Neste ano de 2017, o Grupo de Leitura e Discussão aqui do Prolij, coordenado pela professora Berenice Rocha Zabbot Garcia, discutiu a obra “Por que ler os clássicos”, do escritor italiano Italo Calvino. O livro consiste em um compilado de ensaios que Calvino escreveu ao longo de sua vida, organizado pensando nas obras que, para ele, são clássicos fundamentais (conceito que também aborda em sua discussão, aliás). Em sua seleção estão autores como Homero, Charles Dickens, Gustave Flaubert, Ernest Hemingway, Jorge Luís Borges, além de muitos outros (talvez nem tão conhecidos nossos até então).

Inspirados por essa obra, os integrantes do Grupo construíram suas próprias listas com os 5 clássicos que julgam serem os mais importantes para suas histórias como leitores. Afinal, como também nos lembra María Teresa Andruetto, cada leitor constrói seu próprio cânone, independentemente do que diz a academia, o mercado ou a escola. Pois, "[...] há caminhos entre livros e que, entre os caminhos, há sempre um caminho pessoal para transitar nesse bosque. E que esse caminho pessoal é aberto de livro em livro, numa sucessão de seleções" (in: Por uma literatura sem adjetivos, SP: Pulo do Gato, 2012, p. 96).

Asim, as seleções de cada participante podem ser conferidas abaixo!



Berenice Rocha Zabbot Garcia

Odisseia, de Homero
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago
Romeu e Julieta, de William Shakespeare



Gabrielly Pazetto

Li estes livros em momentos muito distintos da minha vida, mas todos eles foram fundamentais para que me constituísse como leitora e para que eu optasse pelo curso de Letras para estudar a literatura. Há os que me fizeram chorar, os que me fizeram rir e os que me causaram muita angústia, mas todos são revisitados anualmente em minha estante e sempre me dizem algo novo.

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll
Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Dom Casmurro, de Machado de Assis
Jane Eyre, de Charlotte Brontë



Jéssica Duarte de Oliveira

Cada livro da minha lista representa uma parte de mim. Suas especificidades e singularidades acabaram por me constituir como leitora e como pessoa. Foi na graduação que me tornei leitora assídua da nossa literatura que é rica e variada. Cada um desses autores desperta em mim uma nova forma de encarar o mundo, novas verdades e experiências únicas.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Vermelho Amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós
Fita Verde no Cabelo, de João Guimarães Rosa
Helena, de Machado de Assis
Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles



Isabela Giacomini

Os meus livros clássicos favoritos são todos brasileiros, não apenas pelo amor que tenho pelo país, mas pela qualidade literária produzida, mesmo tendo sido realizada muito tempo depois da Europa. Entre eles está Dom Casmurro, o livro que despertou meu interesse pela literatura brasileira, pois até ao momento eu apenas gostava de best-sellers. Depois dele, passei a ler outros clássicos brasileiros e meu amor só aumentou, posso dizer que foi o precursor desse processo. Outro grande clássico é Lucíola, lido no primeiro ano da graduação de Letras, que foi inovador, além de falar da mulher da época com uma perspectiva completamente diferente da contemporaneidade; uma obra altamente reflexiva e de crítica social. O alienista também é um de meus preferidos, na verdade, foi uma indicação de minha irmã, e ao final me apaixonei pelo enredo, pela construção das personagens e mais uma vez, pelos desfechos machadianos inesperados.  Outra grande obra é Auto da Compadecida, uma das poucas peças teatrais que já li, mas que com certeza a que cultivo com maior amor. Fiz sua leitura para um vestibular e acabei me encantando com o humor e com as críticas propostas por Suassuna. O livro denuncia comportamentos sociais utilizando-se de recursos riquíssimos e sendo feito com a intenção de ser encenado, de ir ao palco e de estabelecer uma relação concreta e direta com o espectador. Também não poderia faltar uma obra de grande desconstrução pessoal: O Cortiço, que me trouxe grandes reflexões sobre a sociedade, além da vontade de ler variados gêneros, sendo crucial para eu ampliar meu gosto literário.

