Ao longo do terceiro bimestre da disciplina de Literatura Infantil Juvenil, a professora dra. Berenice Rocha Zabbot Garcia desenvolveu uma atividade com os acadêmicos do 2º ano de Letras, voltada para a criação de textos híbridos a partir da análise de obras infantis juvenis previamente selecionadas. Consistente em uma resenha crítica da obra e uma leitura comparativa analisando sua relação com contos de fada, o resultado de um dos trabalhos desenvolvidos pode ser conferido abaixo!

“Mamãe, e o meu beijo?”

Ana Luíza Busnardo
Beatriz Maria Eichenberg
Flavia Schlogl
Gabrielly Pazetto
Luana Simão
Tamara Gericke
Thiago Túlio Pereira

Um beijo é, sem dúvidas, um dos maiores atos de afeto que dois seres podem demonstrar, um em relação ao outro. Seja de amor, amizade ou companheirismo, deixar de recebê-lo é um tanto quanto desconfortável, e é isso que acontece na obra "O Beijo", da escritora e ilustradora Valérie D’Heur: uma pequena ave, após receber instruções de sua mãe para mais um dia, espera por um beijo de despedida, mas a mãe, muito apressada, não o dá.
É interessante observar como a autora traz a perspectiva da contemporaneidade para o texto, pois o narrador-personagem fala sobre sua mãe: “Estava muito apressada hoje”, manifestando, assim, a realidade de muitos pais e mães que esquecem diariamente dos filhos-aves.
Após ter seu beijo esquecido, a pequena ave vai em busca de algum outro animal que possa lhe beijar, e passa pela girafa, a avestruz, um felino, mas acaba mesmo é criando laços com o rinoceronte, o que é bastante interessante, pois a figura do rinoceronte é a personificação da força e também dos laços familiares, já que a fêmea do rinoceronte permanece com o filhote por vários anos.
Para coroar a composição, a autora traça ilustrações que brincam com tons pastéis e com o ambiente da savana, fazendo da experiência do leitor ainda mais intensa e divertida.




D’HEUR, Valérie. O Beijo. São Paulo: Brinque-Book, 2003.

Além da resenha crítica, os acadêmicos desenvolveram um blog com diversos textos apontando semelhanças entre a obra lida e contos de fada, além de trazerem aspectos da obra para a contemporaneidade. O blog pode ser acessado clicando na imagem abaixo!


Ana Luíza Busnardo é estudante de Letras (Português e Inglês), curte rock, fã de The Beatles, adora cachorros e fala Top!

Beatriz Maria Eichenberg é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille. Vive em meio à música e compõe canções que falam do coração.

Flávia Schlögl é estudante de Letras – Língua Portuguesa e Língua Inglesa e professora de Inglês em uma escola de idiomas. Está sempre viajando por uma série, um livro ou por uma música, mas ela sabe que o coração da vida é bom.

Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Luana Simão é graduanda em Letras na Univille (Língua Porutuguesa e Inglesa) e divide seu tempo vago lutando em batalhas épicas, governando reinos distantes e viajando pelo hiperespaço.

Tamara Gericke é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille, paulista, se vendeu na primeira mordida de chineque com farofa, prolixa, não sabe sintetizar as ideias, levou, por exemplo, dois dias pra escrever isso.

Thiago Túlio Pereira é Professor de Geografia e graduando em Letras pela Univille. Ama ler o Mundo através dos livros, das observações e das viagens, e escrever sobre essas leituras.
Nesse ano, de 2 a 4 de agosto, o Prolij (Programa Institucional de Literatura Infantil Juvenil da Univille) esteve na cidade do oeste paulista de Presidente Prudente para discutir as (trans) formações de leitores pelo texto literário no V Congresso Internacional de Literatura Infantil Juvenil do CELLIJ (Centro de Estudos em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil "Maria Betty Coelho Silva"). O programa já havia participado do evento em 2004, também em Presidente Prudente, casa do CELLIJ (vinculado à Universidade Estadual Paulista, UNESP), então ainda com 7 anos de existência.

