Juliana Amaral
Acadêmica do 2° ano Curso de Letras Licenciatura da Univille

No livro João e os sete gigantes mortais somos convidados a acompanhar o protagonista na busca por suas origens, numa tentativa de constituição da própria identidade. Durante a viagem, João enfrenta sete gigantes mortais que personalizam os sete pecados capitais. Estes seres míticos representam desafios interiores para João, que tem também em si os pecados que enfrenta. A derrota de cada gigante representa a superação de uma fraqueza e mostra o caminho para a constituição do herói.

A capa do livro apresenta João à sombra de um gigante em posição ameaçadora. João está com as mãos no bolso e parece frágil, à mercê do risco iminente. À frente de João vemos a parte posterior da vaca e seu rabo. De acordo com o dicionário de Simbologia de Manfred Lurker “no hinduísmo, o moribundo agarra um rabo de vaca a fim de ser levado em segurança sobre o rio da morte”. Essa definição aplica-se ao contexto da trama: há uma espécie de pacto entre João e a vaca, pois ela guia o menino, que viaja deitado sobre suas costas.

As cores da capa e contracapa são verde e laranja; elas podem sugerir o amadurecimento do personagem durante a narrativa. O livro tem formato padrão; esse recurso pode ter sido utilizado para inseri-lo no campo dos infanto-juvenis, pois o livro infantil tem tamanho diferenciado.
As ilustrações são de suma importância. Para Sonia Salomão Khéde, a verdadeira relação entre texto e imagem ocorre somente se a ilustração.

“(...) Dialogar com o texto em vários níveis e de diversos modos, através de uma interpretação, uma leitura ‘imagística’ do texto. (...) A perspectiva narrativa da ilustração pode levá-la a representar cenas e situações que não estão, inclusive, no texto verbal.”

Em “João e os sete gigantes mortais” há uma ilustração para cada abertura de capítulo. As imagens, criadas por Carll Cneut, são em preto e branco e possibilitam uma leitura aberta e dinâmica, estabelecendo a relação texto-imagem de maneira interessante e subjetiva.



cores e passarinhos

Ítalo Puccini


na quarta passada, no prolij, a sueli leu o livro “para criar passarinhos”, do bartolomeu campos de queirós. é edição nova do livro, feita pela global, agora em 2009, com ilustrações do guto lacaz. coisa mais linda do mundo o livro! de um cuidado extremo, belíssimo!

é um livro de cores e passarinhos. cores vivas, que causam no leitor uma sensação boa, gostosa, alegre. e o texto do bartolomeu é também cheio de vida. há coisas assim lá, ó: “Para bem criar passarinhos é necessário ter o corpo capaz de escutar o silêncio das pedras, o som do vento nas folhas, o ruído de soluços preso em garganta”.

as páginas duplas do livro são compostas, no lado esquerdo, pelo texto, e no lado direito, por figuras geométricas. pequenininhas, em grande quantidade. mas em cada conjunto de figuras geométricas há uma só com um detalhezinho de diferença para as demais. tive que tirar foto disso pra deixar mais claro, tamanha beleza! cada página dupla é de uma cor.

e os textos, ao lado esquerdo, começam sempre assim “Para bem criar passarinho”, e seguem com um dizer do que é preciso ter para criá-los, e do como fazer isso. ó um exemplo: “Para bem criar passarinho é essencial possuir um arco-íris, ilusão de água e sol, rabiscando no céu para passarinho pousar depois da chuva. E isso se faz possível colhendo nas nuvens as sete cores, ao entardecer”.

o livro é de uma delicadeza só. apresenta ao leitor o contato com o nada, com aquilo que não tem um porquê de ser, com algo sem utilidade. lembrou-me muito os livros do maneca, o manoel de barros. quer ver só (pra quem já leu bastante o manoel, há de perceber o mesmo, creio): “Para bem criar passarinho há que se sonhar borboleta, anjo ou estrela cadente. É importante ter imensas intimidades com o nada, admirar o vazio e um especial encantamento pelo azul que existe muito depois das nuvens, infinito adentro”.

para ler o bartolomeu não é preciso saber criar passarinho. é possível aprender, sim, a fazer isso, mas não é imprescindível que se saiba. é necesssário, sim, sentir a leveza do voo das palavras, buscá-las pelos arredores de cada esconderijo, explorar o que elas contém de mais singelo e secreto.

