Carolina Reichert

A curiosa Rafaela vive incomodando os pais com a mesma pergunta: “como ele foi parar aí dentro?”. Desconfortáveis, os adultos a seu redor buscam alternativas para não dizer a verdade: “a girafa é tão alta que encontrou seu filhinho numa nuvem. Coitadinho dele, era tão pequenino e estava com tanto frio, que ela decidiu colocá-lo dentro da própria barriga” ou “No fundo do mar existe uma fila imensa de ostras que guardam os filhos dos seres marinhos. Quando eles querem ter um bebê, eles vão até lá, batem nas ostras e escolhem o bebê que mais gostam. Foi assim que a baleia escolheu seu filhote”. 

“Como ele foi parar aí dentro?”, de Ilan Brenman, publicado pela editora Aletria em 2013, narra a jornada da pequena Rafaela, que não desiste até encontrar a verdade sobre como as mamães, bicho ou gente, ficam grávidas. 

A obra de Brenman e a ilustração de Vanessa Prezoto caminham juntos numa narrativa delicada e repleta de descobertas inerentes ao universo infantil, e aborda de maneira sensível e graciosa um assunto que pode ser constrangedor para alguns adultos, como para os pais de Rafaela.




BRENMAN, Ilan. Como ele foi parar aí dentro? Ilustr. Vanessa Prezoto. Belo Horizonte: Aletria, 2013.  
Nicole Barcelos 

Fita verde no cabelo (de João Guimarães Rosa) já se tornou um clássico da literatura infantil juvenil brasileira, tal qual sua contraparte dos contos de fada do século XVI. A narrativa da menina de “fita verde inventada no cabelo” que há muito encanta leitores de todos os tipos também foi o estopim das atividades do grupo de leitura e discussão do Prolij em 2014, não por acaso chamado “Não era chapeuzinho”. 
Com uma o intuito de retomar as resenhas no blog do programa, nada mais justo do que retornar a esse clássico fundador com o olhar não de um, mas de seis resenhistas, membros do grupo de discussão. Você pode conferi-los abaixo! 



Escolhas 
Carolina Roberto Floriano 

 O conto “Fita Verde no Cabelo”, de João Guimarães Rosa, da editora Nova Fronteira, com ilustrações de Roger Mello, de 1992, se assemelha ao conto de Charles Perrault, “Chapeuzinho Vermelho”, porém traz novas perspectivas e escolhas da protagonista. 
Por maiores que sejam as semelhanças com a obra de Perrault, Guimarães Rosa mostra uma Chapeuzinho diferente, esta, ao invés de usar uma capa vermelha, leva uma fita verde no cabelo, que pode ser interpretada como algo não maduro, ou a imaturidade da menina ao sair da casa: “Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo” (1992, p.5). 
Outro ponto de dessemelhança é que Fita-Verde não é tão obediente quanto Chapeuzinho Vermelho, além da questão do lobo, que o autor não projeta como o grande vilão da história, pois é como se este não existisse (“Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. [..] E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso” 1992, p.8 e p.11). 
 Neste momento do conto, quando Fita-Verde decide tomar o caminho mais longo, assim chegando mais tarde do que o esperado na casa de sua avó, se deparando com a senhora em um estado deplorável, percebe que perdera sua fita verde, e que está por perder sua Vovozinha, ela finalmente se dá conta de que suas escolhas refletiram no estado no qual encontrou sua avó, e então Fita-Verde amadurece: “Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. [...] Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino do corpo” (1992, p.26 e p.27). 
Em suma, pode-se concluir que, quando é possível fazer escolhas, deve-se pensar duas vezes antes de seguir algo, falar alguma coisa ou optar por qualquer alternativa. No conto, o caminho que Fita-Verde decidiu tomar e as consequências que foram acarretadas por essa decisão. Outro elemento que foi levantado no conto é o crescimento mental que temos a partir de problemas enfrentados ao longo da vida, nos levando a amadurecer, quer queiramos ou não. 

Carolina Roberto Floriano é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) e professora de inglês em uma escola de idiomas. É apaixonada por línguas e tudo o que vem acompanhado delas. 