Agora, aos 20 anos, o Prolij foi representado no evento pela apresentação de um poster (exposto no dia 3 de agosto, no próprio campus da UNESP), intitulado Eu livro, tu livras, nós livramos: a transformação do não-lugar em lugar a partir da disseminação literária, que tratava do projeto vinculado Liberte um livro

As representantes desse e da Univille (Universidade da Região de Joinville) a viajarem a Presidente Prudente foram as acadêmicas bolsistas do programa, Nicole de Medeiros Barcelos, apresentadora do trabalho, e Gabrielly Pazetto, que compartilham a autoria do poster junto às professoras Berenice e Alcione, além da ex-bolsista do programa, Cymara Scremin Schwartz Sell. 

Abaixo, é possível conferi-lo na íntegra!



Gabrielly Pazetto

1981: Brasil em plena ditadura militar. A recém-revogação do AI-5 e o fim do bipartidismo levaram o país a traçar os primeiros passos para enfim restabelecer sua democracia e abandonar os férreos tempos de ditadura - mesmo assim, a população ainda estava sob as mãos de aço dos militares. 
Ruth Rocha, paulista, então com cinquenta anos, a partir da observação deste contexto, constitui a obra O que os olhos não veem. Um rei, de um reino muito distante, sofre de uma doença terrível: não consegue ver os seus súditos (porque eram muito pequenos) e não consegue ouvi-los também. Da mesma forma que os súditos do rei não eram ouvidos, nem vistos, a população brasileira no contexto da ditadura militar também não era. 
Ruth Rocha, assim, constrói uma narrativa divertida, brincando com palavras e versos em rimas espertas: “E assim, quem fosse pequeno, / da voz fraca, mal vestido, / não conseguia ser visto. / E nunca, nunca era ouvido.” 
As ilustrações de Carlos Brito, por sua vez, brincam com as cores e os tamanhos dos súditos e do rei. Através de tons vibrantes, ele ilustra barões, cavaleiros, ministros, camareiros, damas, valetes e um rei, todos bem rechonchudos. 
Desta forma, O que os olhos não veem é uma obra indispensável para se pensar sobre poder e, mesmo que o sistema político tenha mudado, continua atual, trinta anos após sua primeira publicação.

E todos juntos, unidos 
Fazendo muito alarido 
Seguiram para capital, 
Agora, todos bem altos 
Nas suas pernas de pau. 
Enquanto isso, nosso rei 
Continuava contente. 
Pois o que os olhos não veem 
Nosso coração não sente...” 

 (trecho do livro)


ROCHA, Ruth. O que os olhos não veem. Ilustr.: BRITO, Carlos. São Paulo: Moderna, 2012. 


Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille, atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.
Sabrine Sharon Padilha

Para qualquer um que ame ler, a descoberta das palavras pode ser um evento mágico e inesquecível, como se um novo mundo, antes escondido, se revelasse de repente. É o caso do personagem do livro O menino que descobriu as palavras, de Cineas Santos (Editora Ática, 1998). 
Com frases curtas, em forma de poesia, nós acompanhamos o menino e seu primeiro encontro com o significado das palavras, aos poucos ele vai descobrindo que existem palavras que transmitem coisas boas e coisas ruins. A sensação que nos passa é que as palavras em si são coisas vivas, entidades com personalidade própria. 
As ilustrações de Gabriel Archanjo são belas e conseguem captar e transmitir bem as intenções do texto. O menino que descobriu as palavras é um livro curto e de leitura rápida, voltado para crianças bem pequenas que estão na fase de contato inicial com a leitura, muito agradável e capaz de conectar também os mais velhos com a criança em nós que um dia, há muito tempo, viu as palavras pela primeira vez.

SANTOS, Cineas. O menino que descobriu as palavras. Ilustr.: ARCHANJO, Gabriel. São Paulo: Ática, 1998.