Dom Casmurro, de Machado de Assis
Lucíola, de José de Alencar
O Alienista, de Machado de Assis
Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna
O Cortiço, de Aluísio Azevedo



Nicole de Medeiros Barcelos

Todos estes livros estiveram, cada um à sua maneira, em algum momento da minha formação enquanto leitora, e de uma forma ou outra suas leituras continuam ecoando em mim, transformando-se em outros olhares a cada revisitar desses textos (nem sempre só verbais). Suspeito que estes livros disseram, dizem e continuarão dizendo muito nos anos ainda por vir, por bem ou por mal, e talvez revelem mais sobre si mesmos e essa que os lê.

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll
O Cântico dos Cânticos, de Ângela Lago
A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga
Contos de Fadas, de Perrault, Grimm, Andersen e outros
Ida e Volta, de Juarez Machado



Vander Claudio Sezerino Junior

Escolhi estes livros porque foram aqueles que durante a leitura plantaram suas palavras dentro de mim, entenderam-se além do tempo em que os tive nas mãos. Foram livros que dialogaram, e com carinho comunicaram sobre a cultura e o humano de outros tempos.

Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
A Revolução dos Bichos, de George Orwell
O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson
O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch



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Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Jéssica Duarte de Oliveira é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Acredita que a literatura é uma porta de acesso à liberdade.

Isabela Giacomini estuda Letras na Universidade da Região de Joinville. Participou do Grupo de Leitura e Discussão e do Clube do Conto promovidos pelo Prolij e é apaixonada pela literatura.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.

Vander Claudio Sezerino Junior é graduando em Letras (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) pela Univille e acredita que a literatura é a criação e a habitação de novos mundos.
Ao longo do terceiro bimestre da disciplina de Literatura Infantil Juvenil, a professora dra. Berenice Rocha Zabbot Garcia desenvolveu uma atividade com os acadêmicos do 2º ano de Letras, que consistia em construir um texto híbrido a partir da análise de obras infantis juvenis por ela selecionadas. Os textos consistiam em uma resenha crítica da obra e uma leitura comparativa analisando sua relação com contos de fada. O resultado de um dos trabalhos desenvolvidos pode ser conferido abaixo!

Percepções sobre “O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro, e o Grande Urso Esfomeado”

Karina Steiner
Luana Seidel
Victória Maria Nielson

O livro “O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro, e o Grande Urso Esfomeado”, publicado pela editora Brinque Book e escrito por Don e Audrey Wood, trabalha com as questões do imaginário do leitor no momento de percepção do texto, graças às ilustrações de Don Wood.
A narrativa inicia com a ilustração de um pequeno rato saindo de sua casa carregando uma escada de madeira, e a primeira surpresa do leitor é causada pelo texto verbal: é a fala do narrador, que não é direcionada para o leitor, e sim para o personagem do Ratinho, questionando-o sobre o que ele está fazendo.

Em geral, obras de personagens animais tendem a ser classificadas como fábula, onde esses falam, e têm intenção de expor a moral da história, dividindo-os em bons e maus, final feliz ou infeliz. Este, porém, não é o caso desta obra. O personagem é objeto da conversa direcionada do Narrador, mas não responde verbalizando, o faz apenas com gestos e reações ao que lhe está sendo dito. Desta forma, no decorrer da história, o Narrador traça uma espécie de diálogo nessa interação com o Ratinho.

Seguindo a trama, o Narrador percebe que o Ratinho está indo em direção a um morango vermelho maduro. Percebemos que apesar de nada ter a ver com a história da Chapeuzinho Vermelho, ainda está demarcada a presença da cor vermelha, representado pelo morango maduro.
Enquanto o Ratinho está trabalhando para conseguir colher o morango, que é praticamente do seu tamanho, o Narrador o avisa sobre o perigo do grande Urso Esfomeado, ressaltando o quanto este gosta de morangos vermelhos e maduros! O personagem do Ratinho demonstra preocupação e medo através de suas feições, e continua trabalhando, cada vez mais rápido, para colher o morango, enquanto o Narrador continua descrevendo o Urso, que é um bom farejador de morangos vermelhos maduros - principalmente os recém colhidos, uma vez que o Ratinho conseguira soltar o morango.
O Ratinho, na tentativa de evitar que tenha seu morango roubado, procura protegê-lo e escondê-lo. O detalhe que serve de investigação na história é que, durante toda a narrativa, o personagem do Urso Esfomeado, que é colocado como vilão, não aparece, e a única evidência da sua existência é o discurso do Narrador, que apresenta a solução para que o Urso não possa pegar o morango: cortá-lo em dois e dar a metade para o Narrador, para que então os dois possam devorar a fruta por inteiro. Por fim, é esclarecido que, assim tendo sido devorado, o Morango não poderia mais ser roubado pelo Urso.