Até que a morte nos amadureça
Camila Gomes

“Fita Verde no Cabelo” é uma obra de João Guimarães Rosa, que conta com trinta e duas páginas, publicado pela editora Nova Fronteira. O livro é uma leitura da obra “Chapeuzinho Vermelho” de Charles Perrault. 
A obra, apesar de infantil, trata de questões sérias como mortalidade e amadurecimento, mas sem parecer sensacionalista nem melancólico demais. É com leveza que Guimarães traz esses assuntos à tona, utilizando de uma clássica história infantil para aproximar seus leitores pequeninos dessa realidade. 
O livro pode seguir diferentes interpretações, depende muito de quem o está lendo, uma vez que a obra, apesar de ser direcionada ao público dos pequenos, pode ser facilmente lida por adolescentes e adultos. 
É esse grande leque de interpretações que torna a história tão aberta para os mais variados públicos. Os simbolismos e os diálogos presentes podem significar mais do que aquilo que o livro demonstra. 
Ao meu ver, a morte da avó de Fita Verde significou o amadurecimento do personagem, uma vez que ela também perde a fita no cabelo. A cor verde carrega muitas simbologias, uma delas é a esperança. Isso pode significar o que muitas vezes é a entrada na vida adulta, o amadurecimento que a morte pode trazer em relação à perda e ao luto. 
É um livro com uma história muito aberta, com seus símbolos e diálogos direcionando o leitor à sua própria interpretação, dentro do seu próprio contexto pessoal. 

Camila Gomes é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Lê porque acredita que a leitura é a melhor forma de viajar sem sair do lugar. 



Tudo era uma vez 
Nicole Barcelos 

É num revisitar do “era uma vez” que João Guimarães Rosa ressignifica uma velha estória e a torna nova em seu "Fita Verde no Cabelo". Publicada pela editora Nova Fronteira em 1992 e ilustrada por Roger Mello, a obra se constrói no espaço do indeterminado, em um tempo incerto de “algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto”. Não há dúvidas que será essa meninazinha sem juízo suficiente a protagonista da história, a qual ela nomeia: é Fita Verde, que segue para a casa de sua avó sem saber o que a espera. 
 Aqui, a fita verde inventada no cabelo da protagonista de mesmo nome faz as vezes de capuz vermelho de uma certa chapeuzinho, e o conto de fadas é reinventado. Não há lobo com que topar na floresta, e é a própria menina quem decide trilhar o caminho mais longo ao invés do “encurtoso”, tomando seu tempo para chegar à casa da avó, distraída pelas surpresas do trajeto. Mas é ao deparar-se com a velha senhora que tem sua maior surpresa e o lobo, o qual não temia, assume uma nova forma. 
 De escrita e ilustração poética (cada qual uma narrativa à parte), o livro lança um novo olhar ao tão conhecido conto da menina de capuz vermelho, cesto e pote, que é vítima de um lobo muito diferente do de sua contraparte brasileiríssima e verdejante, que mais parece amadurar forçosamente diante das vilanias fatais da própria vida. 

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho. 






Do verde ao vermelho
Jéssica Duarte de Oliveira 

João Guimarães Rosa vem nos apresentar uma encantadora versão de um clássico que tem passado de geração para geração, e encantado. O autor trata da morte de forma sutil e fala de um dos amores mais singelos que poderia existir: o de uma neta por sua avó e da avó pela neta. No livro Fita Verde no Cabelo, Guimarães Rosa reinventa a história e nos apresenta uma Chapeuzinho Vermelho sem capuz e sem juízo, que está descobrindo o mundo a sua volta, que opta pelos caminhos fáceis e esquece de suas obrigações. 
Fita Verde demora para chegar à casa da avó, vai brincando pelo caminho, sem pressa, menina, cheia de si, sempre com a fita no cabelo, a fita verde. Verde. Ao encontrar com a avó que a estava a esperar, a menina se dá conta de que perdeu sua fita e amadurece, vira moça, toma juízo ao perceber que perdera bem mais do que a fita. 
Fita Verde passa por um processo de metamorfose doloroso, mas na vida, a dor muitas vezes ensina que estamos aqui de passagem. 
 Com um quê de poesia e a sensibilidade para lidar com a partida de um dos seres mais importantes na vida de uma criança, Fita Verde no Cabelo, na leveza das palavras de Guimarães, é um convite à emoção, ao amadurecimento e a percepção das coisas realmente importantes e raras na vida. As imagens falam por si, os lobos representam os medos, nas sombras e uma única cor – o verde - vibra diante dos mistérios que o branco, o preto e o cinza apresentam. 