Sabrine Sharon Padilha é aluna do curso de História na Univille e quando sonha, ela sempre se lembra.
Evelin de Freitas Costa

Uma viagem pela história do Brasil contada de uma forma espontânea e ao mesmo tempo crítica. A repartição do mundo, de Arlene Holanda, foi publicada em 2007 pela Edições Demócrito Rocha, e busca, por meio de linguagem metafórica e poética, encontrar a explicação para um questionamento de Cauã, protagonista do conto. 
Cauã é um indiozinho com cabelos escuros e pele beijada pelo sol. Muito curioso, o pequeno curumim vive em uma tribo rodeado por animais. Ele en-tão se questiona como pode ter sido feita uma repartição tão desigual do mundo: "E tudo foi repartido, pro índio pouco sobrou, mas a alma guerreira, essa nunca se ca-lou, e o seu grito de guerra pela floresta ecoou". 
As ilustrações de Arlene Holanda e Suzana Paz, por sua vez, contam com desenhos e fotos antigas, que retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. 
Pode-se notar que a narrativa é contada sob a perspectiva do indígena, instigando o leitor a buscar conhecer e entender ambos os lados desta mesma história, que é tão minha quanto sua. 

HOLANDA, Arlene. A repartição do mundo. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2007.



"Porque ela viaja nos livros e se encontra nas palavras, Evelin" (Estudante de Letras - Português e Inglês na Univille)
Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos
*Agradecimentos especiais à Cymara Sell

Pai herói, pai vilão, pai ocupado, pai que se ocupa só com os filhos... Há muitas formas de ser pai. Há pais que nem tem laços biológicos e o são, e alguns os têm e não são pais. Mas essa figura que acalenta e protege, de que tamanho e forma que for, é sempre lembrada no segundo domingo de agosto. Por essa razão, hoje também lembramos os livros em que diferentes pais e filhos expressam (ou "deixam" de expressar) sua afeição um pelo outro.

O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados, de Neil Gaiman com ilustrações de Dave McKean – O que você daria em troca de dois peixinhos dourados (e não quaisquer peixinhos, mas Sawney e Bayney, os peixes de Nathan)? Para o protagonista dessa história de Neil Gaiman e Dean McKean, seu pai parecia um bom equivalente. Quer dizer... bem, ele só lia o jornal, então que falta faria? Acontece que, ao chegar em casa com Sawney e Bayney, sua mãe o força a trocá-los de volta pelo pai. Nesse divertidamente subversivo conto, permeado pela aura de mistério tanto no texto verbal quanto no visual, o leitor é convidado a acompanhar as peripécias desse garoto que tenta, então, destrocar seu pai pelas coisas mais inimagináveis. 

Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney, ilustrado por Anita Jeram – O quanto um pai pode amar o filho? E o quanto um filho pode amar o pai? No pequeno conto de Sam McBratney, Coelhinho e Coelho Pai tentam encontrar a medida do amor que tem um pelo outro. Belamente ilustrado, esse divertido jogo com ares de competição vai levá-los a descobrir que o amor não é assim tão fácil de se medir.



A boca da noite, de Cristino Wapichana com ilustrações de Graça Lima - Dum e Kupai são dois indiozinhos bem curiosos que adoram ouvir as histórias que o seu pai conta à beira da fogueira. Certa noite são surpreendidos pela história da boca da noite – uma boca gigante que engole e transforma tudo em escuridão. Nesta envolvente narrativa de Cristino Wapichana, a figura paterna é responsável pela transmissão da tradição oral e por alimentar o imaginário dos pequenos curumins. 



Gorila, de Anthony Browne – O consagrado escritor e ilustrador britânico Anthony Browne narra aqui a história da pequena Hannah, que tem uma paixão um tanto peculiar: a garota adora gorilas. Seu sonho é ter um gorila só seu, ou pelo menos ir ao zoológico para conhecer um de verdade, mas o pai, a quem Hannah recorre, sempre diz “Agora não. Estou ocupado. Quem sabe amanhã?”. Cansada de insistir tanto, ela resolve deixar sua própria imaginação levá-la ao zoo. Nesse delicado – e maravilhosamente ilustrado – livro, Browne traz um pai bastante contemporâneo que, apesar de tudo, consegue surpreender a filha no apagar das luzes.