Apesar de não ter sido representado nas ilustrações de Don Wood, a presença ou não do urso é trabalhada como uma figura selvagem e perigosa, deixando o suspense das possibilidades de culpa, assim como de costume nas narrativas infantis.
Contrariando a possibilidade de legitimar esta obra como fábula, o fim não possui cunho moralizante, pois permite a dúvida sobre o enredo. O Urso Esfomeado era real? Poderia, o Narrador, ter usado tais ameaças para manipular o Ratinho e se beneficiar com o alimento? Ou até mesmo o Ratinho, criando a ilusão dos avisos do Narrador para comer o Morango por inteiro, demarcando o Princípio da Realidade e Princípio do Prazer, quando o desejo de devorar o alimento por inteiro o faz extrapolar a possibilidade de poupá-lo. Pouco se pode deixar estabelecido como certo sobre o final da história, além de que a intenção do autor foi, provavelmente, intrigar o leitor para as possibilidades de desvendar.

Sabendo que as narrativas de hoje são, invariavelmente, influenciadas pelas narrativas primordiais e clássicas, pode-se relacionar aspectos relacionados entre esta obra e contos das Mil e Uma Noites. Bettelheim, na sua obra, discorre sobre As Maravilhosas Viagens de Simbad, ou Simbad, o Marujo, sobre o conflito entre as personalidades de um mesmo personagem, impossibilitando legitimar o real e o irreal “os contos de fadas têm diversos níveis de significado. Num outro nível de significado, os dois protagonistas dessa história representam as tendências conflitantes dentro de nós que, caso não consigamos integrar, certamente nos destruirão”. Essa história pode não apresentar uma moral, mas o cunho manipulativo do Narrador nos remete às histórias contadas pelos pais da nossa geração, quando tentavam nos intimidar para que obedecêssemos, como a história do "Homem do Saco", por exemplo, que mesmo não fazendo parte dos contos clássicos, ou primordiais, fazia de fato, parte da 

WOOD, Audrey; WOOD, Don. O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e O Grande Urso Esfomeado. São Paulo: Brinque-Book.

BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. São Paulo; Paz e Terra, 2014



Karina Steiner é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille. Adora viajar para dentro das histórias que lê, e leva no coração as pessoas e lugares incríveis que conhece nelas.

Luana Seidel é graduanda do curso de Letras da Univille, trocou o oxigênio por arte há tempos – e não se arrepende disso.

Victória Maria Nielson é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, nas horas vagas aventura-se desbravando o mundo por trás da lente de uma câmera, ou simplesmente desfrutando de um bom dia em meio à natureza.
Ao longo do terceiro bimestre da disciplina de Literatura Infantil Juvenil, a professora dra. Berenice Rocha Zabbot Garcia desenvolveu uma atividade com os acadêmicos do 2º ano de Letras, que consistia em construir um texto híbrido a partir da análise de obras infantis juvenis por ela selecionadas. Os textos consistiam em uma resenha crítica da obra e uma leitura comparativa analisando sua relação com contos de fada. O resultado de um dos trabalhos desenvolvidos pode ser conferido abaixo!

