segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Onde vive o lobo

Por Carolina Reichert

O livro “Fita verde no cabelo”, de João Guimarães Rosa, publicado pela editora Nova Fronteira, em 1992, e ilustrado por Roger Mello, traz uma releitura da conhecida história de “Chapeuzinho Vermelho”.
Nessa, como na original, a menina é mandada à casa da avó pela mãe, com cesto e pote e uma “fita verde inventada no cabelo”. O caminho trilhado por Fita-Verde também é repleto de distrações, mas diferente das versões conhecidas, dos Irmãos Grimm e de Perrault, não há sinal de lobo, e é a própria Fita-Verde quem escolhe trilhar o caminho mais longo.
O lobo, até então ausente na história de Guimarães Rosa, é encontrado na casa da avó que, já doente, despede-se de sua neta, quando questionada sobre seus olhos: “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha…”. Fita-Verde conhece a morte pela primeira vez, e este grande lobo consome parte do mundo que conheceu até ali.
Em “Fita verde no cabelo”, Guimarães mostra ao leitor novas possibilidades de leitura, aproximando a clássica história de “Chapeuzinho Vermelho” do cenário brasileiro, também tornando o temido lobo mau em medos comuns a todos, como são a morte e a solidão que Fita-Verde vivencia. Além disso, a liguagem poética usada pelo autor só tem a favorecer a leitura do conto.
A ilustração de Roger Mello é outro ponto enriquecedor quando se trata de linguagem. O ilustrador possibilita um novo olhar sobre a leitura, traduzindo sentimentos que a obra desperta e guiando o leitor por diferentes perspectivas do conto.
Fita verde no cabelo” é uma obra que pode ser apreciada tanto por jovens quanto por adultos. A narrativa é atemporal e trabalha de maneira poética temas universais, comuns a todo ser humano, independente da idade.



Obra: Fita verde no cabelo.
Autor: Guimarães Rosa
Ilustrador: Roger Mello
Editora: Nova Fronteira
Ano: 1992.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um grande amor!

Por Msc. Alcione Pauli
alcionepauli@hotmail.com


                                   “A primeira luz reinava absoluta. Porém, quando foram criadas as noites que serviam para os homens descansarem, as serpentes resolveram roubá-la, e a esconderam em uma caverna.”
GUARÁ,2011,p.09

Com muita sensibilidade e delicadeza no traçado da escrita, Roní Wasiry Guará, artista da etnia Maraguá, traz o relato do surgimento do primeiro grande amor do mundo.
O texto inicia com o cuidado de informar ao leitor de que lugar é a história, ou seja, há uma contextualização sobre o mundo ao qual a narrativa pertence.  Há ainda um glossário para esclarecer vocábulos escritos em tupy.
Roní Wasiry Guará, em sua primeira publicação, escreve suavemente sobre a existência de um primeiro grande amor. Conta como foram os primeiros contatos, os gracejos, as relações... a separação e como conseguiram superar a distância e encontrar-se.
Quem são os protagonistas deste amor? Onde eles estão? Ele existe? Há de ter amor à distância? O que é o amor?
Um texto apaixonante, humano que trata do mito do surgimento de um fenômeno natural. Para conhece-lo, basta ler e voar no livro: Çaíçu ´Indé: O primeiro grande amor do mundo um livro com sabor de estrelas e com os sons dos raios de sol.
Obra: Çaíçu ´Indé: O primeiro grande amor do mundo
Autora: Roní Wasiry Gruará
Ilustradora: Humberto Rodrigues
Editora: Valer

Ano: 2011

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DIVULGANDO!

