sábado, 5 de abril de 2014

Vida e morte: forças que se alternam e se completam


Por Sueli de Souza Cagneti

Poeticamente escrito e ilustrado Frederico é a história do amor que – às vezes – pela vida – acontece.
Caído no ninho, com fome e cansado, um pequeno pássaro tem sua solidão agasalhada pelas mãos de uma menina com quem passa a dividir seus dias.
Mais que um belo livro, de literariedade indiscutível e de imagens suaves e – ao mesmo tempo – impactantes, Frederico é uma encantadora metáfora da morte acolhida com respeito e beleza. Ao ressignificá-la, aponta para uma dimensão nova tanto para quem parte como para o espaço que acolhe quem partiu.
Nesse livro, embora endereçado às crianças, fala com pessoas de todas as idades, as palavras “morte” e “cemitério” são sinônimos de desabrochamento e aconchego. Tudo que nosso olhar ocidentalizado está carente para melhor ver e aceitar a nossa condição de finitude e de urgência permanente de outro.
Leitura mais do que recomendável, portanto.

Obra: Frederico
Autora: Hellenice Ferreira
Ilustradora: Martha Werneck
Editora: Escrita Fina
Ano: 2013

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Convite: Defesa Dissertação de Mestrado

        Com muito prazer, o PROLIJ convida todos para prestigiarem a Defesa da Dissertação de Mestrado de mais uma prolijiana. 

        

        Parabéns, Luciane! Estamos torcendo por você.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O grande líder: Madiba



A partir de amanhã, será preciso mudar tudo no país,
unidos, sem ódio e sem espírito de vingança. (SERRES, 2012, p. 49)

Luciane Piai

         O autor Alain Serres e o ilustrador Zaü, ambos franceses, apresentam a obra: Mandela: o africano de todas as cores; um livro biográfico do maior líder africano e do mundo nos últimos tempos. No Brasil, a obra foi editada em 2013, ano de sua morte, ocorrida em 5 de dezembro.
 Serres conta toda a história de Mandela, do nascimento até depois do exílio. Inicia sua narrativa em 1918, ano de nascimento do menino Rolihlahla, na aldeia de Mvezo, na África do Sul. No primeiro dia na escola seu nome é alterado para Nelson Mandela, pois recebe um nome cristão e britânico. Ele sempre foi um aluno aplicado, forma-se em Direito em 1951, um dos primeiros advogados negros de Joanesburgo.
          O livro dá detalhes da história de luta de Mandela, suas primeiras batalhas contra o apartheid, e os vinte e sete anos de prisão. Enfim, Mandela é um homem livre no dia 10 de fevereiro de 1990, começa, então, outra grande luta – mudanças em seu país, como a implantação de novas leis, respeitando todos com igualdade. Em 27 de abril de 1994, acontecem as primeiras eleições livres no país, pela primeira vez os negros votam. No dia 10 de maio do mesmo ano, Mandela é o presidente da República. “Manifesta seu orgulho por dirigir ‘uma nação arco-íris, em paz consigo mesmo e com o mundo’.” (SERRES, 2012, p. 60)
Leitor, essa obra é uma daquelas que nos pega de jeito, que nos torna mais humanos e sensíveis a grandes causas como fez o líder Madiba.
A obra possui uma seção “Para compreender melhor”, na qual há um mapa da África do Sul e suas principais cidades, também explicações sobre: apartheid, CNA (Congresso Nacional Africano), colonização, economia, geografia, população, línguas e outros. E ainda, a cronologia de toda a sua história, algumas fotos significativas de momentos que marcaram a sua vida ou a do seu país. Por último o poema preferido de Nelson durante seu período na prisão: “Invictus”, do poeta britânico Willian Ernest Henley, escrito em 1875.
                                           
FICHA TÉCNICA:

Obra: Mandela: o africano de todas as cores
Autor: Alain Serres
Ilustrador: Zaü
Tradução: André Telles
Editora: Zahar

Ano: 2012

sábado, 25 de janeiro de 2014

Diálogos Brasil-África apontam caminhos para a mediação de novas produções infantis e juvenis