O Universo infantil na obra de Stephen Michael King


Bruno Dietrick Rodrigues
Gabriel da Costa Porto Silva
Samantha Schubert


A obra Patrícia, de Stephen Michael King, foi publicada originalmente em 1997 pela Scholastic Australia Pty Limited e no Brasil pela Brinque Book Editora, também em 1997.
O livro conta a história de uma garota chamada Patrícia, que nutria muitos pensamentos dentro de si e tinha uma profunda necessidade em compartilhá-los com alguém. A menina tenta falar com sua mãe, pai e avó, porém nenhum deles lhe dá atenção. Só encontra um confidente no seu avô, afinal, ele também adorava dividir suas ideias.
O autor oportuniza diversas reflexões referentes aos personagens mãe, pai e avó, representantes da constante desatenção dada às indagações no período da infância, uma fase onde a criança pergunta sobre tudo e todos, já que está curiosa para descobrir o mundo em que está inserida. A falta de atenção desses familiares também permite uma reflexão sobre o dia a dia corrido de um adulto. Patrícia queria falar e ser ouvida. Queria alguém de confiança para repartir seus secretos pensamentos.
As ilustrações de King possibilitam interpretações que a linguagem verbal não é capaz de oferecer. Um exemplo disso é o cenário em que a figura do avô se encontra. Diferentemente dos cômodos em que se encontram a mãe, o pai e a avó, há variados pensamentos que brotam de seu sono. E há também um pensamento alegre fora da gaiola, enquanto que no cômodo da avó, esse mesmo pensamento está angustiado. O avô, na história, é a figura acolhedora que não permite a ausência de sua criança interior.
Com todas as suas reflexões, a história aborda a importância da infância. O voltar a ser criança exige um amadurecimento ainda maior que o tornar-se adulto. A criança pensa e necessita ser considerada. Retratar os pensamentos de uma criança é fundamental para adentrar no universo infantil.

KING, Stephen Michael. Patrícia. São Paulo: Brinque-Book, 1997.


Os acadêmicos também produziram um vídeo utilizado para a contação da história e para refletir sobre possíveis comparações de Patrícia com os contos de fadas e a contemporaneidade. 




Bruno Dietrick Rodrigues é graduando em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, apaixonado por música e amante de jogos e filmes. 

Gabriel da Costa Porto Silva é graduando em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) e em tempo vago se conduz em meio à música.

Samantha Schubert é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Inglesa) e duela constantemente com seus estranhos e imprevisíveis devaneios enquanto caminha e dança com a palavra.
Ao longo do terceiro bimestre da disciplina de Literatura Infantil Juvenil, a professora dra. Berenice Rocha Zabbot Garcia desenvolveu uma atividade com os acadêmicos do 2º ano de Letras, que consistia em construir um texto híbrido a partir da análise de obras infantis juvenis por ela selecionadas. Os textos consistiam em uma resenha crítica da obra e uma leitura comparativa analisando sua relação com contos de fada. O resultado de um dos trabalhos desenvolvidos pode ser conferido abaixo!

Os contos de fadas e "Por quê?"

Ana Carolina da Silva
Bruna M. dos Reis
Kauane Cambruzzi
Nicole Spindola

Clássicos da literatura mundial, os contos de fadas têm origem em tempos remotos e nem sempre se apresentaram como os conhecemos hoje. O aspecto fantasioso e lúdico que hoje os envolve surgiu da necessidade de minimizar enredos controversos e polêmicos, próprios de uma época em que a civilização ainda não havia inventado o conceito que hoje conhecemos tão bem: a infância. Chamamos de contos de fadas porque são histórias que têm sua origem na cultura céltico-bretã, na qual a fada, um ser fantástico, tem importância fundamental. A primeira coletânea de contos infantis surgiu no século XVII, na França, organizada pelo poeta e advogado Charles Perrault. As histórias recolhidas por Perrault tinham origem na tradição oral e até então não haviam sido documentadas. Sendo assim, a Literatura Infantil como gênero literário nasceu com Charles Perrault, mas só seria amplamente difundida posteriormente, no século XVIII, a partir das pesquisas linguísticas realizadas na Alemanha pelos Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm). 

Com o tempo, os contos de fadas foram sofrendo alterações,. A essas alterações que foram necessárias para diminuir o impacto negativo das estórias originais. Hoje, histórias com temáticas violentas podem afetar negativamente na formação das crianças. Mas, ainda há resquícios dessas histórias, com temáticas um pouco mais leves, e mesmo assim impactantes. "Por quê?", de Nikolai Popov nos traz um não final feliz, o que um costumeiro conto de fadas traria, e um final que não traz a solução para o problema, e sim um questionamento. Sendo assim, faz com que o próprio leitor decida qual a moral que ele levará desse livro.

