Conferência de encerramento da pesquisa de pós doutorado de Sueli Cagneti, nomeada: "Era uma vez uma bonequinha de pano X  C’era una volta un re: de bonecos falantes a seres conscientes” - Perúgia - Itália - 2006
        Lembram o lançamento do primeiro livro infantojuvenil, O Desaparecimento da Estátua,  de nossa conhecida e querida Luísa Antunes Paolinelli, da Ilha da Madeira (Portugal)? Reveja nosso post aqui. Nossa coordenadora nos presenteia com sua resenha desta misteriosa história:: 


Por Sueli de Souza Cagneti

Uma estátua desaparece, mas Piri-Piri, a galinha madeirense, é a líder do trio de detetives formado por ela e suas amigas Pimentão (a intelectual pesquisadora) e Noz Moscada (a mais piruete das galinhas peruas) que, claro, vão desvendar o mistério. Aliás, que mistério! Cheio dos nós, aventuras, bicadas e bicões. E tudo numa linguagem irônica, por vezes galinácea, recheada de insinuações hilárias à inserção nossa de cada dia ao “sofisticamento” do nosso falar, seja ele português de cá ou d’além mar, de palavras e expressões inglesas.
Luísa Antunes Paolinelli promete no campo da literatura para crianças e jovens, ao estrear nessa novela policial, onde não faltam ingredientes para boas gargalhadas e interessantes descobertas. Na linha das fábulas é – através do comportamento dos personagens animais – que ela nos vai descortinando nossas falhas, ambições e sentimentos maiores e menores também. E como toda boa história esta acaba – no meio da trama policialesca – com o aparecimento do príncipe sonhado por toda galinha que se preze, ao configurar o mundo feminino.
Ele é – quem sabe – uma homenagem ao 2013 – ano Brasil\Portugal - um tucano brasileiro a chamar pela beleza e pelo amor, não pelas areias de Ipanema, mas pela bela Ilha da Madeira, através da Música de Vinícius de Moraes: “olha que coisa mais linda, mas cheia de graça”. E, lógico, Piri-Piri não sendo somente trabalho, após o mistério desvendado, cede à sedução brejeira do jornalista brasileiro que chega chamando-a de “gátchinha” e consolidando, mais uma vez, o encontro simpático entre brasileiros e portugueses. Como está sendo aqui o encontro da escritora portuguesa com seus já cativos leitores brasileiros.

FICHA TÉCNICA:

Obra: O desaparecimento da estátua
Autora: Luisa Antunes Paolinelli
Editora: Editora O Liberal
Ano: 2012


Festa de 10 anos do PROLIJ - 2007


Prolijiana Áurea em apresentação no Congresso Internacional de Literatura infantil - Presidente Prudente (SP) - 2004 



Por Áurea Cármen Rocha Lira e Sueli de Souza Cagneti



Muitas luas atrás, foi em uma fonte – símbolo da beleza da mulher, em um olho d’água, que um casal do povo indígena Maraguá percebeu que não mais se separaria. Através dessa bela relação entre tais jovens, Maykanã e Yãni, vão sendo apresentados costumes e rituais do povo Maraguá, do Baixo Amazonas. É de lá também o autor dessa história, o indígena Roni Wasiry Guará, o qual a intitulou de Olho d’água: o caminho dos sonhos, texto vencedor do “8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas”, ao qual faz jus.                    

Ilustrado por Walther Moreira Santos com simbólicas imagens especialmente em aquarela e lápis de cor, o texto virou livro pela Autêntica em 2012 para que mais pessoas tivessem acesso a ele, louvável atitude em um país que ainda precisa firmar suas raízes. E é dessa base que o livro é “transbordante”: mostra-nos o Maraguá e seu respeito pela Mãe Terra e todo ser que nela habite, o plantar que é sua forma de dar e receber, os agradecimentos e festas comemorativas pela fartura na agricultura e pesca, o respeito ao mais velho – fonte de sabedoria, as palavras como magia para transformar corações, os rituais entre os diversos estágios da vida, enfim, a vida – espaço ilimitado e o elo que liga todos nessa grande teia.

Com uma linguagem encantadoramente simples e profunda, é livro para cutucar nossa sociedade individualista, alicerçada em tantos desejos irrelevantes e vaidades vãs, que são, em última instância, profanações do próprio ser. Nessa contramão, ficam da obra grandes ensinamentos, como o exemplo do Sol que ilumina sem fazer distinção e a esperança de viver as tradições como forma de união neste imenso círculo que é a vida.



FICHA TÉCNICA:



Obra: Olho d’água: o caminho dos sonhos

Autor: Roni Wasiry Guará

Ilustrações: Walther Moreira Santos

Editora: Autentica

Ano: 2012




                                     Por Sueli de Souza Cagneti



Diz a neurocientista Susan Grenfield[1] que “O ser humano sempre ouviu histórias e preservou a memória. Agora tudo não passa de ação e reação.” (VEJA, 09/01/13, p.15). Sua discussão, naturalmente, passa pelo abandono – atualmente - das narrativas que vem sendo substituídas pelos dispositivos interativos (smartphones, tablets, computadores) que – ao não convocarem a memória - provocam alienação crescente.

Felizmente numa linha contrária, a literatura brasileira, especialmente a voltada para jovens e crianças, tem colocado em livros contos, lendas e mitos preservados pela oralidade, quer dos povos indígenas, quer dos povos africanos e seus descendentes, que povoaram e continuam povoando o imaginário brasileiro.

Dentre esses recolhedores e transmissores encontra-se Cristino Wapichana, natural de Roraima, cujo trabalho maior tem sido a revitalização e o resgate cultural wapichana. Entre seus livros encontra-se A onça e o fogo. Nele encontramos a história da grande luta entre a onça e o fogo, em tempos em que os animais falavam e que a onça andava ainda sobre duas patas e era totalmente branca, possuindo grandes e afiadíssimas garras.

Após provocar vários animais para um embate, querendo exibir sua força, resolveu desafiar o fogo. Acaba assim por ter o corpo todo coberto de manchas de queimadura e ter seus dedos e garras encolhidos, preservando até hoje a transformação ocorrida.

Estamos, portanto, diante de mais um belo texto registrado por um indígena, baseado no patrimônio cultural de seu povo que a oralidade foi passando de geração a geração. Um bom jeito de voltarmos às narrativas que miticamente nos dão pistas de como as coisas surgiram e ou foram se transformando, num procedimento muito típico das culturas ancestrais, ora recolhidas, como o quer Cristino Wapichana. E, acredito, que nós também.



FICHA TÉCNICA:



Obra: A onça e o fogo

Autor: Cristino Wapichana

Editora: Amarilys

Ano: 2009






[1]Professora da Universidade de Oxford, pesquisadora em doenças degenerativas do cérebro.


2006 - Chegada de Emília e Pinóquio (performance dos prolijianos Alcione e Cleber) na Università per Stranieri de Perugia- Itália
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