Eduardo Silveira
Acadêmico do 2° ano Curso de Letras Licenciatura da Univille

Fim. Essa palavra está no imaginário de muitas pessoas. Foi ela que sempre encerrou os contos clássicos e, até hoje, encerra filmes, romances, histórias populares, etc. Na literatura, geralmente, essa palavra significa o fim da história, o desenlace das intrigas, o desfecho.
Por muito tempo, assim se comportaram as narrativas. Mas a Literatura é viva: sempre em constante movimento. Criam-se novas estruturas, novas linguagens, subvertem-se padrões, até então inabaláveis. O pensamento do homem está sempre se modificando, modernizando-se, e isso traz inúmeras mudanças no modo de se pensar e fazer a arte. A Literatura é viva: eterna metamorfose. Hoje em dia, as boas histórias desafiam cada vez mais seus leitores. O tradicional esquema começo, meio e fim agora convive com muitos outros modelos narrativos. Os exemplos são fartos. Um dos mais oportunos é "História meio ao contrário", de Ana Maria Machado, cujo título já prepara o leitor para uma narrativa diferente, em que surge, logo no início, a clássica frase "(...) e foram felizes para sempre".
Exemplo muito interessante também é o filme "A História Sem Fim", de Wolfgang Petersen. Assim como o livro de Machado atiça o futuro leitor, esse filme traz um título que provoca o futuro espectador, afinal, como pode haver uma história sem fim? Há sim. Aliás, a história que esse filme conta é justamente sobre a Literatura: o casamento, o jogo entre o leitor e o livro. O filme todo é uma grande metáfora para essa relação forte, na qual um não existe sem o outro.
O protagonista é o menino Bastian que, convivendo num ambiente angustiante (um ambiente familiar frágil), se refugia na fantasia para poder, enfim, sonhar. E o instrumento para mergulhar no mundo fantástico é o livro. A história que o menino lê é a saga de outro jovem: Atreyu, menino corajoso que aceita a missão de salvar o seu reino (o reino de Fantasia) do terrível "nada" que o assola. Bastian vai, aos poucos, se identificando com Atreyu: compartilha suas angústias, seus medos, suas alegrias. Luta com ele, pensa com ele. Na verdade, Bastian é Atreyu (e isso é mostrado numa belíssima cena em que um é reflexo do outro). Nessa cena, é curioso o estranhamento que tal constatação causa: Bastian se recusa a acreditar que participa da história. Esse estranhamento é marca da Literatura: ela nos mostra as coisas por outro ângulo e isso, à primeira vista, assusta. Ela nos desnuda: joga luz sobre nossos desejos e medos mais íntimos. Por isso estranhamos e fugimos. Mas não demora muito, e voltamos ao texto, pois nele nos reconhecemos. E Bastian se reconhece na figura de Atreyu. A missão de Atreyu é uma tentativa de resgatar a fantasia que as pessoas insistem em deixar adormecida, permitindo que o "nada" invada o reino - o mundo - e destrua quase tudo. O nada, longe de ser algo concreto,é bem o que sugere seu nome: a ausência de imaginação, da criatividade, do sonho, da esperança. E tudo isso Bastian vai percebendo ao correr as páginas do livro, que lê com cada vez mais vontade, até que chega o momento em que o menino se descobre dentro da história. Ele, o leitor, é quem tem o poder de salvar o reino da fantasia, basta acreditar nisso. E Bastian acredita.
Mais que uma metáfora da relação leitor/livro, o filme é uma defesa pela liberdade. Liberdade para a imaginação; para a fantasia.
A história de Bastian tem, sim, um desfecho. Mas não um fim. Trata-se de um ciclo. Atreyu/Bastian lutou, caminhou para chegar ao mesmo local de partida: a si próprio. Ao longo da missão, Atreyu/Bastian percorre muitas milhas, mas a verdadeira caminhada acontece dentro de sua própria consciência.
Como tantas outras boas histórias, esse filme vem nos lembrar que a literatura -e a arte em geral-, com seu espírito inquieto e questionador, é um veículo sem-igual para as pessoas embarcarem. Lembra-nos que a palavra é capaz de traduzir toda a nossa humanidade. A palavra comporta tudo: o mundo todo.
Daiane Silva
Acadêmica 2º ano do Curso de Letras Licenciatura da Univille
A literatura infantil pode e deve ser vista como uma arte, pois representa o mundo através da palavra; pode unir o real e o imaginário, o possível e o impossível.
Os textos literários voltados para o público infantil foram escritos há alguns séculos, e retratam um mundo fantástico, de sonhos e encantamentos. Porém, eles permitem que as crianças vivam, por meio dos contos, situações-problemas e conflitos e, a partir daí, tentem construir conceitos que auxiliarão em sua formação ao longo da vida.