Jéssica Duarte de Oliveira é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Acredita que a literatura é uma porta de acesso à liberdade. 



Fita Verde
Gabrielly Pazetto 

Em uma nova e arriscada versão de Chapeuzinho Vermelho, João Guimarães Rosa se joga na descoberta da menina-mulher que precisa aprender a conviver com o luto e assim amadurece. 
Nesta versão nada inocente, o autor nos guia, com maestria, através da história da pequena Fita Verde que vai visitar a sua vovózinha (desta vez por um caminho longo e seguro). A menina encontra a avó fraca e debilitada, e o famoso diálogo da revelação do lobo-mau na tradicional história infantil, se transforma em um triste diálogo de despedida que nos faz pensar no luto, na vida, na morte. Sem saber, estamos vendo Fita Verde no final de um grande caminho de amadurecimento, deixando a sua pequena fitinha para trás. 
Guimarães Rosa escolhe as palavras certas ao montar o diálogo de Fita Verde com a sua vovó, deixando nas reticências um tom ainda mais sombrio e reflexivo. 
As ilustrações de Roger Mello, com um traço singular e com imagens carregadas de simbologia, nos presenteiam com uma carga emocional muito forte. Vale ressaltar aqui, a ilustração dos lenhadores com cabeça de lobo que encontram Fita Verde no caminho e a adição de cores pontuais ao longo da história. 

Gabrielly Pazetto é graduanda de Letras na Univille e técnica em Informática. Faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis. 



O tempo brinca com Chapeuzinho 
Nadia Lidiane Otto

Ao aprofundar a dimensão psicológica das personagens em Fita verde no cabelo, Guimarães Rosa ultrapassa o exercício da releitura do conto Chapeuzinho Vermelho. O escritor acaba por criar para a menina e sua avó outro universo onde viver, mais denso e repleto de palavras não ditas, a ponto de levar o leitor suavemente para longe do conto de origem. 
Uma das palavras não ditas, mas que surge por trás de certas escolhas que o escritor faz ao longo do texto, é tempo. O tempo parece estar junto às sombras de cada personagem, movendo-as e trocando seus papeis. Caso seguirmos por este caminho, poderemos imaginar que o tempo é um antagonista do conto. 
Na passagem “todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto”, a personagem flutua entre dois momentos temporais, naquele instante imensurável entre um segundo e outro, em estado de latência. É quando o desafio lhe é imposto. 
No bosque o tempo ilude os lenhadores fazendo-os acreditar que, assim como nas versões clássicas, conseguiram derrotar a morte, “pois os lenhadores tinham exterminado o lobo”. A única tarefa que lhes resta é tentar matar o próprio tempo. 
Se o tempo toma o lugar da morte na estória, a dinâmica entre o antagonista, a avó e Chapeuzinho muda. Quem devora a carne da avó? 
A avó que definha é a morte. Chapeuzinho é seu lobo, que precisa provar a morte, jogá-la de um lado para outro na boca a fim de sentir seu gosto. Daí poderá degluti-la, para ser assimilada. Assim a morte tornar-se-á natural novamente e Fita Verde poderá retornar ao caminho. 
Quando Fita verde no cabelo encerra, fica a impressão de que o escritor estava escrevendo o prólogo o tempo todo, apenas para encaminhar o leitor ao verdadeiro início, aquele que sobrevêm ao fim. 

Nadia Lidiane Otto é graduada em Letras (Língua Portuguesa) e em Comunicação Social (Cinema e Vídeo). Atua como agente de cultura no Museu de Arte de Joinville. Lê para conhecer a humanidade.