O livro nos traz questionamentos de algumas atitudes negativas que o ser humano costuma ter como a inveja, a cobiça, a vaidade e o egoísmo. E como consequência disso, a guerra. Sem muitas palavras, o livro apresenta ilustrações, que falam por si só, e protagonistas aparentemente simpáticos. Uma rã admiradora de belas flores, e um ratinho com seu guarda-chuva laranja, que depois se mostra muito invejoso.

O ratinho acaba por atacar a “pobre” rã e uma guerra é então iniciada. No fim, nenhum dos dois se lembra a real razão para o início de tanto desastre. O livro, apesar de infantil, nos faz refletir o por quê crescer pode ser tão desastroso. Onde, num mundo que nos faziam acreditar que deveríamos ser bons com o próximo, o “eu” está sempre na frente.

POPOV, Nikolai. Por quê? São Paulo: Ática, 2000.


Bruna dos Reis é graduanda em Letras (Língua Portuguesa) na Univille. É professora do Estado e divide suas leituras entre literatura e marxismo. 

Kauane tem os cabelos cacheados e sabe que deve agradecer à bisavó por eles, assim como deve agradecer ao pai por lhe comprar livros e à mãe por lê-los, trazendo a literatura para sua vida.

Nicole Talgatti Spindola, graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa), é apaixonada por ensino e vê na educação a chance de uma vida mais leve. 
Ao longo do terceiro bimestre da disciplina de Literatura Infantil Juvenil, a professora dra. Berenice Rocha Zabbot Garcia desenvolveu uma atividade com os acadêmicos do 2º ano de Letras, voltada para a criação de textos híbridos a partir da análise de obras infantis juvenis previamente selecionadas. Com uma resenha crítica e um vídeo, um dos trabalhos desenvolvidos pode ser conferido abaixo!

Amizade e aprendizagem

Andreza Moreira Martins 
Bruna Saramento Furlan
Suellen do Nascimento Silva 

O livro Pedro e Tina, de Stephen Michael King, publicado pela editora Brinque-Book narra a história de Pedro, que fazia tudo ao contrário. Suas linhas não saíam retas, e quando todos olhavam para cima, ele olhava para baixo. Contudo, ele se divertia por aí cheio de alegria. Um dia, ele encontra Tina e a partir daí, novas aventuras e aprendizagens estão para surgir.

A garotinha fazia tudo corretamente, mas lá no fundo ela não queria fazer tudo tão certinho. Apesar de suas diferenças, os dois se tornam grandes amigos. Ensinando um ao outro é que aprendem muitas coisas novas e até constroem juntos uma casinha na árvore!

As ilustrações dessa linda história são feitas pelo próprio autor, Stephen Michael King, e trazem com encanto cores e muita graça para a narrativa. A amizade dessas duas personagens cativantes retrata uma mensagem muito importante e especial para compartilhar e praticar!

KING, Stephen Michael. Pedro e Tina. São Paulo: Brinque-Book, 1999.



Além da resenha crítica, as acadêmicas produziram um vídeo com uma comparação do livro com os contos de fadas! 

Andreza Moreira Martins é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) pela Univille. Adora séries e músicas e é apaixonada pela gramática.

Bruna S. Furlan é graduanda em Letras na Univille e acredita que as palavras gentis são sempre a melhor escolha.

Suellen do Nascimento Silva é graduada em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) e acredita que em cada livro há uma possibilidade de conhecer mundos novos. 
Nicole Barcelos


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia 
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia [...] 
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia 
E para onde ele vai 
E donde ele vem. 
E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 
(Alberto Caeiro, in Fernado Pessoa, O Guardador de Rebanhos) 


Rio é vida. É também cama de canoa, espelho da lua, caminho de peixe e carinho de pedra, nas palavras de Leo Cunha em Um ria, um rio, publicado pela editora Pulo do Gato em 2016 – não ao acaso também no “aniversário” de um ano da tragédia de Mariana (MG), ocorrida em 5 de novembro de 2015. 

Dando voz a um rio (aqui sabemos se tratar do próprio Rio Doce), que é narrador e eu-lírico da poesia verbal e visual tecida em dolorosa harmonia por Cunha e André Neves, que assina a ilustração; a obra traduz o “indizível”. Pois, esse eu-lírico, olhando para seu próprio passado, presente e futuro de uma terceira margem, lança nova luz sobre essa tragédia que levou, essencialmente, toda a vida dentro, fora e às margens do rio.