Partindo-se deste pressuposto, o livro João e os Sete Gigantes Mortais, de Sam Swope, chegou para renovar a estrutura dos contos de fadas, pois mostra de uma forma bem divertida, instigante e provocante um herói às avessas.
Desde que João foi abandonado, ainda bebê, carregava a fama de menino mau da aldeia. Sempre estava metido em alguma encrenca ou confusão. E tudo acontecia sem ele querer. E a culpa sempre era sua.
Mas as coisas se complicam quando chega a notícia de que sete gigantes mortais se aproximam do povoado, João leva a culpa e então, resolve partir para que a aldeia fique a salvo. Caminhando sem destino, João encontra pelo caminho um sujeito esquisito que lhe dá de presente um feijão mágico. Um feijão que realiza desejos. O garoto faz então seu pedido de criança solitária: “Quero minha mãe!”. Mas, ao seu lado, surge apenas uma vaca. Desiludido, João segue viagem com sua nova companheira.
Pelo caminho, João acaba enfrentando os gigantes que querem fazer dele um picadinho malpassado, que personificam os sete pecados capitais: O Poeta Gigante (a preguiça), O Terrível Guloso (a gula), Dona Iracúndia (a ira), O Cocegão Selvagem (a luxúria), Avarico (a avareza), Orgulha, a Grande (a vaidade) e a Rainha verde (a soberba). João se mostra, então, corajoso, esperto e muito inteligente. Com astúcia e capacidade de surpreender, o menino consegue vencer os sete gigantes, sem usar força física ou violência, mas o curioso é a forma positiva como o personagem lida com os problemas e obstáculos.
Cheia de humor e irreverência, a narrativa nos transporta a combates divertidos e apavorantes, completada com as ilustrações extraordinárias dos temíveis monstrengos gigantes de Carll Cneut.
É por meio desta trama inusitada e singular que o autor Sam Swope aborda temas fundamentais na formação infantil: amor, autonomia, superação de obstáculos, justiça e solidariedade.
Swope buscou em diversas fontes literárias, tudo o que lhe pudesse render inspiração para tratar de “grandes questões da vida”, foram referências que ganharam uma roupagem original, sempre com muito humor. A história criada por Swope possui um pé nos contos de fadas, simbolizado por elementos dos contos tradicionais (feijões mágicos, rainhas más, maçãs, princesas aprisionadas) e outro em alusões bíblicas.
>Podemos associar de alguma forma este João a outros Joões dos contos tradicionais e suas histórias.
O enredo trazido pela história “João e Maria” traduz a realidade de muitas crianças. Os pais pobres, não sabem como poderão cuidar dos filhos e decidem abandoná-los na floresta.
João e Maria tentam encontrar o caminho de casa, vencer uma bruxa que pretende devorá-los são algumas atitudes que eles devem incorporar para conseguirem liberdade.
A trama da história “João e o Pé de Feijão” ocorre num ambiente mágico e ao mesmo tempo real. A mãe de João vendo que a comida e o dinheiro haviam acabado pede ao filho que vá até a cidade para vender a única vaca que tinham e que já não produzia leite. No caminho, João troca a vaca por feijões mágicos.
Aproveitando a sugestão de “João e o Pé de Feijão”, Swope utiliza a vaca como um poderoso símbolo maternal de ternura e afeição.
Dá para notar uma grande semelhança entre este João e o dos gigantes mortais, pois os dois agem com astúcia e coragem ao enfrentar os gigantes. Além disso, os dois Joões levaram um prêmio ao fim da história. Enquanto um ganhou uma harpa mágica e uma galinha que bota ovos de ouro e, com isso, consegue ficar rico, o outro, finalmente encontrou sua mãe e arranjara um lar onde era querido.
O desafio do leitor é encontrar nas entrelinhas outras histórias de gigantes da literatura.
São muitas as costuras feitas por Swope para que as crianças sejam instigadas em sua vivacidade e, ao mesmo tempo, respeitadas em sua integridade – como é o caso do tratamento dado à luxúria, “pecado” que ganhou uma cuidadosa e bem-humorada metáfora.
Em suma, este livro é moderno e original, e suas ilustrações dão o tom do capítulo que virá e estão em completa harmonia com a história, desafiando e estimulando a fantasia do leitor. As ilustrações de Cneut merecem, por si só, a leitura do livro, ainda que o texto seja também de elevada qualidade. Pois seus traços vão dando vida aos personagens deste livro, personagens apavorantes e marcantes, como é o caso dos gigantes e que despertam a capacidade criativa e imaginativa das crianças.


