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Por Alcione Pauli

Numa casinha branca, lá no sítio do Picapau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. Chama-se dona Benta. Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando: - Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto...
Mas engana-se.
(Monteiro Lobato[1])

     Com muita competência Sueli de Souza Cagneti convida os profissionais do livro, da leitura e da literatura para pensar nos livros destinados a crianças e jovens. De forma original a autora apresenta procedimentos do ato de ler na contemporaneidade. Seu livro Leituras em contraponto: novos jeitos de ler é uma bela coletânea de artigos que foram apresentados em diferentes congressos, seminários, jornais, revistas e conferências realizados em vários lugares do Brasil e do exterior por onde a autora viajante esteve.
     A discussão inicia com uma introdução que passa pela questão da legalidade do ato de ler, na qual Cagneti reflete sobre o salto qualitativo que a produção literária dá nas décadas de 60 e 70 no Brasil. Demonstra como a política interferiu nessa área durante a ditadura militar e, nas escritas dos artigos, faz pontuais considerações a respeito das concepções criativas e múltiplas presentes nas obras infantojuvenis na atualidade.
     O chamamento para a leitura é o da voz experiente e sábia. Sueli contemporaneamente desempenha a função social, cultural e política como a personagem da dona Benta na obra lobateana; ela é atuante na sala de aula, e, vez ou outra, transita pelo mundo a “falar e escrever” de suas descobertas com muita descontração, calma, leveza, sedução e encantamento. O jogo textual é concebido e permeado de lembranças de fada, bruxa, feiticeira, curandeira e xamanista! A leitura da obra é uma aventura imperdível e surpreendente para todos que curtem o farfalhar das folhas. Ao final da leitura fica o desejo de ler mais Cagneti, resumido no pedido: estamos no aguardo dos próximos escritos!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Leituras em contraponto: novos jeitos de ler
Autora: Sueli de Souza Cagneti
Editora: Paulinas
Ano: 2013




[1] LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. Edição Especial Instituto Walter Moreira Salles. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 07.
        É com imenso prazer que o Prolij convida a todos para o lançamento do novo livro da nossa querida coordenadora, Sueli de Souza Cagneti, Leituras em contraponto: novos jeitos de ler, pela Editora Paulinas.
        O evento se realizará no dia 06 de maio, segunda-feira, às 19h30, na Livraria Paulinas (Rua XV de Novembro, 119, esquina com a Rua Dr. João Colin - Centro - Joinville-SC).


        "Leituras em contraponto: novos jeitos de ler é uma coletânea de artigos resultantes de descobertas literárias. Descobertas advindas da pesquisa e do trato com os livros junto a grupos leitores diferenciados, seja pela faixa etária, pelo grau de escolaridade ou pelo interesse acadêmico, e apresentadas em congressos nacionais e internacionais", como informa a autora na orelha do livro. Fica o convite para prestigiar seu lançamento e, acima de tudo, como indica a professora e crítica literária Nelly Novaes Coelho na quarta capa: entregar-se a leitura de novas/velhas histórias! 


Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                Nos últimos anos a literatura infantil tem protagonizado uma importante discussão. Afinal, como avaliar o que entra em sala de aula? Quais parâmetros (se é que existem) seguir?
                O livro Literatura Infantil – políticas e concepções (2008, Autêntica), organizado por Aparecida Paiva e Magda Soares, é fruto de análises e reflexões de pesquisas realizado pelo Ceale/FaE/UFMG. Presentes no livro estão oito artigos que exploram o universo infantil e podem ajudar o professor a ter um olhar mais sensível no que diz respeito aos livros direcionados aos pequenos.
                No que diz respeito às políticas etnicorraciais e à diversidade, dois artigos em especial chamam a nossa atenção: A produção literária para crianças: onipresenças e ausência das temáticas, escrito por Aparecida Paiva e Representação e identidade: política e estética étnico-racial na literatura infantil e juvenil, escrito por Aracy Martins e Rildo Cosson.
Paiva (2008) faz várias considerações importantes acerca da literatura infantil contemporânea. A primeira delas refere-se ao utilitarismo dos textos. A autora aponta que a grande enxurrada de textos que apareceram junto com os “temas transversais” provocou de certo modo uma adequação da literatura infantil ao currículo escolar, à intenção pedagógica. Quanto mais próximo o estilo narrativo do conteúdo a ser ensinado em sala de aula, maior é a sua utilização pelo professor.
Outra questão abordada por Paiva (2008) é a qualidade textual, qualidade temática e qualidade gráfica das publicações que hoje estão no mercado como “clássicos” para crianças. A avalanche de títulos que se enquadram nessa categoria torna difícil a escolha adequada pelo professor. Por parte dos recontos dos clássicos, muitos deles também deixam a desejar, dando a impressão de uma história incompleta, vazia.
Já o texto de Martins e Cosson (2008) trata as representações sociais como mote para várias indagações sobre a grande demanda de livros étnicorraciais a partir da Lei 10.639/03. Reflete sobre a grande diversidade de formatos e registros desses livros, tornando difícil a classificação das obras. Porém a questão evidenciada foi: “Como a literatura infantil e juvenil no Brasil responde contemporaneamente às demandas étnico-raciais de identidade e representação dos negros?” (MARTINS; COSSON, 2008, p. 56).
O caráter político dessa representação nos livros de literatura infantil e juvenil é apontado como algo que foi reivindicado legitimamente pela comunidade afro-brasileira. “Quando falamos de sujeito na literatura negra, não estamos falando de um sujeito particular, de um sujeito construído segundo uma visão romântico-burguesa, mas de um sujeito que está abraçado ao coletivo” (EVARISTO, 2000)[1].
Cabe agora aos professores e pesquisadores expandir a discussão para que equívocos referentes a essa temática e à própria literatura africana e afro-brasileira sejam minimizados.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Literatura infantil – políticas e concepções
Organizadoras: Aparecida Paiva e Magda Soares
Editora: Autêntica
Ano: 2008



[1] EVARISTO, Conceição. In: Congresso Internacional da ALADAA, 10. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2011.

Por Sonia Regina Reis Pegoretti
               
Nilma Lino Gomes é a organizadora do livro Um olhar além das fronteiras – educação e relações raciais, que faz parte da coleção Cultura negra e identidades e que traz experiências vividas tanto pelo colonizador (Portugal) quanto pelos seus colonizados (Brasil e África). A socialização de estudos e pesquisas acerca do tema vem contribuir para um debate que não se pode mais negar: a reflexão sobre as questões raciais e étnicas na educação, assim como a construção de uma escola mais plural e diversa. Para estabelecer essa discussão, GOMES (2007) divide o livro em três partes.
Na parte I, cujo tema é “Globalização, educação e dignidade humana” já somos presenteados com uma entrevista com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, falando sobre “globalizações” e de como podemos pelo menos “imaginar” viver de forma diferente percorrendo caminhos alternativos. Finalizando essa parte, as professoras Teresa Cunha e Inês Reis versam sobre uma concepção de educação entendida como espaço-tempo capaz de fornecer instrumentos de interpretação, inclusão e participação.
Já na parte II, o tema é “Racismo e etnicidades em diferentes contextos históricos e sociais”. No primeiro artigo, Maria Paula Gutierrez Meneses, discute a (re)invenção das palavras racismo, etnicidade, tribo e encontro colonial, fazendo uma verdadeira viagem no tempo e questionando o leitor sobre o seu real conhecimento do continente africano. Traçando um mapa diferente da realidade africana, a autora aborda o caso de Moçambique como modelo.
O segundo artigo trata de uma pesquisa etnográfica realizada em duas escolas de Portugal. A autora Marta Araujo objetivou explorar as diversas formas de racismo manifestadas nas experiências escolares cotidianas. Os dados dessa pesquisa são analisados diante do leitor, e apontam para a necessidade de programas de investigação comparativos, a fim de compreender como funcionam os passados coloniais com a luta anti-racista em várias sociedades.
A terceira e última parte do livro traz como tema o “Racismo, anti-racismo e educação: o contexto brasileiro”. A professora Nilma Lino Gomes apresenta o contexto tenso e complexo das relações raciais no Brasil no artigo Diversidade étnico-racial e educação no contexto brasileiro: algumas reflexões. Já o artigo A pedagogia Multirracial popular e o sistema escolar de Miguel González Arroyo é o que encerra o livro. O texto é resultado de uma palestra proferida pelo autor no Colóquio Pensamento Negro em Educação no Brasil onde ARROYO faz uma reflexão entre a pedagogia multirracial e a pedagogia popular e ainda sobre o sistema escolar brasileiro.
O dialogo estabelecido pelos autores nos leva a refletir a prática pedagógica e a postura do professor presente nas nossas escolas.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Um olhar além das fronteiras – educação e relações raciais
Autora: Nilma Lino Gomes (Org)
Editora: Autêntica
Ano: 2007