Por Luciane Piai
           
A obra Literatura infantil juvenil: diálogos Brasil-África, de Sueli de Souza Cagneti e Cleber Fabiano da Silva, publicada pela Autêntica, em 2013, vem diretamente ao encontro de nossa realidade brasileira. Enfim, parece que a Lei 10.639/2003 começa a ser vivenciada. Percebe-se, atualmente, uma grande quantidade de livros infantis e juvenis com a temática africanidade chegando mensalmente nas prateleiras das livrarias e das bibliotecas das escolas, faltando, porém, repertório para que as obras sejam trabalhadas em sua amplitude. Eis um livro que vem contribuir pioneiramente para a difusão e a exploração de obras voltadas para a temática em questão por aqueles que pretendem mediá-la, em especial, com crianças e jovens.
Os autores são experientes na área de literatura infantil e juvenil, e somente isso já é motivo para essa leitura teórica. Não bastasse, são “cri-ativos” quando trazem à tona a temática afro em forma de diálogo, compreensível aos discentes, aos docentes e aos interessados em ser sensibilizados para uma “trans-formação”, para um homem mais “cons-ciente”. Como se sabe, a história cultural brasileira ficou alheia à cultura afro no Brasil durante anos, todavia, esta última - por ser a essência de pessoas fortes e sábias - resistiu e se infiltrou nos diversos cantos das terras tupiniquins.
O livro apresenta e analisa algumas obras literárias com essa temática para possíveis leituras, tanto no campo verbal como no visual, instigando à percepção do que se encontra nas bordas, nas entrelinhas, nos intertextos e nas metáforas, por diferentes ângulos e em contextos ampliados. Tal proposta sugere uma mudança de pensamento em relação ao negro, ressignificando olhares sobre ele.
As intenções dos autores estão claras, pois ressaltam que a obra é um material de apoio ao professor, ao selecionar os livros, como também, a apontar a importância da mediação do docente em sala de aula.
 Vale lembrar que o prefácio foi escrito pelo Dr. Reginaldo Prandi, professor da USP, sociólogo, escritor e pesquisador com ênfase nas religiões afro-brasileiras.
Essa é leitura acertada!
                                                             
FICHA TÉCNICA:
Obra: Literatura infantil juvenil: diálogos Brasil-África
Autores: Sueli de Souza Cagneti e Cleber Fabiano da Silva
Editora: Autêntica
Ano: 2013

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Confraternização 2013

        No dia 1º de dezembro, primeiro domingo do advento, o novo lar de nossa querida Sueli Cagneti, na Praia Brava, recebeu os prolijianos para nosso tradicional amigo secreto, com direito a muita conversa, indicações de livros, carinho e sabores deliciosos de despedida e recomeço. 


        Após o delicioso almoço proporcionado pela coordenadora pelo seu aniversário e produzido pelo amigo Marcos, a prolijiana Áurea começou as festividades poéticas com a leitura de um texto próprio sobre o PROLIJ e seus membros.      


        Em seguida, a prolijiana e mestranda Luciane - que não participou do amigo secreto este ano - agradeceu toda dedicação de sua orientadora, presenteando nossa coordenadora. E também não ficou sem receber, Áurea com seu grande coração lhe trouxe um chocolatinho.


        O amigo secreto foi iniciado pela "dona do Prolij" que pegou nossa artista. Maria Lúcia ganhou os livros "Guaynê derrota a cobra grande", de Tiago Hakiy e "Os homens tristes", de Gustavo L. Ferreira e Paulo Vieira. 


        Maria Lúcia pegou a prolijiana colaboradora Ana e a presenteou com seu livro "A Narrativa Visual na Literatura Infantil Brasileira: Histórico e Leituras Analíticas" - que Ana ajudou a revisar - e o livro de contos "O casamento da Lua", da Ed. Boa Companhia.


       Ana, com um poema autoral, revelou que sua amiga secreta era a Rafaela e a presenteou com o livro "Canções", de Mario Quintana. 


        Rafaela pegou Sonia e lhe deu o elogiadíssimo livro do angolano Ondjaki "A Bicicleta que tinha Bigodes". 


     Sonia presenteou a Viviane com "A invenção de Hugo Cabret".

        
        Viviane presenteou Leandro com "Por que ler os clássicos", de Italo Calvino.


     Como não podia faltar, um amigo secreto repetido ocorreu. Leandro presenteou seu irmão Cleber com "Fábulas Selecionadas", de La Fontaine, com ilustrações de Calder. 


        Cleber, por sua vez, presenteou Áurea com "A mocinha do Mercado Central", de Stella Maris Resende e "Em busca do leitor literário", de sua autoria.

       Áurea, apesar de todos os desafios em seu caminho, conseguiu presentear Alcione com um lindo castiçal de advento.

        Para fechar o ciclo, desta vez sem trocas diretas, Alcione presenteou Sueli com um enfeite natalino para sua nova casa. 


        Como todo evento do Prolij, uma criança esteve entre nós, Gabriel, filho de Marcos, e não ficou sem receber um mimo. Também Marcos foi presenteado com "Pedro Pedreiro", de Fernando Vilela e Chico Buarque. Além de Sueli ganhar uma máscara da última viagem do Cleber e seu presente de aniversário dos prolijianos: dois jogos de copos e taças; afinal desejamos muitas realizações e brindes nesta nova fase. 