Owl Moon, de Jane Yolen com ilustrações de John Schoenherr – Quando você sai para observar corujas, você não precisa de nada além de esperança. Essas são as palavras do pai da protagonista do sonho gelado que parece ser Owl Moon. Poética por essência, a narrativa de Jane Yolen e John Schoenherr acompanha a silenciosa aventura vivida por pai e filha em uma noite de inverno. Os silêncios aqui presentes, porém, falam muito das relações entre pais, filhos e a própria natureza – e aquecem o coração com esperança, ao som do chilrear das corujas. 



O homem que amava caixas, de Stephen Michael King – Era uma vez um homem. O homem tinha um filho. O filho amava o homem – e o homem amava caixas. Nos deliciosos versos e traços de Stephen Michael King, descobre-se, porém, muito mais do que o amor por caixas desse pai que tanto gosta delas – e a expressão de um outro amor, mesmo que bastante tímido.


As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi – Mestre Cerejo não esperava que o toco de madeira que fora parar em sua oficina fosse reclamar quando tentasse transformá-lo em pé de mesa. Certo de que o toco falante guardava algo especial, presentou seu amigo Gepetto com ele, já que o carpinteiro pretendia criar um boneco articulado que soubesse dançar, lutar esgrima e dar saltos-mortais (e enriquecê-lo no processo). É assim que começam as peripécias do boneco cujo nariz cresce sem parar que o mundo inteiro ficou conhecendo como Pinóquio. Gepetto não sabia estar criando um filho ao esculpir Pinóquio, mas é isso que o pedaço de madeira transformado em menino o é: e é ele quem transforma o velho senhor em pai, e quase o faz perder o que resta de seus cabelos com suas travessuras. 



O ladrão de raios, de Rick Riordan – Percy Jackson tem 12 anos e não faz ideia de que seu pai é um antigo conhecido de muita, mas muita gente. Você também não faria, se estivesse preocupado em não ser expulso de mais uma escola e bem, escapar de ser decapitado por uma górgona. Nessa bem-humorada aventura, porém, Percy vai descobrir que há muito mais de grego em si do que seu nome.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis. 

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij e vive se perdendo em buracos de coelho.
Kauane Cambruzzi

A Lagartixa Verde é uma história doce e é certo que o leitor há de sorrir a cada página virada. O livro conta a história dos irmãos Alice e João, que em um domingo de chuva não podem passear e por isso se dedicam a desenhar. A mãe os avisa, no entanto, que os desenhos devem ser feitos apenas no papel! Mas desenhar no papel perde a graça depois de um tempo... Ainda mais quando se pode desenhar no pé da irmã mais nova, por exemplo. 
Com a caneta verde do pai João desenha no pé de Alice uma lagartixa e a pequena ri tanto que a mãe quase descobre a peripécia. No dia seguinte vem a surpresa: a lagartixa tinha mudado de lugar! 
Mesmo sendo uma obra voltada para o público infantil, é impossível que não agrade gente de todas as idades. Todos merecem sorrisos por motivos singelos e o autor encanta a história para provocar sorrisos – sem escolher a idade. 
A cumplicidade dos irmãos, seja fazendo arte ou tentando escondê-la é contada por João Paulo Vaz e ilustrada por Claúdio Vaz e Giovana Vaz; o livro, publicado pela editora EGBA, foi vencedor do Prêmio Nacional de Literatura infanto-juvenil em 2005. 

VAZ, João Paulo. A Largartixa Verde. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, Fundação Cultural do Estado, Empresa Gráfica da Bahia. 