Pois, é com gosto de doçura interrompida que o leitor acompanha, página a página, o rio se tingir de tons cada vez mais escuros, deixando o azul límpido e tranquilo até sangrar em vermelho amargo o fim das escolas, dos campinhos, dos trens, do riso das crianças, das festas de domingo e dos cantos dos ribeirinhos.

Ao final do livro, é essa bittersweetness que se pode sentir na boca, acompanhada de um aperto no coração, acalentados apenas pelo azul que volta a colorir as páginas da obra, pontuando a esperança de que esse rio, um dia, volte a ser o que já foi.


CUNHA, Leo. Um dia, um rio. Ilustr.: NEVES, André. São Paulo: Pulo do Gato, 2016.



Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
Nessa terça-feira (31/10) o 59º Prêmio Jabuti revelou seus vencedores para o ano de 2017. Entre os 87 premiados (de 1º, 2º e 3º lugar), destacamos dois livros das categorias infantis: "A Boca da Noite", de Cristino Wapichana (3º lugar na categoria de Livro Infantil) e "Adélia", de Jean-Claude Alphen (1º lugar na categoria Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil). Venha descobrir que, talvez,  essas duas histórias tenham mais em comum do que a premiação que receberam e confira as resenhas delas abaixo!


Os Mistérios da Boca da Noite

Gabrielly Pazetto

A Boca da Noite, de Cristino Wapichana, com ilustrações de Graça Lima, lançado em 2016 pela editora Zit, acompanha as façanhas do indiozinho Kupai e seu irmão Dum. Juntos, eles descobrem os mistérios d’A Boca da Noite

Dum e Kupai, dois curumins, ouvem, sob a luz da fogueira, a história da Boca da Noite, e ficam imaginando como seria esta tal boca, afinal, “se tem boca, deve haver um corpo!”. E, morrendo de medo, sonham, ou melhor, perdem o sono, pensando que aquela boca enorme e cheia de dentes pode devorá-los. 

A escrita de Wapichana envolve. Cheia de diálogos e reflexões narradas em 1ª pessoa, o escritor consegue transmitir a cultura do povo Wapichana, criar personagens cativantes e ainda desenvolver uma história divertida e cheia de mistério, mas onde tudo acaba bem no final, pois “É a boca da noite que ajuda a manter o equilíbrio da vida na Terra e de todos os viventes”. 

As ilustrações de Graça Lima são uma obra de arte à parte. Em uma página, somos banhados pelo luar e a noite, em outra é o Sol que enche o livro do seu amarelo intenso. Enquanto Wapichana nos presenteia com a sua envolvente narrativa escrita, Graça Lima apresenta uma verdadeira composição de tons, texturas e traços, coroando a obra dos pequenos curumins. 

WAPICHANA, Cristino. A Boca da Noite. Rio de Janeiro: Zit, 2016.


La vie en rose

Nicole Barcelos

Em um mundo cinzento, pincelado timidamente de rosa e verde, vive Adélia. De dia, ela brinca com seus irmãos. À noite, porém, enquanto todos dormem, algo um tanto estranho acontece com a pequena personagem que dá nome à obra de Jean-Claude Alphen.

Publicada em 2016 pela editora Pulo do Gato, Adélia cria, em uma narrativa em que texto visual e verbal (ambos de autoria de Alphen) engendram relação simbiótica, uma deliciosa história sobre descobertas – tanto para sua protagonista quanto para o próprio leitor que a acompanha. 

Pois, nesse delicado livro, matizado pelas cores de seus personagens, somos conduzidos por entre as lacunas criadas pelos ditos e não-ditos, luzes e sombras lançados pelo narrador que propositalmente recorta a história com suas palavras e desenhos de modo a provocar felizes surpresas à cada virada de página. 

Singularmente singelo, Jean-Claude Alphen encanta com traços e verbos bem colocados nessa história em que, é certo, nada é por acaso.


ALPLHEN, Jean-Claude. Adélia. São Paulo: Pulo do Gato, 2016.

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Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
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