Por Cleber Fabiano da Silva


Compreender os efeitos da mestiçagem e suas consequências na constituição da identidade brasileira e a sua relação com a formação da identidade negra e afro-brasileira é uma das tarefas a que se propõe o Dr. Kabengele Munanga, com o livro Rediscutindo a mestiçagem no Brasil, editora Autêntica, 2004.
A obra discute o conceito e a história da mestiçagem, desfazendo ambiguidades e propondo para além dos caracteres biológicos, um olhar para os fatores sociais, psicológicos, econômicos e político-ideológicos decorrentes desse fenômeno. 
No capítulo que trata especificamente da mestiçagem no pensamento brasileiro, Munanga analisa uma importante questão após a abolição: a construção de uma nação e de uma identidade nacional. O pesquisador afirma que os intelectuais desde a primeira República, influenciados pelo determinismo biológico, “acreditavam na inferioridade das raças não brancas, sobretudo a negra e na degenerescência do mestiço” (p. 55)
Na sequência de sua análise, o autor aporta na década de 70 a partir do militante e intelectual negro Abdias do Nascimento que, segundo ele, “inicia a construção de uma democracia verdadeiramente plurirracial e pluriétnica” fazendo-se o porta-voz desse mundo afro-brasileiro. Segue suas considerações perpassando a ambiguidade raça-classe e a mestiçagem como mecanismo de aniquilação da identidade negra, debate a mestiçagem contra o pluralismo e como símbolo da identidade brasileira.
Uma obra que, para além de questões acadêmicas de resgate histórico, consolida e reúne importante reflexão acerca da identidade negra e da mestiçagem. Indicado para todo e qualquer cidadão, indispensável para pesquisadores e professores do nosso país.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Rediscutindo a mestiçagem no Brasil
Autor: Kabengele Munanga
Editora: Autêntica
Ano: 2004
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

                A partir da lei 10.639/03, os professores têm a incumbência de trabalhar a história e a cultura afro-brasileira na sala de aula e em 2008, através da lei 11.645, ela se complementa, inserindo a história e cultura indígena. Diz a lei que esses conteúdos devem ser trabalhados em todo currículo escolar, mas com especial atenção nas disciplinas de artes, literatura e história. Tarefa difícil esta, considerando que a maioria dos professores já formados, não tiveram essa formação nos cursos de graduação.
É com essa problemática em mente e também com questões de gênero, raça e etnia que Nilma Lino Gomes e Petronilha B. Gonçalves e Silva organizaram o livro "Experiências étnico-culturais para a formação de professores". O livro apresenta oito artigos escritos por especialistas em formação de professores, sobre histórias contadas ou vividas por eles na sala de aula em diversas regiões do Brasil e também do exterior como Estados Unidos, Mali, Uruguai e Espanha. Essas histórias falam da diversidade na educação e da problemática que muitos dos nossos educandos e também professores enfrentam no seu dia a dia.
Na sua apresentação, Nilma Lino Gomes fala sobre os desafios da diversidade e da importância dos diferentes olhares de pesquisadores sobre essa temática na formação de professores. Aspectos sobre cultura, identidade, semelhanças e diferenças são parte deste livro, que entre outros assuntos, discute em seus artigos a educação indígena, africana, judaica e de ciganos.
Como resultado do trabalho, algumas respostas. Mas, ainda mais perguntas são deixadas ao leitor pelos pesquisadores. É nesse movimento de vai e vem que vamos construindo a educação que queremos. O livro é um convite a experimentar!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Experiências étnico-culturais para a formação de professores
Autoras: Nilma Lino Gomes e Petronilha B. Gonçalves e Silva (Orgs)
Editora: Autêntica
Ano: 2011 3 ed.