Ficha técnica: 
Obra: Fita verde no cabelo.
Autor: Guimarães Rosa
Ilustrador: Roger Mello
Editora: Nova Fronteira
Ano: 1992
Nesse ano, Ouro Preto foi a casa do 7º CBEU (Congresso Brasileiro de Extensão Universitária), com a temática "Inovação e emancipação: valores humanos, tecnológicos e ambientais". O Prolij teve a oportunidade de estar lá na semana passada, trocando experiências e criando novas vivências a partir do contato com a cidade, a universidade e os tantos projetos e programas (de tantos lugares no Brasil) que lá estiveram presentes!

O trabalho apresentado (um poster, exposto no dia 09 de setembro no Centro de Convenções da UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto) trazia os dois grupos de estudo do programa: o grupo de leitura e discussão e o grupo de leitura e contação de histórias, ambos projetos estabelecidos nos últimos dois anos da nova coordenação do Prolij. As representantes desse e da Univille (Universidade da Região de Joinville) a viajarem a Ouro Preto foram as acadêmicas bolsistas do programa, Nicole de Medeiros Barcelos e Carolina Reichert (agora já não mais bolsista, uma vez que concluiu o curso de Letras no primeiro semestre de 2016), apresentadoras e autoras do poster junto às professoras Berenice e Alcione. Abaixo, é possível conferi-lo na íntegra!





Por Priscila Fernanda Ferreira
Curso de Letras - 2015/2016

Quando comecei a pensar em um projeto para meu trabalho de conclusão de curso, me perguntei várias vezes se eu conseguiria trazer um tema que pudesse mexer com os alunos que provocasse neles um aprofundamento, uma troca de percepções de visões diferentes de mundo, foi então que comecei a pensar na literatura indígena. Fui apresentada a essa literatura pela Professora Alcione Pauli nas aulas de intertextualidade e estudos literários, as possibilidades de discussões e infinitas análises que essa literatura propõe me chamou muito a atenção, e também porque a literatura indígena é muito rica em tudo, desde a própria escrita até as ilustrações. Tudo me fascinou e foi então que eu resolvi trabalhar com essa literatura em sala de aula no meu estágio. Todo o aprendizado durante as aulas de intertextualidade, todas as discussões, todas os contra pontos levantados durante a leitura de diversos livros despertou em mim a vontade de realizar esses contra pontos em sala de aula com alunos do ensino fundamental e do ensino médio. Trago aqui a justificativa do porquê resolvi trabalhar com a literatura indígena, tanto as observações das aulas e as aulas de intertextualidade colaboraram para a criação do meu projeto. As aulas foram tocantes, criativas, curiosas e para os alunos foi extremamente novo e eles receberam muito bem, conseguiram atingir os objetivos esperados e colaboraram do início ao fim. Estou muito feliz em poder levar a literatura indígena para a sala de aula e ser a prova viva de que ela é rica, ensino muito e traz aos alunos uma curiosidade e uma criticidade muito visível.
Quando falamos em literatura indígena, devemos iniciar introduzindo a história da cultura do índio. Os índios foram os primeiros a pisarem nas terras brasileiras e com toda a sua cultura estabeleceram uma grande intimidade com a natureza, utilizando dela, para sobrevivência e desenvolvimento. Um dos grandes autores da literatura indígena Daniel Munduruku ressalta:

O papel da literatura indígena é, portanto, ser portadora da boa notícia do (re)encontro. Ela não destrói a memória na medida em que a reforça, e acrescenta ao repertorio tradicional outros acontecimentos e fatos que atualizam o pensar ancestral”. (Literatura indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade, 2008).

A literatura indígena é um conjunto de gêneros que trazem em suas linhas diferentes relatos sobre a origem do mundo, cerimônias, histórias de animais, narrativas sobre fatos gerais da vida, contos, poemas e etc. Podemos visualizar nessa literatura uma escrita mais particular de narrativas tradicionais coletivas, passando por trabalhos que dirigem-se à recriação de elementos da tradição oral (personagens, cenários, símbolos) até a criação individual.
Depois de nos presentearem com suas músicas, artes e habilidades eles também propõe uma leitura de vida muito interessante. A literatura acompanha a existência humana há muito tempo, nós vivemos em um mundo que modifica-se frequentemente, e com isso, proporciona raízes diferentes a cada modificação. Por isso sempre conseguimos estabelecer histórias novas a serem contadas e, dessa forma, a literatura vai recebendo e criando novas raízes. A literatura indígena começou a ser introduzida há pouco tempo, ou seja, essa temática é recente e pouco trabalhada, ainda precisa ser olhada com outros olhos pelas instituições e docentes. Segundo Daniel Munduruku:  

