Por Sonia Regina Reis Pegoretti

A escritora e ilustradora Carolina Cunha traz ao leitor a fábula afro-brasileira Mestre gato e comadre onça (SM, 2011) recontada a partir de cantigas de capoeira. A história fala de um gato muito astuto e disfarçado que era mestre de capoeira e convidava outros animais a aprenderem essa arte. Os bichos da floresta a princípio ficaram meio ressabiados, mas depois aderiram às aulas do bichano com muita dedicação.
Num belo dia, uma onça pintada muito dissimulada aparece para fazer umas aulinhas e se diplomar na capoeira, provocando aquele alvoroço na floresta. Mestre gato aceitará essa aluna com fama de esfomeada? Onde será que essa história vai terminar?
Na ilustração aparecem vários animais da fauna brasileira. O livro recebeu da FNLIJ em 2012 o selo de altamente recomendável na categoria reconto e vem acompanhado de um CD com 60 canções de capoeira, gravadas pelas crianças dos grupos Nzinga, Espaço Cultural Pierre Verger e Projeto Pequenos do João, que vão completar a diversão da garotada e quem sabe, provocar curiosidade sobre essa luta-dança deixada de herança para nós.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Mestre gato e comadre onça
Autora e ilustradora: Carolina Cunha
Editora: SM
Ano: 2011
        Mais uma vez o Prolij apoia e marca presença no Seminário Jardim Poético da Educação, neste ano com uma perfomance em comemoração aos nossos 15 anos!
        Confira a programação completa (clique na imagem para ampliar):


Inscrições pelo e-mail: bpmunicipal@yahoo.com.br. Deve ser colocado como assunto o nome do evento (III Seminário Jardim Poético da Educação) e no corpo do texto informar nome completo, telefones de contato e instituição que representa.
Mais informações: 3422 7000 | http://bibliotecapublicajlle.blogspot.com.br/
Por Sueli de Souza Cagneti

- Gaúcho... gaúcho... - que queria dizer: gente que canta triste. E todos se sentaram e ficaram ouvindo, esquecendo do ódio, da vingança e do sacrifício. (...) nas largas noites ao pé do fogo com o chimarrão e a viola, ao ouvir-se a voz do homem do Sul cantando de amor e de saudade, ouve-se também um murmúrio longínquo, os garbosos fantasmas da tribo Minuano, passando entre nuvens e chamando dolorosamente: “gaúcho...gaúcho...”
Walmir Ayala

         A décima edição de Moça Lua e outras lendas de Walmir Ayala é mágica, provocante e é um presente para este tempo. Publicada sucessivamente desde 1974 o livro ganha agora imagens de Simone Matias.
         A obra contém dezenove lendas. Todas contadas com uma linguagem que - para quem gosta de compartilhar leituras -, dá vontade de saltar a leitura dos olhos e passar para leitura sonora. Fica uma sensação de que não basta ler sozinho, e ao ler na solidão há uma força que nos leva a sentir a fogueira chamuscando e o contador de histórias apresentando como a lua apareceu no céu, como surge o dia, a história da estrela Vésper, como o milho nasceu, as loucuras provocadas pelo amor ardente, porque o urubu come carniça, como surge o gaúcho, o que é a felicidade e onde ela se encontra...
         Como surge a lua? Uma das milhares possibilidades de explicação de como a lua tenha surgido é narrada na primeira lenda que dá o título para o livro. Em Moça Lua, há uma índia que “saia na escuridão e voltava com os cabelos cobertos de vaga-lume, e andava na beira do rio e todos ficavam tranquilos porque ela contava que não havia perigo”. Moça Lua mora na noite e para seu povo o cipó, a for-de-manacá e uma coruja é que fizeram dela lua, para que todos nós pudéssemos sonhar.
         Os mistérios narrados por Walmir são lendas, mitos e fábulas todas entrelaçados pela poesia. As histórias contêm um fio condutor, como acontece na história das “Mil e Uma Noites”. Ao terminar uma lenda, há uma pista para o surgimento de um mito, e no final do mito há linhas da próxima fábula.
         Uma obra que permanece viva, pois fala da natureza humana e da beleza do mundo. Um livro que poderia estar nas bibliotecas escolares, universitárias, públicas e nas casas. Brindando a energia do poder das fogueiras hoje acendidas no virar das páginas de livros que primam por momentos de experiências que nos transportam no tempo e no espaço e que nos lembram da fantástica magia da sermos humanos.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Moça Lua e outras lendas
Autor: Walmir Ayala
Ilustradora: Simone Matias
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012
  O PROLIJ é feito de contar e ouvir, ensinar e aprender... 