Kauane Cambruzzi é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) na Univille. Tem os cabelos cacheados e sabe que deve agradecer à bisavó por eles, assim como deve agradecer ao pai por lhe comprar livros e à mãe por lê-los, trazendo a literatura para sua vida.
Luana Seidel

Desde que começamos a ter noção básica de humanidade, nos é ensinado que há mais de quinhentos anos, quando o Brasil nem era Brasil ainda, milhares (e milhões) de africanos foram tirados de seus lares para serem escravizados aqui. E que esta foi uma fase horrível, abominável, brutal e desumana, e que então devemos esquecê-la... Será? 
Marilda Castanha parece discordar desta idéia. Na obra “Agbalá: um lugar-continente”, publicada pela Formato Editorial em 2001, a autora relembra e detalha o sofrimento dos africanos escravizados a troco de mercadorias como cachaça, pregos, espingardas e armas. Sim, seres humanos trocados por mercadoria. 
Castanha, que também ilustra o livro, começa cada seção com um título que remete à transição de fases, como “da senzala ao campo” “da escravidão à resistência” e para falar dos deuses “de orixá a orixá"; e ilustra estes deuses, cheios de vida e de cores para nos fazer imaginar os rituais à eles “oferendados”.
É com peso no coração que os que lêem imaginam o sofrimento destes seres humanos arrancados de seus lares, brutalmente jogados em navios para tentar agüentar a fome, o clima e os maus tratos, para que os que sobrevivessem terem seus nomes retirados e trocados por “nomes aceitáveis” para a cultura católica, sua religião e cultos religiosos expressamente proibidos e sua liberdade arrancada. 
Mas, felizmente, a essência alegre e colorida africana não se deixou apagar. Driblavam a repressão dos “sinhôs” disfarçando a sua cultura rica em traços de cada um. 
 Nas últimas páginas, Castanha faz breves adendos acerca de assuntos históricos, culturais e de curiosidades relacionados à cultura africana. 
 A obra é carregada de detalhes, mas não se torna maçante; pode ser lida por diversas idades, por todos que têm interesse em saber mais sobre esta fase lamentável que faz parte do passado do Brasil, mas que deixou o legado da força da resistência do povo africano e que merece, sim, ser relembrada. 

CASTANHA, Marilda. Agbalá: um lugar-continente. Belo Horizonte: Formato Editora, 2011. 


Luana Seidel é graduanda do curso de Letras da Univille. Trocou o oxigênio por arte há tempos – e não se arrepende disso.
Gabrielly Pazetto
Nicole Barcelos

Será que para ser lobo tem que ser mau? Seria esse um requisito para um lobo se candidatar a um emprego em uma história infantil? É certo que por muito tempo essa foi uma característica marcante dessa fera de dentes afiados e astúcia no olhar, principalmente nos contos de fadas e fábulas que habitam nosso imaginário, mas não tem que ser sempre assim. Pelo menos, é isso que mostram os livros que selecionamos nesse mês, em que o lobo nem sempre é mau ou o vilão da história!

Quando o Lobo tem Fome, de Christine Naumann-Villemin com ilustrações de Kris Di Giacomo – Edmundo Bigfuça, o lobo mau desta história, é bem persistente. Na busca por devorar Max Omatose, o coelho anão, vai até seu prédio e tenta diversas abordagens para comê-lo, mas nenhuma dá certo. No final, decide virar vegetariano mesmo, muda-se para o prédio do coelho, apaixona-se por outra loba e vira presidente da Associação da Boa Vizinhança. Esta história acompanha a mudança do lobo, de mau para bonzinho e nos mostra uma faceta mais sociável deste temido vilão.

De Repente, de Colin McNaughton – O Inglês Colin McNaughton escreveu uma série de livros chamada A Preston Pig Toddler Book, que conta a história do porquinho Preston e como ele sempre consegue escapar do lobo mau. De Repente é um destes livros e narra divertidas façanhas de Preston, que, mesmo sem querer, sempre acaba despistando o lobo. Aqui, o peludo vilão se mostra bastante desastrado e rende momentos engraçados ao leitor. 

Opa!, de Colin McNaughton – Da mesma série de livros comentada anteriormente, Opa! acompanha o porquinho Preston na sua jornada para levar uma cesta de doces para sua vovozinha. Chegando na casa dela, entretanto, o porco é surpreendido pelo lobo que resolve devorar ele e sua vovó. Porém, eles são salvos pelo pai de Preston, que chega para cortar lenhas. Nesta divertida história, McNaughton brinca com Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos e mostra um lobo de muita má índole, prestes a devorar vovozinha e neto, mas, assim como no livro anterior, vê-se mal-sucedido. 