As inscrições para o concurso fotográfico “Criança lendo ou ouvindo histórias” foram prorrogadas.

As fotos podem ser enviadas até o dia 15 de outubro, a exposição será entre os dias 26 de outubro a 08 de novembro de 2009 na Sala de exposições, em frente à livraria Midas, no campus Universitário UNIVILLE.Participe! Mande suas fotos e concorra a uma câmera digital.

REGULAMENTO
- As fotografias das crianças neste concurso cultural devem ser exclusivamente de crianças de 0 até 10 anos, lendo ou ouvindo histórias.
- Cada participante pode inscrever até 02(duas) fotos inéditas de dimensões iguais ou superiores 15cmX21cm.
- A fotografia deverá ser entregue juntamente com o comprovante de depósito de R$ 5,00 referente a taxa de inscrição,em envelope fechado no PROLIJ-UNIVILLE e assinada apenas com o pseudônimo do autor.
-Efetuar depósito no Banco do Brasil ag:5214-0 conta:121.3663-8
- Dentro do envelope, o candidato deverá anexar um cd, contendo o arquivo da (s) fotos e um envelope menor, também fechado e identificando, externamente,pelo pseudônimo, contendo os dados pessoais do participante(nome,RG,CPF,idade, profissão, endereço. CEP, cidade, estado, telefone e endereço eletrônico). Serão desclassificados os trabalhos que permitam qualquer identificação do autor.
- Os direitos autorais da produção da foto e uso de imagem de pessoa (criança) cenas, objetos contido na foto são de responsabilidade do inscrito no concurso. Ao inscrever-se este autoriza automaticamente a exibição da foto conforme este regulamento.

Inscrições de 22 de junho a 30 de setembro de 2009
Julgamento e divulgação
A comissão julgadora será o público que visitar a exposição, entre os dias 05 a 16 de outubro de 2009, durante a semana da criança na Sala de exposições, em frente à livraria Midas, no campus Universitário UNIVILLE

Premiação
A fotografia será publicada no site da UNIVILLE e no blog do PROLIJ e o vencedor ganhará como prêmio uma câmera digital.

A divulgação do concurso será feita no ABRIL MUNDO 2010.

P.S: As fotos devem ser mandadas para o seguinte endereço:
PROLIJ - UNIVILLE
Universidade da Região de Joinville
Campus Universitário s/n - Bom Retiro
89223251 - Joinville, SC
Nos dias 16,17 e 18 de setembro, será realizado 4º SLIJSC (Seminário de Literatura Infantil e Juvenil de Santa Catarina), no campus Pedra Branca, Palhoça- SC .


"Trata-se de um evento que congrega pesquisadores envolvidos no estudo da leitura e da formação do leitor de literatura infantil e juvenil em Santa Catarina e no País. Devido ao caráter interdisciplinar desse objeto de estudo (a literatura infantil e juvenil), o evento tem agrupado pesquisadores e profissionais de diversos ramos das Ciências Humanas (Letras, Pedagogia, Biblioteconomia, Psicologia, História, entre outros)."

Fonte - http://www.unisul.br/hotsites/seminario-literatura-infantil.html

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