Nossa coordenadora Sueli com professoras iranianas que participavam do workshop por ela ministrado no Congresso de Literatura Infantil e Juvenil - Irã - 2007


  
Por Áurea Cármen Rocha Lira

É de estranhar que uma tartaruga – figura lenta e aparentemente tão segura de si – possa se meter em várias aventuras e trapalhadas, mas se a chamamos de Torty, então tudo se explica. Ela é a protagonista das fábulas apresentadas pelo nigeriano Sunday Ikechukwu Nkeechi, mais conhecido como Sunny, em As aventuras de Torty, a tartaruga, publicação da Editora Paulinas em 2012. São tantas as enrascadas desse pobre animal, que página a página o leitor começa a imaginar o que sucederá cada episódio lido, como a queimadura que deixou Torty sem pelos e com pele enrugada, ou aquela que querendo lograr os outros bichos passou a vítima de suas artimanhas, para não contar da sua grande esperteza que lhe custou sete dias de reclusão cheirando as próprias fezes ou do segredo que endureceu sua língua. Mas cuidado, leitor: não deixe sua atenção refém das várias confusões criadas, pois na companhia de tal protagonista, isso é, no mínimo, desconfiável.
A presença de animais de planícies e florestas africanas em tempos antigos e reinos distantes completa o enredo, assim com o traço de Mauricio Negro, inspirado nessa obra no país de Sunny, cria imagens que não se esgotam nas folhas que repousam.

FICHA TÉCNICA:

Obra: As aventuras de Torty, a tartaruga
Autor: Sunny
Ilustrações: Mauricio Negro
Editora: Paulinas
Ano: 2012

Conferência de encerramento da pesquisa de pós doutorado de Sueli Cagneti, nomeada: "Era uma vez uma bonequinha de pano X  C’era una volta un re: de bonecos falantes a seres conscientes” - Perúgia - Itália - 2006
        Lembram o lançamento do primeiro livro infantojuvenil, O Desaparecimento da Estátua,  de nossa conhecida e querida Luísa Antunes Paolinelli, da Ilha da Madeira (Portugal)? Reveja nosso post aqui. Nossa coordenadora nos presenteia com sua resenha desta misteriosa história:: 


Por Sueli de Souza Cagneti

Uma estátua desaparece, mas Piri-Piri, a galinha madeirense, é a líder do trio de detetives formado por ela e suas amigas Pimentão (a intelectual pesquisadora) e Noz Moscada (a mais piruete das galinhas peruas) que, claro, vão desvendar o mistério. Aliás, que mistério! Cheio dos nós, aventuras, bicadas e bicões. E tudo numa linguagem irônica, por vezes galinácea, recheada de insinuações hilárias à inserção nossa de cada dia ao “sofisticamento” do nosso falar, seja ele português de cá ou d’além mar, de palavras e expressões inglesas.
Luísa Antunes Paolinelli promete no campo da literatura para crianças e jovens, ao estrear nessa novela policial, onde não faltam ingredientes para boas gargalhadas e interessantes descobertas. Na linha das fábulas é – através do comportamento dos personagens animais – que ela nos vai descortinando nossas falhas, ambições e sentimentos maiores e menores também. E como toda boa história esta acaba – no meio da trama policialesca – com o aparecimento do príncipe sonhado por toda galinha que se preze, ao configurar o mundo feminino.
Ele é – quem sabe – uma homenagem ao 2013 – ano Brasil\Portugal - um tucano brasileiro a chamar pela beleza e pelo amor, não pelas areias de Ipanema, mas pela bela Ilha da Madeira, através da Música de Vinícius de Moraes: “olha que coisa mais linda, mas cheia de graça”. E, lógico, Piri-Piri não sendo somente trabalho, após o mistério desvendado, cede à sedução brejeira do jornalista brasileiro que chega chamando-a de “gátchinha” e consolidando, mais uma vez, o encontro simpático entre brasileiros e portugueses. Como está sendo aqui o encontro da escritora portuguesa com seus já cativos leitores brasileiros.

FICHA TÉCNICA:

Obra: O desaparecimento da estátua
Autora: Luisa Antunes Paolinelli
Editora: Editora O Liberal
Ano: 2012


Festa de 10 anos do PROLIJ - 2007


Prolijiana Áurea em apresentação no Congresso Internacional de Literatura infantil - Presidente Prudente (SP) - 2004 



Por Áurea Cármen Rocha Lira e Sueli de Souza Cagneti



Muitas luas atrás, foi em uma fonte – símbolo da beleza da mulher, em um olho d’água, que um casal do povo indígena Maraguá percebeu que não mais se separaria. Através dessa bela relação entre tais jovens, Maykanã e Yãni, vão sendo apresentados costumes e rituais do povo Maraguá, do Baixo Amazonas. É de lá também o autor dessa história, o indígena Roni Wasiry Guará, o qual a intitulou de Olho d’água: o caminho dos sonhos, texto vencedor do “8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas”, ao qual faz jus.                    

Ilustrado por Walther Moreira Santos com simbólicas imagens especialmente em aquarela e lápis de cor, o texto virou livro pela Autêntica em 2012 para que mais pessoas tivessem acesso a ele, louvável atitude em um país que ainda precisa firmar suas raízes. E é dessa base que o livro é “transbordante”: mostra-nos o Maraguá e seu respeito pela Mãe Terra e todo ser que nela habite, o plantar que é sua forma de dar e receber, os agradecimentos e festas comemorativas pela fartura na agricultura e pesca, o respeito ao mais velho – fonte de sabedoria, as palavras como magia para transformar corações, os rituais entre os diversos estágios da vida, enfim, a vida – espaço ilimitado e o elo que liga todos nessa grande teia.

Com uma linguagem encantadoramente simples e profunda, é livro para cutucar nossa sociedade individualista, alicerçada em tantos desejos irrelevantes e vaidades vãs, que são, em última instância, profanações do próprio ser. Nessa contramão, ficam da obra grandes ensinamentos, como o exemplo do Sol que ilumina sem fazer distinção e a esperança de viver as tradições como forma de união neste imenso círculo que é a vida.



FICHA TÉCNICA:



Obra: Olho d’água: o caminho dos sonhos

Autor: Roni Wasiry Guará

Ilustrações: Walther Moreira Santos

Editora: Autentica

Ano: 2012
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