Cuidado Com o Menino, de Tony Blundell – Os lobos são sempre vistos como criaturas astutas e sagazes, mas não é o que acontece nesta narrativa. Em Cuidado Com o Menino, o lobo mau captura um menino que anda na floresta e decide comê-lo, mas o garoto percebe os planos do lobo e o aconselha a não comê-lo cru, passando-lhe uma receita altamente elaborada que irá torna-lo, em tese, muito mais saboroso. Porém, nesta tentativa de buscar ingredientes para cozinhar o menino, o lobo se cansa e o pequeno garoto consegue escapar. Blundell mostra um lobo nada esperto e sagaz, capaz de se deixar enganar. E ao contrário da Chapeuzinho Vermelho de Perrault e dos Três Porquinhos de Joseph Jacobs, este menino se recusa a virar uma vítima do lobo. 

A Verdadeira História dos Três Porquinhos, de Jon Scieszka – Quando o lobo mau decide contar sua versão de uma história tão clássica quanto a d’Os Três Porquinhos, você deveria parar para ler. Segundo ele, nunca foi sua intenção devorar os porquinhos, ele só teve o azar de estar com um resfriado e, toda vez que espirrava, acabava destruindo a casa de um porquinho. Em A Verdadeira História dos Três Porquinhos, Jon Scieszka narra um grande clássico da literatura infantil sob um outro ponto de vista: a do vilão da história. 

O mais malandro, de Mario Ramos – Tudo começa quando o Lobo avista Chapeuzinho Vermelho indo pela floresta à casa de sua vovozinha. Com planos de fazer um bom jantar, a fera engana a garota e busca chegar antes dela ao seu destino. Porém, enganado mesmo está quem pensa que o fim dessa história envolve um caçador abrindo-lhe a barriga e retirando de lá neta e avó. Em O mais malandro, nada dá certo para esse Lobo desajeitado, a começar por seu disfarce, até àquela que irá ajuda-lo a sair dessa enrascada. 

Procura-se lobo, de Ana Maria Machado com ilustrações de Laurent Cardon – Esta é a história de Manuel, que era Lobo mas não era lobo. Ora, Manuel Lobo era homem e não fera, e estava apenas procurando um emprego quando leu num anúncio que precisavam de lobos em uma empresa local. Lobo acabou se candidatando, sob a crença que não havia chances de que tais animais lessem jornal. Apesar de não ser bem o que os empregadores buscavam, ele escrevia muito bem, gostava de ler e conhecia muitas histórias, então foi contratado para ser “respondedor de cartas de lobos”. Manuel Lobo, assim, acaba encontrando muitas das feras vivas em nosso imaginário, de Chapeuzinho Vermelho, aos Três Porquinhos e os Sete Cabritinhos, além de um lobo que virou bolo por causa de uma menina de Chapeuzinho Amarelo, e faz pensar sobre o lobo e o homem, vivos na figura desse animal desde as primeiras fábulas de nossa história. 

Um lobo instruído, de Becky Bloom e Pascal Biet – Quando o Lobo chega a uma fazenda qualquer, em uma cidade pela qual passava, pretende apenas saciar sua fome e seguir seu caminho. No entanto, ao encontrar os animais lendo, sem dar a mínima para a suposta ameaça que um predador representava, ele resolve descobrir o que há de tão especial nos livros e na leitura. Em tal percurso, porém, esse Lobo irá acabar esquecendo da sua fome física – e descobrir uma outra fome em seu interior.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Bruna Furlan

