Por Maria Lúcia Costa Rodrigues

O insistente argumento “Tô fraca! Tô fraca!” não convence aos que convivem com a esperta, ligeira e curiosa galinha-d’angola, ou angolista, como muitos a conhecem pelas bandas de cá do atlântico. Essa avezinha africana protagoniza a história contada e ilustrada por Maté. Num cenário de savana, a galinhola terá de descobrir quem é o monstro que vem comer seu precioso alimento.
As ilustrações em aquarela para a história aumentam a curiosidade nessa caçada da galinácea. Entre vários acontecimentos e pistas ela acaba descobrindo um bicho escamoso muito esquisito, com “rabo de crocodilo, língua de camaleão e garras de leopardo: que criatura horrível!”. Mas em tudo que é estranho aos olhos o será ao coração, é só olhar com mais atenção.
Por trás dessa aventura da galinhola e o monstro escamoso, o leitor pode visualizar o ambiente da savana na África Central e uma das espécies animais mais estranha e ameaçada de extinção daquelas paragens. Para descobrir qual é, só virando as páginas do livro A galinhola e o monstro escamoso.

FICHA TÉCNICA:

Obra: A galinhola e o monstro escamoso: uma aventura africana
Autora: Maté
Editora: Brinque-Book

Ano: 2010

Prolijianos "iluminam" com suas histórias o lançamento do livro "Leituras em Contraponto" da professora Sueli na Livraria Paulinas - 2013


Por Sueli de Souza Cagneti

            Num clima de mistério, misturando realidade e fantasia, Ana Cristina Massa (jornalista e escritora) conta a história de Aqualtune – uma princesa africana, nascida no Congo, no século XVI – que foi capturada e trazida para o Brasil como escrava. Do engenho do Porto Calvo, onde passou a viver escravizada, ela fugiu para Quilombo dos Palmares. A ficção criada por Massa em torno desta figura lendária (suspeitam os historiadores que tenha sido avó de Zumbi) está na personagem/menina/protagonista que, rejeitando seu nome, por considerar Aqualtune muito estranho e difícil de pronunciar, se autodenomina Alice. A saga de Alice/Aqualtune, juntamente com seus amigos em uma fazenda na Serra da Barriga, agradará em vários aspectos aos adolescentes e jovens que como a protagonista andam em busca de sua identidade. De quebra a obra lhes proporcionará conhecer um pouco mais da vida dos quilombolas dos Palmares e da sua história que – embora muitos não aceitem – é profundamente brasileira. Alguns dados informativos completam o livro no final, transformando-o numa obra com características contemporâneas, marcamente híbridas.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Aqualtune e as histórias da África
Autor: Ana Cristina Massa
Editora: Gaivota
Ano: 2012

Por Silvio Leandro da Silva

Cotidianamente somos induzidos a introjetar representações coletivas à nossa condição humana. Porém, fazer parte de uma cultura requer legitimação pelo uso de traços e modelos estabelecidos. A leitura de “A tatuagem - Reconto do povo Luo” de Rogério Andrade Barbosa nos faz pensar sobre nossa inserção no convívio social e no sentimento de pertencimento a um grupo.
A narrativa em questão demonstra claramente essa realidade, pois nela o povo Luo – estabelecido nas regiões do Quênia, Tanzânia e Uganda - é apresentado não somente como um grupo organizado em funções específicas (as mulheres socam os grãos de milho, os homens se dedicam ao solo e às guerras), mas também com uma preocupação do fazer-se perceber. Nesse intuito as mulheres devem ser estilizadas por tatuagens que explicitarão sua condição social e civil. Na ânsia de satisfazer essa necessidade, a jovem protagonista Duany obterá mais do que um reconhecimento, pois trará consigo a marca da ambição. Sem reconhecer o valor da arte de furar e levantar a pele proveniente das mãos anciãs de sua comunidade, ela vai atrás de um novo tatuador e cai nas graças de uma serpente. Desse contato seu corpo adquire uma indesejável impressão. Daí em diante a jovem passa a sentir o peso da luta contra esse feitiço.
As ilustrações de Maurício Negro deixam o leitor impregnado por figuras tão representativas quanto o enredo da história. São traços que remetem ao fator comunicador presente naqueles que se permitem deixar sob a pele a tinta e, através dessas cicatrizadas escritas, se tornam membros de um pensar comum.
Uma bela história que nos convida a repensarmos nossas necessidades coletivas, naquilo que trazemos de ambíguo e individual em nós: desejo, reconhecimento e superação.

FICHA TÉCNICA:

Obra: A tatuagem
Autor: Rogério Andrade Barbosa
Ilustrador: Maurício Negro
Editora: Gaivota
Ano: 2012

Por Alcione Pauli


            Suleiman, o personagem que narra à história da ilha de Zanzibar, inicia comentando que não tem vergonha em confessar seu medo de assombrações. Com esta informação, o leitor inicia a leitura do texto que é permeado de sustos, de suspenses e de acontecimentos inexplicáveis.
            Zanzibar é localizada no Oceano Índico, pertence à Tanzânia, na costa africana. Neste local onde acontecem histórias misteriosas como a dos sons noturnos dos cavalos que trotam pelas ruas desertas, bem como a da mulher cadavérica em posse de um bebê gritando vagueia pelas ruas. O enredo acontece magicamente, porque Suleiman resolve escrever suas estranhas experiências.
            Livro iluminado com as imagens criativas de Maurício Negro que expressam as sensações vividas na leitura da obra. Apertem os olhos, segurem o palpitar do coração: a leitura de Zanzibar à ilha assombrada é imperdível!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Zanzibar, a ilha assombrada
Autor: Rogério Andrade Barbosa
Ilustrador: Mauricio Negro
Editora: Cortez
Ano: 2012



        Confiram as fotos do lançamento de "Leitura em Contraponto - novos jeitos de ler", de Sueli Cagneti, na Livraria Paulinas, realizado na última segunda-feira (6 de maio). O evento foi um sucesso, e os prolijianos fizeram sua parte para abrilhantar a noite. Agradecemos a presença de todos que puderam prestigiar nossa coordenadora e a literatura!






Prolijianos Alencar, Cleber, Alcione e a coordenadora Sueli em sua apresentação no ENKIDU Summer Conference: Storytelling, Memories and Identity Constructions - México - 2009

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