A memória é, pois, ao mesmo tempo passado e presente que se encontram para atualizar os repertórios e encontrar novos sentidos que se perpetuarão em novos rituais que abrigarão elementos novos num circular movimento repetido à exaustão ao longo de sua história. (Literatura indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade, 2008)
  
Ainda com Daniel Munduruku:


Pensar a Literatura Indígena é pensar no movimento que a memória faz para apreender as possibilidades de mover-se num tempo que a nega e que nega os povos que a afirmam. A escrita indígena é a afirmação da oralidade. (Literatura indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade, 2008).

Um dos motivos da falta de interesse para com o trabalho da cultura indígena é o não entendimento de como uma literatura de tradição oral pode estar sendo trazida a nós de forma escrita. Os indígenas aprenderam há muito tempo a se comunicar através da língua portuguesa e com isso passaram a conseguir expressar seus ensinamentos através da escrita. Isso proporcionou ao índio a disseminação de suas riquezas, de suas culturas e seus ensinamentos, proporcionando assim, a possibilidade da sociedade compreender seu modo de vida. Outro ponto importante a ser observado é com relação ao que o índio apropria-se para escrever suas histórias. Podemos ter plena certeza que é por conta de seus mitos, que são vivenciados pelas nações indígenas e passados de geração para geração, promovendo assim um ensinamento para ser seguido e repassado um ao outro. O foco principal do mito é o relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana.
A literatura indígena é muito rica e precisa ser vivida dentro da sala de aula por isso esta proposta de ensino se constituiu após a percepção acerca dos interesses dos alunos quando se fala em literatura indígena. Foi observado o quanto esta literatura é pouco trabalhada em sala de aula e o quanto ela desperta interesse nos alunos. Como a escola precisa seguir um currículo com competências a serem alcançadas pelos alunos, os temas étnicos – raciais e culturais pouco aparecem nas aulas de língua portuguesa. Ler textos que falem de culturas diferentes, mesmo pouco valorizadas, pode colaborar para a formação de leitores.
Os alunos mostram repulsa quando se fala em aula de literatura, e que somente é necessário que o aluno escolha uma obra, leia e realize resumos e apresentações simplórias para os colegas de classe. No ensino médio, desde o primeiro ano até o terceiro ano, os alunos trabalham com literatura direcionada ao vestibular, não mergulham em outras leituras, somente as que precisam ser revisitadas. Isso promove uma deficiência que impede o conhecimento mais amplo que a literatura pode oferecer aos alunos. A leitura de textos literários pode facilitar no momento de desenvolvimento de raciocínio e criticidade dos alunos, eles conseguem estabelecer uma relação com o cotidiano, a vivência de cada um e tudo que gira em torno de sua existência.
A falta de incentivação à leitura também cria um baixo interesse em relação a escrita, causando dificuldades ao invés de compreensão. A leitura mecanizada e a escrita direcionada impossibilitam a manifestação de ideias e de opiniões dos alunos. A literatura possibilita o enriquecimento de conhecimento do aluno e do professor. Segundo Alcione Pauli (2015, p. 19):

A literatura indígena como movimento literário é recente. Ao trazer a arte de como o indígena entende a vida, ele reconstrói na escrita sua relação com o mundo, a qual sempre esteve registrada na oralidade em seus mitos e seus ritos.
  
Portanto, precisamos recriar e organizar as prioridades e trazer sim a literatura indígena para a sala de aula, pois muitas vezes as escolas esquecem de oferecer aos alunos uma leitura sensível e adoçada, prendem-se somente a aquilo que precisa ser alcançado e esquecem de trazer novas cores nas vidas dos alunos. Quanto mais a gama de cores aumenta, mais o arco– íris fica evidente.