PALESTRA DE ABERTURA GRATUITA
DATA:29/09 -19h
saberes do Candomblé na Contemporaneidade-Intolerância Religiosa
Palestrante: MS: Dalzira Maria Aparecida-Yagunã
A Religiosidade Como Fator Identitário
Palestrante: Professor MS: Geraldo Luis da Silva
Local: Rua Arildo José da Silva, 99
Bairro: Itinga II Araquari SC
Telefone: /47/ 3454-5772/91627303/ALAÍDE



segunda-feira, 23 de junho de 2014

O mundo feérico e suas releituras na contemporaneidade

 Por Eliane Santana Dias Debus

Quem de nós não tem guardado em sua memória de leitura alguma narrativa feérica, localizada num tempo não marcado do “Era uma vez... e num espaço indefinido de “um lugar muito distante”, envolvendo personagens heroicos, que superam obstáculos auxiliados por seres mágicos? Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Cinderela... Narrativas recolhidas da tradição popular, em particular por Charles Perrault e pelos Irmãos Jacob e William Grimm, e que circulam há muito e que fazem parte da memória coletiva de gerações.
Muitas dessas narrativas, conhecidas como Contos de fadas, colaboraram para a solidificação do cenário da literatura infantil e juvenil nos últimos trezentos anos e, ao longo dos últimos anos, numa tendência mundial, foram revisitadas, recebendo nessa revisita várias denominações “conto de fadas modernos”, “Reconto” (categoria utilizada pela FNLIJ), entre outros. Nesse cenário, muitas vezes, o enredo das histórias e as ações das personagens são travestidos de uma roupagem contemporânea.
São estes dois espaços de tempo: o ontem das narrativas tradicionais e o hoje das releituras contemporâneas dessas narrativas, que Sueli Cagneti visita em seu Leituras em contraponto: novos jeitos de ler (2013). No entanto, sua entrada no tema não se faz de surpresa, pois, há muito, a pesquisadora catarinense se debruça sobre as narrativas encantatórias do era uma vez, já que os dez ensaios que compõem o livro foram publicados entre os anos de 1997 a 2010, em Anais de eventos nacionais e internacionais, jornais e revistas, revisados e atualizados pela autora para esta nova publicação.
O fio teórico que a conduz por essa visita é o da pós-modernidade, compreendendo e situando os leitores crianças no mundo contemporâneo, que exige não meros repetidores dos textos lidos, mas criadores desses. Desse modo, Cagneti contextualiza as narrativas recolhidas por Charles Perrault, Irmãos Grimm e contadas por Andersen, apresentando os contrapostos das releituras de hoje.
No primeiro ensaio, “A Literatura Infantil e juvenil e a nova concepção de leitor”, a autora discorre sobre a importância de se pensar a concepção do leitor contemporâneo, imerso no mundo globalizado e tecnológico, que exige uma postura crítica diante do lido, exigindo uma competência de leitura que ultrapasse a esfera da repetição. A proposta é que esse novo leitor adentre a realidade distanciada das narrativas dos contos de fadas em contraponto com as releituras atuais. Desse modo, são apresentados e analisados o conto de Guimarães Rosa Fita verde no cabelo e o livro Tem livro que tem, de Fa Fiuza; valendo lembrar que o diálogo entre linguagem verbal e pictórica não escapa da leitura atenta de Cagneti, que o apresenta como um componente fundamental do livro infantil.
Em “Perrault e os contos da mamãe gansa”, rapidamente, a pesquisadora contextualiza a recolha das primeiras narrativas feéricas e seus principais autores. No terceiro ensaio, “Ler: um ato ultrapassado”, são apresentadas várias releituras do clássico Chapeuzinho Vermelho, como: A verdadeira história da Chapeuzinho Vermelho, de Patricia Guiwnner; Mamãe trouxe um lobo para casa, de Rosa Amanda Strauz; Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque; Fita verde no cabelo, de Guimarães Rosa; o conto o Caçador, de Flávio de Souza; e Chapeuzinho vermelho em Manhattan, de Carmen Martín Gaite, além do filme noir de Jô Soares, O Chapeuzinho Verde. As narrativas são analisadas contrastivamente em relação ao conto tradicional e elencadas como possibilidades de ampliação do repertório do leitor.
No quarto ensaio, “O desemboloramento dos personagens clássicos infantis: uma sugestão lobateana”, o mote é a estratégia lobateana de introduzir, nas aventuras do Sítio, as personagens do mundo maravilhoso em busca de novos ares, fugindo do bolor do livro da Dona Carochinha. Cagneti apresenta várias versões contemporâneas de Cinderela.
No quinto ensaio, “Personagens clássicos e escola: novas possibilidades de leitura”, o conto em evidência é O rei sapo, em contraponto com as releituras de títulos de autores brasileiros (Eva Furnari e Maurício Veneza) e autores estrangeiros (Jon Scieska e Bebette Cole). Em “Emília e Pinóquio: de bonecos infantis a seres conscientes”, a autora faz um contraponto entre as personagens Emília, de Monteiro Lobato, e Pinóquio, de Collodi, apresentando uma tabela comparativa entre ambos.
No sétimo ensaio, “Um lobo nem sempre mau: a pós-modernidade e suas inversões”, a autora traz à cena várias releituras do personagem Lobo Mau em livros infantis e uma história em quadrinho, de Maurício de Souza. No oitavo ensaio “Cinderela: do sapatinho de cristal ao salto pós-moderno”, o conto Cinderela reaparece em contraponto com releituras contemporâneas; e o príncipe encantado reaparece no nono ensaio: “Príncipes de ontem e de hoje: como os heróis se transformam”.
O último ensaio “O hibridismo e o humor nos livros para crianças e jovens” inicia com a releitura da fábula A cigarra e a formiga, destacada no livro Frederico, do italiano Leo Lionni, mas segue levando em conta o diálogo entre o texto e a ilustração e o componente gráfico nos livros Vizinhos, vizinha, de Roger Mello; Ida e Volta, de Juarez Machado; e História de amor, de Regina Coeli Rennó.
Embora, em alguns momentos, os títulos reapareçam em ensaios distintos, suas leituras são diferenciadas e colaboram para redimensionar a presença das narrativas feéricas na contemporaneidade.
O livro Leituras em contraponto: novos jeitos de ler, que tem na quarta capa a apresentação de Nelly Novaes Coelho, por certo será bem recebido pelos profissionais da área da Educação e Letras, que encontrarão nele reflexões relevantes para a prática pedagógica da leitura literária em sala de aula.

