Isabela Giacomini
Volume 1: Raven e Dimas mostram a força de uma amizade que vai se construindo em uma jornada e que se dá ao acaso. Tudo começa quando um urso um tanto rabugento é acordado por uma garotinha que busca seus pais, pois se perdeu depois que brincava de correr atrás de uma borboleta. Quase sem ter paciência, Dimas resolve ajudar a garota e os dois saem com uma mochila enorme (só com o essencial) e um desenho da família, que é feito por Raven, a se aventurar. No caminho passam por algumas situações difíceis, como quase provar uma fruta venenosa! Mas nada se compara às maluquices do rei da Cidade das Charadas, que inventa leis para lá de absurdas, como a de que toda resposta só pode ser dada com a condição de que alguma charada seja desvendada, por isso, Raven e Dimas já não aguentam resolver enigmas. Entre suas andanças para lá e para cá, conhecem algumas personagens divertidas como Bianca, a Dona Oráculo, a Dona Pivara, a capivara do bar e Raimundo, o guarda da Cidade das Charadas. Bear é uma HQ com ilustrações belíssimas, que mesclam o humor ao sensível, elas, atreladas aos balõezinhos com uma linguagem super atual, marcada pela oralidade, sem uso de letras maiúsculas em inícios de falas, tornam a obra uma verdadeira imersão do leitor por meio da diversão, e claro, da curiosidade. Bear surgiu como uma webcomic, onde uma página do quadrinho era postada todas as terças-feiras e os leitores tinham o exercício de conferir semanalmente para ver seu rumo e, agora, estão reunidas em livros. E o melhor é que a história não encerra por aqui, pois esse é só o primeiro volume!

Volume 2: Neste volume, Raven e Dimas voltam com mais aventuras, ainda em busca do pais da menina. Dessa vez, seguem rumo e se deparam com uma nova cidade, bem diferente da Cidade das Charadas, essa é a Cidade das Crianças. Um lugar onde todos os adultos voltaram a ser crianças e super desobedientes, em que os próprios filhos têm de cuidar deles e de seus irmãos menores. Inicialmente essa parecia uma ideia incrível, não havia adulto algum para obedecer, para mandar comer brócolis, fazer lição de casa ou arrumar a cama, mas já pensou como ela ficaria depois de algum tempo? Quem é que trabalharia? Quem cuidaria para que as paredes não fossem rabiscadas? Quem é que cuidaria dos afazeres de casa? E em meio a um caos, Raven e Dimas descobriram que todos que entravam ali também se tornavam crianças. Sorte da menina é que ela já era uma, então nada mudaria, mas quanto ao Dimas? Tornou-se um bebê urso e, como já é de se esperar, ursinhos são manhosos e teimosos e querem ficar perto de suas mães. A partir daí uma nova aventura inicia, pois Raven, além de buscar por seus pais têm que cuidar do amigo, que agora também quer ir em busca dos seus. Os dois, em um momento, descobrem algo que pode mudar todo o rumo da história e por isso saem em busca do castelo, no topo da montanha, com seus novos colegas. Mais uma vez, encontram a cidade em plena confusão, pois independente de onde forem há crianças, mas, em meio a tudo isso, eles aprendem a lidar com novos apuros e podem seguir suas jornadas ainda mais experientes. No final desse volume a autora traz ainda o processo de criação dos quadrinhos, algumas informações e ilustrações extras e até um QR code para assisti-la desenhando uma das páginas da HQ. Tem como não se envolver? E no próximo capítulo tem mais, é claro!


Volume 3: No terceiro livro, Raven e Dimas, tendo voltado ao normal, iniciam a jornada acampados em uma barraca, que logo em seguida se enche de água, pois, na verdade, estão a navegar em um grandioso rio que trocou de sentido. Os dois conseguem uma canoa e conhecem o senhor Rio, que está em prantos pois lhe roubaram o cetro que dá controle às aguas, coisa de alguém que queria eliminar a superfície e tornar tudo um fundo de mar, ou de rio. Assim, Raven e Dimas são solicitados a ajudarem-no e recebem o poder de respiração enquanto estiverem submersos. Outra vez deixam de lado o grande objetivo de encontrar os pais da garota e se colocam em uma nova tarefa- a de recuperar o cetro roubado. No fundo do mar se encontram com a Dona Pivara, que não perdeu tempo para abrir um bar nas profundezas e também com um tubarão, que conhece sobre o reino e sobre o tal rei que roubou o cetro. Acontece que, no fundo do mar estava se planejando uma verdadeira rebelião, e as criaturas deveriam se alistar ao exército para que juntos dominassem o mundo e se vingassem da superfície. Dimas, Raven e o Tubarão como queriam resolver a situação, compraram fantasias e passaram pelo processo de alistamento, pois somente assim poderiam acessar o reino. Ao descobrirem quem era o verdadeiro rei ficaram boquiabertos e o tubarão Djair, o rei legítimo, não deixou a história quieta. Uma nova confusão acontece em busca do cetro e no retorno para a superfície, e assim a aventura continua e, claramente, não acaba por aqui! Em seu site das webcomics, a autora Bianca Pinheiro fala que a série Bear passará por um hiato, mas que ela voltará a produzir em breve, então vamos aguardar!