Publicada pela editora Melhoramentos, Mumi Sem Memória, de Gabriele Clima, retrata com simplicidade uma narrativa tão suave quanto o protagonista dessa obra. 
Mumi é um garoto simples e que esquece, rapidamente, de tudo. Ele só não esquece do caminho de sua casa, pois, para onde quer que vá, leva consigo um fio de lã amarrado em seu tornozelo. As pessoas do vilarejo não são nem um pouco simpáticas com Mumi, mas ele, sempre meigo e tranquilo, nunca recorda das brincadeiras malvadas delas. 
Chiara Carrer, ilustradora da obra, por sua vez, seleciona elementos para criar composições que são narrativas por si só. A cada página, diferentes técnicas são utilizadas para desenhar a história e, com cores leves, várias texturas e distintos traços, Carrer traz delicadas ilustrações ao texto. 
 Porém, tudo começa a mudar com a chegada de um rico homem ao vilarejo, o que chama a atenção de seus moradores. Logo a inveja toma conta deles, causando uma transformação na dinâmica do próprio povoado. 
 Apesar de tudo, Mumi continua sendo o mesmo: um garoto alegre, tranquilo, bondoso e que se esquece de tudo. Será o comportamento dócil desse menino a lembrar às pessoas de valores que vão além dos materiais, transformando, por fim, a realidade em que vivem. 

CLIMA, Gabriele. Mumi sem memória. Ilustr.: CARRER, Chiara. São Paulo: Melhoramentos, 2013.



Bruna Furlan é graduanda em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) na Univille e acredita que as palavras gentis são sempre a melhor escolha.
Letícia Marques Hesmesmeyer

O Menino e o Tempo, escrito por Bia Hetzel, ilustrado por Graça Lima, publicado pela Editora Manati é disposto em vinte e três páginas ilustradas. A obra infanto-juvenil foi publicada em 1999 e conta a história de Gustavo, uma ingênua criança que encontra refúgio em uma pedra de um rio. 
Gustavo é uma criança que busca em certo rio, um esconderijo, um lugar para esfriar o pensamento e para concentrar-se apenas no chiado do rio. Nesse lugar cheio de boas sensações, o menino faz novas descobertas e encaixa-se às circunstâncias e características de lá. Para ele, tudo em sua volta muda e evoluí, ao contrário do rio, que permanece imutável: “O tempo passa. O sol se esconde atrás da montanha. O ninho de pedra escurece, esfria. O tempo passa. Só o rio não muda” (p. 7). Sua fértil imaginação também fazia Gustavo ver em simples fósseis, as imagens de dinossauros percorrendo por ali. 
A linguagem utilizada por Bia Hetzel é agradável e de fácil compreensão, embora haja metáforas. O intuito principal da autora nessa obra não é apenas contar a história de um menino que passava horas e horas à beira de um rio, mas sim levantar questões reflexivas sobre a temporalidade. Por isso, a leitura deste livro é indicada para crianças e adolescentes, porém terá melhor aproveitamento aqueles que tiverem a leitura mediada por um adulto, por tratar de metáforas, algumas vezes, de difícil compreensão para o público infanto-juvenil, como em: “Mas o rio não corre para trás. O rio corre para sempre. O rio corre para sempre e nunca mais.” (p. 9). 
As ilustrações de Graça Lima são coloridas e estão presentes em páginas inteiras, contrastando com a página ao lado que contém o texto escrito. Elas são simples, porém muito poéticas. Além disso, por essa simplicidade lembram desenhos de uma criança, ocorrendo, assim, um processo de identificação do seu público leitor e facilitando a compreensão da história. As ilustrações feitas por Lima servem como complemento para o entendimento da obra. O que mais me chamou a atenção no texto foi a abordagem de Hetzel sobre o existencialismo e o tempo em uma obra infanto-juvenil. Com o tempo, a angústia do tempo pairava no peito de Gustavo, que a domava e ainda brincava com ela. A autora ainda faz indagações aos leitores, sobescritas nas falas do menino: “Como seria o mundo antes de ele nascer? Como será o mundo depois de ele morrer?” (p. 14). 