 Por Cleber Fabiano da Silva

               
                Se for verdade que uma andorinha sozinha não faz verão, também há que se acreditar que todo bando deve precisar de um líder, alguém com pensamentos e lutas capazes de constituir um movimento dinâmico, com marcas, dobras e fissuras suficientes para gerar mudanças e angariar adeptos.
                A vida de uma personagem real que ajudou a consolidar e legitimar a luta do movimento negro e feminista numa época de redemocratização do nosso país. O livro, Lélia Gonzalez, por Alex Ratts e Flavia Rios, editora Selo Negro, 2010, propõe-se a apresentar um pouco da vida e da militância dessa mineira nascida em 1935 e falecida em 1994 da qual herdamos um relevante legado para as discussões sobre raça, gênero e classe.
                A pequena – mas profunda biografia – conta, além dos aspectos pessoais da ativista, momentos marcantes de sua vida pessoal, seus conflitos e sua participação em movimentos sociais, políticos e culturais que desdobraram em articulações, trocas e confrontos cujos benefícios ainda são evidentes no cenário brasileiro de luta pelos direitos humanos.
                Professora, escritora, pesquisadora, militante, ativista, intelectual, mulher e negra, “Lélia transitou entre circuitos negros e brancos sem perder de vista seu horizonte racial” (p. 156). E a frágil andorinha ganha os ares e escreve seu nome nas histórias cotidianas e nem sempre contadas pela História, tornando-se verbete de enciclopédia e título indispensável a todos que buscam compreender a sociedade brasileira.                            
               
 FICHA TÉCNICA:

 Obra: Lélia Gonzalez
 Autores: Alex Ratts e Flavia Rios
 Editora: Selo Negro
 Ano: 2010
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        O livro “Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica” é integrante da coleção Cultura Negra e Identidades e se mostra como uma importante obra teórica acerca da literatura africana e afro-brasileira.
        É dividido em quatro artigos principais e um de conclusão, escritos por três autoras diferentes, docentes da UFMG: Iris Maria da Costa Amâncio, Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge. Integra o projeto Novos percursos e novos horizontes de formação: a continuidade das ações afirmativas para universitários negros na UFMG, apoiado pelo Programa UNIAFRO II (MEC/SESU/SECAD) e realizado pela equipe do Programa Ações Afirmativas na UFMG, nos anos de 2006 e 2007. 
        Preocupadas com a formação de professores e com o currículo que se apresenta nos cursos de graduação, as autoras trazem à luz questões importantes como a ausência da literatura africana e afro-brasileira nos cursos de pedagogia e de questões relacionadas à lei 10.639/03 nos cursos de licenciatura.
        O livro ainda apresenta vários textos de escritores africanos e brasileiros e propostas de atividades elaboradas pelas cursistas participantes do projeto.
        Indispensável na biblioteca de todo professor!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica
Autoras: Iris Maria da Costa Amâncio; Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge
Editora: Autêntica
Ano: 2008
Páginas: 166
O PROLIJ se reuniu no sábado passado para um encontro de fim de ano. Para comemorarmos o ano que passamos juntos, as leituras feitas, as escritas que "brotamos", os eventos que organizamos, e todo o pensar sobre a literatura infantojuvenil ao qual nos dedicamos durante o ano todo.

Como de costume, realizamos um amigo-secreto com muita troca de livros. Com muitas dedicatórias especiais, e muitas leituras que nos acompanharão em mais uma virada de ano.

Diante disso, resolvemos postar aqui no blog os livros que foram trocados entre nós, como forma de sugestão de leitura aos nossos leitores, e também como uma possibilidade de dicas de livros-presentes para alguém próximo a nós.



Cleber (neste ato representado por sua voz através do aparelho celular): 
Presenteou o Rodrigo com: “Contos de fadas”, apresentação de Ana Maria Machado.





Rodrigo:
Presenteou a Áurea com: “Um erro emocional”, Cristovão Tezza.






Áurea:
Presenteou a Viviane com: “Procura-se lobo”, Ana Maria Machado.




















Viviane:
Presenteou o Ítalo com: “Memórias inventadas para crianças”, Manoel de Barros.

                    


Ítalo:
Presenteou a Alcione com: “Desmundo”, Ana Miranda.

          




Alcione:
Presenteou a Sueli com: “Um erro emocional”, Cristovão Tezza.

       


Sueli Cagneti:
Presenteou a Maria Lúcia com: “Crítica, Teoria e Literatura Infantil”, Peter Hunt e “De dois em dois: Um passeio pelas Bienais”, Renata Sant´Anna, Maria do Carmo Carvalho e Edgard Bittencourt.


