Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais

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Adair de Aguiar Neitzel ¹





Jorge Luiz Antonio é pesquisador e poeta. Com esta obra, editada por Veredas & Cenários, ele não apenas estabelece alguns parâmetros necessários para delimitar este objeto de estudo tão contemporâneo, a poesia eletrônica, como nos convida, a cada linha, à leitura digital. E este objetivo a obra cumpre bem: mostrar como a tecnologia possibilita novos leitores potenciais para a poesia, este gênero tão esquecido principalmente nas instituições educativas. O leitor efetua um percurso de leitura que vai dando-lhe subsídios para estabelecer a diferença entre esse tipo de poesia das outras existentes. Sem apologia ao computador, Jorge Luiz Antonio propõe uma incursão pelas diversas conceituações que tratam de poesia e tecnologia, pois independente do aparato de que se serve o poeta, estamos falando do poema e a teoria literária brota a todo instante por meio de uma interlocução que trava com Kristeva, Wellek e Warren, Eco, Jakobson, Apollinaire, Pound, Pignatari, Barthes, Calvino, entre tantos outros.
O computador é uma máquina que desperta não só a atenção dos jovens leitores como também de poetas e, por isso, as possibilidades que ele oferece de agenciamentos semióticos, como produtor de signos poéticos, são acentuadamente explorados. Se computadores tornaram-se fundamentais para a Matemática e a Física, hoje, com esse novo gênero poético, podemos afirmar que eles também se tornaram fundamentais para os processos de leitura e escrita. Este livro põe em foco não apenas a arte da palavra, mas as artes plásticas, sonoras, cinéticas, pois ao pesquisar sobre a poesia em meio eletrônico descobrimos não apenas a linguagem verbal, mas a visual, a sonora e a cinética. Experiências estéticas como as de Sylvio Back, Kinopoems, que compõem o CD que acompanha o livro trazem uma nova visão não apenas acerca do poema, mas do fazer literário. Do ponto de vista estético, essas linguagens que se avolumam num só objeto tornam-se essenciais, pois determinam os processos que passam a compor os elementos de literariedades do texto literário.
Por meio da poesia eletrônica passamos a perceber melhor o aspecto da visualidade da palavra, pois mesmo que o poema seja feito somente de palavras, não se pode negar que a visualidade é fator preponderante no poema, assim como sua sonoridade. Uma imagem literária quer se concretizar por meio de uma imagem visual e/ou sonora, de sua plasticidade, ampliando o significado da palavra poética. A justaposição de várias linguagens leva ao leitor um texto mais poroso, aberto, estrelado, mais prenhe de sentidos. Esta é uma obra que aborda a experiência da poesia eletrônica de várias maneiras, em vários países, cotejando pesquisas, criações poéticas de várias épocas que provocam o leitor a se enveredar pelos labirintos da poesia eletrônica, entendê-la, e, sobretudo, apreciá-la.



ANTONIO, Jorge Luiz. Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais. Belo Horizonte: Veredas & Cenários. 2008


¹Professora doutora em Literatura pela UFSC. Atua no Programa de Mestrado em Educação da UNIVALI e nos cursos de graduação. Coordenadora do ContArte – contadores de historias da UNIVALI.





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Um comentário:

Í.ta** disse...

taí algo que precisa mesmo ser cada vez mais pensado, a escrita e a leitura nos meios digitais, e o como lidar com essas ferramentas todas no ensino.

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