        O Prolij encerrou assim suas atividades de 2013 e deseja a todos boas festas!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Os orixás no Brasil


Por Luciane Piai

 O livro Contos e lendas afro-brasileiros: a criação do mundo apresenta lendas e mitos africanos por meio de doze contos que abordam a criação do mundo.  A personagem principal desse enredo é uma fictícia jovem mãe africana, chamada Adetutu, do povo iorubás. Ela foi capturada, acorrentada e lançada num porão de navio negreiro para ser trazida ao Brasil, juntamente com outros como escravos.
Foram muitas as suas perdas, grande o sofrimento, para esquecer a dor do distanciamento dos seus dois filhos, Taió e Caiandê. Da sua família e da sua aldeia, ela se transporta, através do sonho, para o mundo espiritual de seu deus Xangô, de quem era filha e sacerdotisa devota. Uma única era a certeza: não tinham lhe tirado as suas memórias; havia também orgulho de sua origem nobre, de seus deuses e de seus ancestrais.
Adetutu sonhou com a criação do mundo e dele participou: Olorum, o Ser Supremo, encarrega o filho mais velho, Oxalá, na missão da criação, porém, devido a sua prepotência, Exu, seu irmão mais novo, apronta as suas façanhas e Odudua, outro irmão, é quem cria todos os elementos do mundo. Todavia, faltava criar o ser humano e esse poder estava na cabeça de Oxalá. Após várias tentativas, ele consegue transformar em humanos. A Iemanjá, chamada de Odóia, de Iá Mi, Rainha do Mar e Senhora do Oceano, coube cuidar das cabeças de todos os homens e mulheres.
Prandi, no epílogo, continua a narrativa da chegada de Adetutu em Salvador, Bahia, onde foi vendida como escrava urbana e após trinta anos compra a alforria e constrói um templo para Xangô; estava assim criado o candomblé, a religião dos orixás em terras brasileiras.
O autor, no apêndice, apresenta através de documentos iconográficos o ritual da religião afro. Que tal, você também participar  da criação do mundo?
                                                                     
FICHA TÉCNICA:

Obra: Contos e lendas afro-brasileiros: a criação do mundo
Autor: Reginaldo Prandi
Ilustradora: Joana Lira
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2007

domingo, 8 de dezembro de 2013

Escutem os griôs!



Por Luciane Piai

            Os griôs são contadores de histórias da tradição oral africana; dominam e guardam a palavra para o registro de suas memórias. O nome griô é específico da antiga região do Mali e começou a ser utilizado no século XVII, pois antes disso era conhecido por diéli. Em outras línguas, ou seja, em outros países, eles recebem nomes diferentes como: jaaro, bambaado, wambaabe, guewel e marok’i.
            Para se tornar um deles era necessário ser filho de pai e mãe griôs e, por tradição, receber uma educação especial para se tornar autêntico. É interessante saber que cada grande vila tinha sua aldeia desses contadores de histórias. Eles tinham as escolas específicas, nas quais aprendiam as técnicas de memorização, a confecção dos instrumentos musicais e como tocá-los, além do uso das vestimentas adequadas para cada ocasião. Quanto às mulheres, elas recebem o nome de griotes. A sua formação é distinta da dos homens, sendo transmitida de mãe à filha. Elas dominam o canto, a dança e tocam os instrumentos. “Os griôs podem ter o conhecimento de mais de mil contos ou ser peritos na arte dos provérbios.” (LIMA & HERNANDEZ, 2010, p. 26)
            Eles conhecem as suas histórias e as repassam – palavra a palavra. E entoam canções na hora da colheita, ao som de seus tambores, de seu balafom e da sua kora, recordando, assim, o tempo da fartura.
Cada um tinha a sua faceta: os instrumentistas, os poetas, os cantores, os dançarinos, os sábios dos provérbios, o distribuidor de contos e lendas, os guerreiros, os sacerdotes, os genealogistas, os conselheiros, os representantes do governo e os diplomatas.
 Que tal conhecer a história de Sundiata Keita e do seu griô, Bala Fasekê Kouyaté? Venha ouvir a kora de vinte e uma cordas.
                                                     
FICHA TÉCNICA:

Obra: Toques do griô - Memórias sobre contadores de histórias africanos
Autoras: Heloisa Pires Lima & Leila Leite Hernandez
Ilustrador: Kaneaki Tada
Editora: Melhoramentos
Ano: 2010