        Nas fotos, os prolijianos em sua viagem de estudos, contando e ouvindo histórias numa comunidade quilombola do Alagoas.



Há exatos 15 anos, um projeto de pesquisa da Profª Dra Sueli de Souza Cagneti com alunos do curso de Letras, intitulado “Levantamento de critérios para seleção de textos para crianças e jovens”, superava as expectativas e se institucionalizava como Programa de Literatura Infantil Juvenil. Um grande passo para a Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, para a própria cidade e um fomento para esta literatura que por tanto tempo foi marginalizada em nosso país e a qual hoje tem reconhecimento mundial.
Estruturado nos três pilares da Universidade: ensino, pesquisa e extensão; de 1997 até hoje, foram muitas horas de pesquisa, de atuação em escolas, praças, museus, bibliotecas, e contato direto com os professores e alunos de Joinville e região. Mais que produzir e refletir conhecimentos, o PROLIJ se empenha em transmitir, discutir e aprender em todos os cantos do Brasil e do mundo por onde passa. É formado por pesquisadores sérios que se dedicam diariamente em suas profissões e em seu trabalho voluntário junto ao Programa para contribuir social e culturalmente na promoção, crítica e circulação da Literatura Infantil Juvenil.
Ter-se tornado um centro de referência regional, conseguir repetidamente apoio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura na publicação de seus livros e na organização do já tradicional Abril Mundo, além dos convites a participar de congressos no México, Irã, Portugal, Itália, Índia e China, são apenas consequências deste amor e desta prestatividade de um grupo – aliás, uma família – que não mede esforços para aprender e compartilhar sempre mais.

Ana Paula Kinas Tavares

Prolijianos na Gameleira Sagrada no Parque Quilombo dos Palmares.
P.S.: Para festejar os 15 anos, os pesquisadores fizeram uma viagem de estudos ao Quilombo dos Palmares, em União de Palmares/AL, consolidando a pesquisa de Africanidades. Confira mais nos próximos dias.


Por Cleber Fabiano da Silva e Sueli de Souza Cagneti
         
         Na imensidão da Amazônia, em melodiosa orquestração de palavras, surge uma história carregada de mitos, mistérios e magia. Em A Flauta Mágica, de Roberto Lanznaster, editora KroArt, a esperança em relação ao futuro chega-nos através de um revisitamento da famosa e homônima ópera de Mozart, ambientado em uma aldeia indígena.
         O jovem guerreiro Apoena recebe da Rainha Lua uma ordem: resgatar sua filha Atiara, capturada pelo Sol. Para essa importante missão, deve partir para onde o grande rio Amazonas encontra-se com o mar e chegar até a Ilha do Sol. O caminho, no entanto, é cheio de perigos e dificuldades. Para protegê-lo recebe de presente uma flauta mágica “feita com um pedaço da Árvore da Vida, pelas mãos do próprio Tupã, que criou tudo o que podemos ver e aquilo que é invisível aos nossos olhos” (p. 38). Em sua trajetória será acompanhado de Paniwí, criatura encantada, meio-homem, meio-pássaro.
         Atiara tem olhos antigos, Apoena enxerga longe, além das aparências. Nesse encontro com a criação do mundo, suas origens e a constituição da própria vida brota a ancestralidade e uma intrínseca relação com a natureza. Enigmas, luzes, trevas recriadas a partir da mitologia indígena com seres encantados e cativantes. Afinal, “se ouvirmos com atenção na corrente de um rio, no sopro do vento, no estalo do fogo ou no murmúrio da terra, nós escutaremos a música encantada da Flauta Mágica. Basta fecharmos os olhos e procurarmos no lugar onde deixamos nossos desejos” (p. 118).

FICHA TÉCNICA:

Obra: A Flauta Mágica
Autor e ilustrador: Roberto Lanznaster
Editora: KeoArt
Ano: 2005

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