Isabela Giacomini é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e vê na literatura uma porta para outros universos e realidades.


Lara Cristina Victor
Este livro sensível conta sobre pequenas e grandes coisas do mundo. Foi escrito e ilustrado por Oliver Jeffers, que escreveu o livro para seu filho quando ainda bebê, a fim de lhe explicar sobre algumas coisas que ele considerava importantes do mundo, em suas palavras “enquanto eu tentava entender o mundo por você”.

O carinho e cuidado do autor pode ser sentido pelo leitor no decorrer da leitura, ao visualizar as imagens tão vibrantes e carregadas de detalhes, assim como a linguagem escrita tão simples e ao mesmo tempo tocante. Oliver explica minuciosamente tanto sobre a galáxia, sobre a terra e o mar, como sobre as pessoas, animais, cidade e campo.

São muitas as vezes em que estamos tão conectados nesse planeta, que não nos damos conta das coisas grandes que estão ao redor de nós e também das coisas pequeninas que passam despercebidas no decorrer de nossos dias. Coisas essas, que podem nos fazer refletir sobre como nada é fixo, eterno, imutável. Como tudo está em constante transformação, tudo muda, tudo troca de lugar. As coisas se desfazem, se destroem e também se criam novamente.


Observar tudo com um pouco mais de calma e de cuidado pode fazer com que aprendamos mais sobre o mundo e a pessoas, assim como desacelerar um pouco nosso ritmo frenético e mecânico, que apenas nos limita e empobrece a alma. Procuremos olhar mais para nós mesmos, fazer as coisas no nosso tempo e saber criar nosso melhor ritmo para que sejamos mais ativos, humanizados e transformadores.

Lara Cristina Victor é aluna do curso de Psicologia na Univille. Atua como bolsista no Prolij e vê em cada criança um pouquinho de si mesma.
Jennifer Bretzke Meier
Nick Carraway, um comerciante muda de cidade e acaba por se tornar vizinho de um bilionário conhecido por Jay Gatsby, o qual era conhecido pelas luxuosas festas que oferecia em sua mansão, tamanha riqueza era alvo de muitos rumores.

Após ser convidado para muitos eventos, Nick descobre que a maioria dos convidados sabe muito pouco sobre o magnata, qualquer traço de seu passado parece ter sido apagado; Intrigado Nick visita sua prima Daisy e seu marido Tom Buchanan, um antigo atleta universitário abastado, sem saber que a relação do casal com o bilionário misterioso era mais antiga do que ele poderia imaginar.

Daisy e Jay se envolvem amorosamente, aproveitam as festas e o entretenimento de Tom, para se verem. A audácia dos amantes se mostra insuficiente diante das amarras que os impedem de permanecerem juntos, e, apesar da fortuna, a maior preciosidade (Daisy) não estava ao seu alcance.



O “Grande Gatsby” escrito por F.Scott Fitzgerald não foi um sucesso em sua publicação, devido ao mal momento econômico no país de origem do autor (EUA), mas se destacou ao ser publicado anos mais tarde. A icônica obra trata de temas universais: poder, luxúria, cobiça, riqueza, orgulho e amor e ensina uma importante lição sobre o valor dos relacionamentos.
A obra também foi adaptada para o cinema, com o mesmo título do livro em 2013 e conta com a atuação de Leonardo DiCaprio e venceu as categorias de melhor figurino e melhor design de produção no Oscar de 2014.

Jennifer Bretzke Meier graduanda de Letras (Português/ Inglês) na Univille, atua como bolsista no Prolij e vê a literatura como fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento.