Obra: Leituras em contraponto: novos jeitos de ler.
Autora: Sueli de Souza Cagneti
Editora: Paulinas
Ano:2013

Resenha originalmente publicada em: "Revista Contraponto", vol.14, n.1, 2014. (univali.br/seer/index.php/rc/article/view/4899)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

sábado, 5 de abril de 2014

Vida e morte: forças que se alternam e se completam


Por Sueli de Souza Cagneti

Poeticamente escrito e ilustrado Frederico é a história do amor que – às vezes – pela vida – acontece.
Caído no ninho, com fome e cansado, um pequeno pássaro tem sua solidão agasalhada pelas mãos de uma menina com quem passa a dividir seus dias.
Mais que um belo livro, de literariedade indiscutível e de imagens suaves e – ao mesmo tempo – impactantes, Frederico é uma encantadora metáfora da morte acolhida com respeito e beleza. Ao ressignificá-la, aponta para uma dimensão nova tanto para quem parte como para o espaço que acolhe quem partiu.
Nesse livro, embora endereçado às crianças, fala com pessoas de todas as idades, as palavras “morte” e “cemitério” são sinônimos de desabrochamento e aconchego. Tudo que nosso olhar ocidentalizado está carente para melhor ver e aceitar a nossa condição de finitude e de urgência permanente de outro.
Leitura mais do que recomendável, portanto.

Obra: Frederico
Autora: Hellenice Ferreira
Ilustradora: Martha Werneck
Editora: Escrita Fina
Ano: 2013

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Convite: Defesa Dissertação de Mestrado

        Com muito prazer, o PROLIJ convida todos para prestigiarem a Defesa da Dissertação de Mestrado de mais uma prolijiana. 

        

        Parabéns, Luciane! Estamos torcendo por você.