livros estarão à venda em todo o evento, também na 9ª Feira do Livro no Lançamento neste sábado (10h30 no palco principal) e posteriormente no PROLIJ (Biblioteca Central da Univille).

Valor: R$25,00
Contato: (47) 3461-9059 / prolij@univille.br

       
        Organizadas em dois anfiteatros as comunicações levantaram diversas questões acerca das africanidades.

        No intervalo, presentearam-nos com sua música o grupo Joinville Bate Lata.


        Agradecemos os pesquisadores que compartilharam seus estudos nesta tarde do dia 19 de abril e os ouvintes que abriram este espaço em suas agendas, e mentes, para trocarem informações.
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