Fernanda Cristina Cunha
É na tinta acrílica que Odyr Bernardi transforma cada página da sua adaptação de "A Revolução dos Bichos" em uma obra de arte dando corpo e movimento ainda mais sensíveis à narrativa de George Orwell.

A Revolução dos Bichos, escrita em meio a Segunda Guerra Mundial, ataca satiricamente as práticas de Stalin e a própria história da União Soviética, criticando assim o que o regime instituído pela Revolução Russa se tornara.

Cansados de se submeterem a exploração, os animais da Granja Solar, motivados pelo discurso do velho Porco Major, veem a possibilidade de impelir uma revolta em busca da posse da fazenda. Em uma tentativa de implantar um sistema igualitário e cooperativo do qual possibilitem a eles deixar no passado a vida miserável e infeliz que vinham vivendo, cria-se uma nova tirania, agora muito mais opressora e doentia dos quais estavam sujeitos.


A realidade sombria escrita por Orwell pode a primeira vista ser apreciada como uma parábola simples e comovente. Contudo, se atendo a cada personagem, vê sê pintada a face da humanidade no seu melhor e pior. Destacando assim os demônios e as cruzes de cada ser humano: ganância, preguiça, inveja e dor.

Mas é na sensibilidade de Odyr que essa face se mostra ainda mais brutal. A adaptação quase nos faz crer que a história já foi concebida no HQ. Nada se perde e os textos mais marcantes aparecem de forma integral na obra, preservando assim as sensações de sua leitura. Cada página parece ganhar movimento diante o sentimento de impotência dos quais o leitor sujeita-se ao decorrer da história.

A revolução que se inicia através de um discurso nobre de igualdade entre todos os animais da Granja, mostra ao leitor com uma aterrorizante perfeição, como o poder transforma oprimidos em opressores. Parafraseando Christopher Hitchens "O que este livro nos diz é que aqueles que renunciam à liberdade em troca de promessas de segurança acabarão sem uma nem outra.

Fernanda Cristina Cunha é graduanda de Psicologia pela Univille. Atua como bolsista do Prolij e busca através dos livros que lê as longas caminhadas por dentro de si mesma. 


Isabela Giacomini
Cuidado com o menino! escrito e ilustrado por Tony Blundell e traduzido por Ana Maria Machado faz um revisitamento às histórias clássicas infantis que trazem a figura icônica do lobo mau. Nesse caso, a história remontada é de Chapeuzinho Vermelho, que assume a figura de um menino e do lobo que nem é tão mau assim, pois se coloca a ouvir os conselhos do menino. Este, por sua vez, mostra uma esperteza muito maior, e, mesmo que o lobo queira comê-lo prontamente, dá algumas sugestões de preparos de refeições especiais com meninos, entregando-lhe receitas mirabolantes.

Entre os pratos estão a sopa de menino, que precisa de ingredientes como uma tonelada de batatas, um barril de tijolos e um poço cheio d’água; um pastelão de menino, que leva uma vaca de leite, seis sacos de cimento, um tanque de feijão e outras coisas que parecem mais impossíveis ainda e, por último a receita de bolo de menino, super elaborada, que precisa de cinco baldes de bombeiro, um carrinho de mão de nozes, entre outros. O menino, como parece já saber qual é o objetivo do lobo, vai o despistando cada vez mais, mas será que ele é tão bobo assim?  

A obra é um revisitamento riquíssimo tanto dos personagens como do enredo, através de ritmo, de repetições que envolvem o leitor e de um tom bem-humorado. A figura do lobo é um dos elementos que mais chamam a atenção pela desconstrução que é proposta. Assim como há um grande engajamento na leitura pela familiaridade que traz ao conto clássico, por outro lado, cria um estranhamento em quem o lê, pois as personagens diferem, assim como suas atitudes perante situações já conhecidas ou previstas, fazendo com que a história crie um rumo único e ainda mais curioso.


O autor propôs rupturas também com a moral dos livros infantis, mais precisamente das fábulas, com os desenhos utilizados para representar a ferocidade do animal e com a cor proposital da camiseta do menino: vermelha.

Por isso, Cuidado com o menino! não poderia deixar de ser uma de nossas sugestões para trabalhar com crianças e jovens. Uma dica muito legal é a de apresentar a obra depois de já conhecerem alguns dos contos clássicos, especialmente Chapeuzinho Vermelho. Dessa forma, eles mesmos podem fazer inferências sobre o livro, o relacionando, achando semelhanças e diferenças e brincando também de reinventar as histórias a partir de uma atividade divertida que envolve habilidades de leitura e escrita.