Maria Lúcia:
Presenteou a Débora com: “Um erro emocional”, Cristovão Tezza.

        


Débora:
Presenteou a Kamila com: um par de brincos.

     




Kamila:
Presenteou a Verônica com: "Carta aberta de Woody Allen para Platão", Juan Antonio Rivera.

     


Verônica:
Presenteou o Alencar com: “Um erro emocional”, Cristovão Tezza.

     


Alencar:
Presenteou a Evelyn com: “Memórias inventadas – as infâncias”, Manoel de Barros.

    


Evelyn:
Presenteou a Sônia com: “Os escravos”, Castro Alves e “Por que ler os clássicos”, Ítalo Calvino.


Sônia:
Presenteou o Cleber com: Vale-presente (devido a ausência do mesmo no encontro, por motivos de saúde).





Silvio Leandro:
Presenteou a Luciane com: “Memórias inventadas para crianças”, Manoel de Barros.

     


Luciane:
Presenteou o Silvio Leandro com: “Contos”, Voltaire.
Adair de Aguiar Neitzel ¹





Jorge Luiz Antonio é pesquisador e poeta. Com esta obra, editada por Veredas & Cenários, ele não apenas estabelece alguns parâmetros necessários para delimitar este objeto de estudo tão contemporâneo, a poesia eletrônica, como nos convida, a cada linha, à leitura digital. E este objetivo a obra cumpre bem: mostrar como a tecnologia possibilita novos leitores potenciais para a poesia, este gênero tão esquecido principalmente nas instituições educativas. O leitor efetua um percurso de leitura que vai dando-lhe subsídios para estabelecer a diferença entre esse tipo de poesia das outras existentes. Sem apologia ao computador, Jorge Luiz Antonio propõe uma incursão pelas diversas conceituações que tratam de poesia e tecnologia, pois independente do aparato de que se serve o poeta, estamos falando do poema e a teoria literária brota a todo instante por meio de uma interlocução que trava com Kristeva, Wellek e Warren, Eco, Jakobson, Apollinaire, Pound, Pignatari, Barthes, Calvino, entre tantos outros.
O computador é uma máquina que desperta não só a atenção dos jovens leitores como também de poetas e, por isso, as possibilidades que ele oferece de agenciamentos semióticos, como produtor de signos poéticos, são acentuadamente explorados. Se computadores tornaram-se fundamentais para a Matemática e a Física, hoje, com esse novo gênero poético, podemos afirmar que eles também se tornaram fundamentais para os processos de leitura e escrita. Este livro põe em foco não apenas a arte da palavra, mas as artes plásticas, sonoras, cinéticas, pois ao pesquisar sobre a poesia em meio eletrônico descobrimos não apenas a linguagem verbal, mas a visual, a sonora e a cinética. Experiências estéticas como as de Sylvio Back, Kinopoems, que compõem o CD que acompanha o livro trazem uma nova visão não apenas acerca do poema, mas do fazer literário. Do ponto de vista estético, essas linguagens que se avolumam num só objeto tornam-se essenciais, pois determinam os processos que passam a compor os elementos de literariedades do texto literário.
Por meio da poesia eletrônica passamos a perceber melhor o aspecto da visualidade da palavra, pois mesmo que o poema seja feito somente de palavras, não se pode negar que a visualidade é fator preponderante no poema, assim como sua sonoridade. Uma imagem literária quer se concretizar por meio de uma imagem visual e/ou sonora, de sua plasticidade, ampliando o significado da palavra poética. A justaposição de várias linguagens leva ao leitor um texto mais poroso, aberto, estrelado, mais prenhe de sentidos. Esta é uma obra que aborda a experiência da poesia eletrônica de várias maneiras, em vários países, cotejando pesquisas, criações poéticas de várias épocas que provocam o leitor a se enveredar pelos labirintos da poesia eletrônica, entendê-la, e, sobretudo, apreciá-la.



ANTONIO, Jorge Luiz. Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais. Belo Horizonte: Veredas & Cenários. 2008


¹Professora doutora em Literatura pela UFSC. Atua no Programa de Mestrado em Educação da UNIVALI e nos cursos de graduação. Coordenadora do ContArte – contadores de historias da UNIVALI.



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