Referências Bibliográficas
  
MUNDURUKU, Daniel. Literatura indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade. Disponível em .
CAGNETI, Sueli; PAULI, Alcione. Trilhas Literárias Indígenas Para Sala de aula. Ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.
Por Msc. Alcione Pauli

Com um pé na oralidade e outro nos livros, nos mês de maio e junho, estive representando o PROLIJ da UNIVILLE, em dois importantes eventos que promoveram o encontro com histórias. No mês de maio no “ECOHVALE 1º Encontro de contadores de Histórias do Vale do Paraíba”, na cidade de Lorena, SP, evento que teve como tema “Nos caminhos da oralidade” no qual pude participar de contações de histórias, palestras, lançamento de livros, espetáculos de música, teatro e compor a programação contando histórias nas Escolas Municipais “Lúcia Maria Vilar Barbosa” (Lorena/SP) e “Carmelita Vieira de Oliveira Braga” (Lorena/SP). Destaco neste evento a curadoria de Daniel Munduruku e Andréa Cozzi. A programação foi impecável! Entre os convidados: Regina Machado, Francisco Gregório, Cristino Wapichana, Tiago Hakiy, Edson Krenak, Valdeck de Garanhuns e Socorro Lira. Na bagagem de retorno recebi o convite para que ano que vem o PROLIJ esteja presente na curadoria do 2º “ECOHVALE 1º Encontro de contadores de Histórias do Vale do Paraíba”.




De 10 a 21 de junho aconteceu o “17º Salão FNLIJ do Livro para crianças e jovens”, no Rio de Janeiro, no Centro de Convenções Sul América, evento que reuniu editoras, escritores, autores, leitores de todo Brasil e representantes da área do livro e da leitura da Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela. Ressalto no “Salão”, “Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós” especialmente, o “12º Encontro de Escritores Indígenas”, o qual foi realizado no dia 16 de junho, tendo como tema “Entre Caminhos: Literatura Indígena e Letramento”. Nesse encontro aconteceu o lançamento do livro Trilhas Literárias Indígenas, da Autêntica Editora, das Prolijianas Dra. Sueli de Souza Cagneti e Msc. Alcione Pauli. O lançamento do livro aconteceu de forma alegre e festiva. Obrigada a todos! Especialmente à Dra. Sueli de Souza Cagneti por intermediar para que o lançamento do nosso livro acontecesse no maior e mais importante evento de literatura infantil e juvenil do Brasil!



Senti que nos dois momentos participei de fragmentos de histórias significativas para trajetória PROLIJ da UNIILLE. Que bom! Não deixa de ser mais um passo para a maioridade do programa que em novembro completa seus 18 anos.
A 3ª Feira do Livro de São Francisco do Sul: Janelas para o mar começa nesta sexta-feira, dia 21 de agosto, e se estenderá até o dia 28 desse mês. A programação (disponível abaixo) inclui palestras, oficinas, apresentações artísticas e rodas de conversas com escritores, além de exposições nos espaços alternativos da feira. 

Confira abaixo a programação completa e venha prestigiar você também!


A Associação das Letras tem a satisfação de encaminhar a ficha de inscrição para Vivência literária Poética, que acontecerá:
Dia: 15 de agosto de 2015 (sábado)
Hora: Início 8h30 às 12 horas – 13h30 às 17h30
Local: Hotel Slaviero Slim Joinville – Rua Sete de Setembro, 40 – Joinville/SC

 Valores e critérios para Inscrição: 
- R$15,00 - Associados - Associação das Letras (em dia com as mensalidades até agosto/2015)
- R$30,00 – Inscrições para demais interessados

Conta para depósito: 
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1897
Código: 003
Conta Corrente: 3812-7
Titular da Conta: Associação Confraria das Letras
CNPJ: 16.783.372/0001-71

Ficha de inscrição: 


NOME:

CIDADE:
ESTADO:
Profissão:
Associado: ( )Sim ( )Não
E-MAIL:
TELEFONES:

Observação: Enviar comprovante de pagamento, juntamente com a ficha de inscrição para associacaodasletras@hotmail.com.br 
Telefones de contatos 47 9613-7451(TIM) e 47 92717063 (vivo)
Contamos com sua presença!

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