Isabela Giacomini é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e vê na literatura uma porta para outros universos e realidades.




Lara Cristina Victor
O livro O Passeio, escrito por Pablo Lugones e ilustrado por Alexandre Rampazo, conta um pouco da história de um pai e sua filha. A história é apresentada inicialmente com o empurrãozinho dado pelo pai, que faz com que a menina supere o medo de andar de bicicleta sem rodinhas. Durante o passeio, a menina conta sobre as sensações e emoções vivenciadas na companhia do pai, revela como em alguns momentos, consegue ultrapassar o pai e em outros, é ele que toma a dianteira. Ainda, fala sobre como ora eles andavam juntinhos, quase que de mão dadas, ora a distância aumentava significativamente - e isso era natural -, e esse podia ser o momento perfeito para se deixar levar pelo vento e desfrutar a paisagem.

Essa leitura nos dá abertura para refletir sobre a imensidão que uma relação é capaz de alcançar, o quanto o contato saudável com o outro nos dá liberdade e confiança para continuar seguindo em frente, assim como aceitar que nem tudo terminará de forma feliz, mas o importante é desfrutar os momentos únicos deste percurso. É por meio deste passeio que a obra nos mostra o quanto que o tempo vai passando ligeiramente e não nos damos conta; o quanto precisamos aproveitar ao máximo o tempo que a vida nos dá, principalmente junto das pessoas que amamos e que nos fazem bem, e também, como sem estarmos preparados, de uma hora para outra tudo pode mudar.


Deste modo, essa é uma obra bastante delicada, com texto e ilustrações muito sensíveis que nos fazem vivenciar esse passeio de modo único, sendo essa uma história inspirada na vida do autor, que nos convida a nos aventurar neste e em tantos outros passeios literários.

Lara Cristina Victor é aluna do curso de Psicologia na Univille. Atua como bolsista no Prolij e vê em cada criança um pouquinho de si mesma.



Jennifer Bretzke Meier 
Em um grande labirinto moravam quatro amigos: Sniff, Scurry, Hem e Haw, todos os dias pela manhã, calçavam seus tênis e iam à procuro do que os deixava felizes: Queijo Mágico!

Sniff e Scurry tinham uma boa memória e eram capazes de se lembrar onde já haviam passado, por isso não tinham de desbravar novos caminhos, Hem e Haw também eram muito inteligentes, porém se sentiam inseguros com novas rotas e preferiam andar sempre pelas mesmas partes do labirinto. Em uma manhã especial os pequenos encontraram o Posto de queijo Q, um local do labirinto cheio de queijo mágico. Não poderiam estar mais felizes, se deliciavam com o queijo e imaginavam todas as coisas que poderiam fazer com aquele estoque imenso.

Nos dias seguintes, Sniff e Scurry acordavam cedo e seguiam para o posto de queijo Q, eles mediam o queijo para ver o quanto ainda restava e também o cheiravam para ver se não estava velho. Hem e Haw, começaram a acordar muito tarde e não procuravam mais por postos de queijo, pois achavam que duraria para sempre: eles estavam enganados. Sniff e Scurry ficaram tristes mas seguiram rapidamente atrás de um queijo melhor e mais saboroso, já os dois outros colegas se desesperaram com o ocorrido e Hem exclamou: Quem mexeu no meu queijo?! Se recusavam a aceitar que o queijo mágico tivesse chego ao fim, talvez fosse melhor sentar e esperar que quem o tivesse levado, o devolvesse.



Eles podiam esperar e nunca reaver seu queijo mágico, ou poderiam ir com Sniff e Scurry atrás do delicioso – e desconhecido – queijo novo.

Muitos dos leitores deste clássico expressaram o desejo de ter conhecido a obra ainda quando crianças, deste modo, Spencer Johnson em conjunto com Steve Pillegi, transpuseram a sensibilidade do tema através da leitura leve e ilustrações coloridas, dinâmicas e expressivas.

Quem mexeu no meu queijo? é um best-seller motivacional, que auxilia adultos, jovens e crianças ao fornecer formas de lidar com as mudanças na vida, abandonar o medo e encarar novos desafios, com a premissa de que se apegar ao passado pode impedir de desfrutar um futuro incrível.


Jennifer Bretzke Meier graduanda de Letras (Português/ Inglês) na Univille, atua como bolsista no Prolij e vê a literatura como fonte inesgotável de sabedoria e  conhecimento.
Tecnologia do Blogger.