Letícia é estudante de Letras, tem 20 anos e é apaixonada pela vida, pelos sonhos, pelas pessoas, pela felicidade e, sobretudo, pela paz interior. É professora de Língua Inglesa e não consegue ver-se fora desse mundo de constante aprendizagem. Adoraria viajar ao redor do mundo, conhecer novas culturas e descobrir como as pessoas encaram a vida. Sua alma é sonhadora e a liberdade é sua principal matéria. Acredita, assim como Paulo Freire, que a “educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.
Sabrine Padilha

Uma galinha astuta, uma lebre esperta e um gato gordo e comilão são alguns dos protagonistas dos nove contos escritos e ilustrados por Debi Gliori em “Histórias Para Ler na Cama” (Companhia das Letrinhas, 2002). 
Cada um dos contos trata de adaptar algumas fábulas famosas e lhe dar um humor mais moderno, incorporando às histórias clássicas elementos novos. O resultado é mais do que positivo. 
Como é típico das fábulas, estas trazem ao final um tipo de lição, por exemplo: seja solidário (A Galinhazinha Vermelha), não seja guloso (O Gato Gordo), e, é claro, não tente devorar seus vizinhos (Sopa de Prego). 
As ilustrações de Gliori são belíssimas e acrescentam muito aos contos, que são divertidos e nada previsíveis em sua nova roupagem, tendo uma originalidade bastante peculiar que faz o leitor não conseguir parar até terminar todo o livro. 


GLIORI, Debi. Histórias para ler na cama. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.


Sabrine Sharon Padilha é acadêmica do curso de História da Univille e quando ela sonha, ela sempre se lembra.
Viviane Padilha

O livro A hora da Caipora, de Regina Chamlian (Editora Ática, 1998), faz parte da Coleção Contos de Espantar Meninos criados a partir dos mitos do folclore brasileiro.
A Caipora é a senhora das florestas, protegendo a mata dos caçadores que desrespeitam a natureza. Quando o menino Zezinho e seus irmãos se aventuram pela mata, encontram o espectro de Guilherme Limões, um caçador atrevido que ousou desafiar a Caipora. O espectro, disposto a contar sua história, relata as desventuras desse encontro, enchendo os meninos de medo e dá uma grande lição sobre a importância das matas.
O livro é recheado de sustos com sua atmosfera envolvente e bom humor, fazendo reconhecer diversos personagens do folclore brasileiro que permeiam o imaginário coletivo da nação. As ilustrações de Helene Alexandrino deixam a história ainda mais tenebrosa, alternando entre imagens coloridas e pequenos quadros em preto e branco.
A hora da Caipora prende o leitor da primeira à última página e a mata como cenário principal hipnotiza o leitor que se rende ao livro como os meninos se renderam à história de Guilherme Limões. Seja em frente a uma fogueira na mata ou no sossego do seu quarto, a Caipora com certeza conquistará o jovem leitor.



Viviane Elaine Padilha é acadêmica do terceiro ano de Pedagogia, e gostaria de ter um dedo verde para tornar o mundo um lugar melhor.
Nicole Barcelos

Chapeuzinho Amarelo é amarelada de medo. Tem medo de tudo, essa Chapeuzinho. Não fala, não anda, não vai à rua, não brinca. Está, a todo tempo, à margem – porque tem medo. Mas seu medo mais que medonho não é o de se sujar, ou de engasgar, ou de ter pesadelos: é de um lobo, um lobo que nunca se vê.
Sua presença, porém, é tão latente, tão amedrontadora, que a menina parece que está para topar com ele à cada esquina, de tanto pensar nele. É através de seu “encontro” com o medo, porém, que Chapeuzinho se dará conta de que o lobo pode ser, na verdade, outra coisa.
Não por acaso escrito na década de 1970, no auge de uma ditadura, em Chapeuzinho Amarelo, a protagonista que dá nome ao moderno conto de fadas de Chico Buarque tem um destino bastante diferente do de suas contrapartes europeias de Perrault e Grimm (e, se alguma coisa, é ela quem dá uma lição no seu próprio lobo).
 Com as ilustrações em preto, branco, amarelo e vermelho de Donatella Berlendis, esse livro-poema tem também uma narrativa visual rica em simbolismo e sugestão. Na reedição dos anos 1990 da editora José Olympio, Ziraldo é quem assina a ilustração - e apesar de revisitar alguns dos conceitos propostos pela primeira ilustradora, cria uma narrativa visual com menos sugestões simbólicas e mais ilustrativa do próprio texto escrito.
A poesia de Chico Buarque, porém, é de leveza e força quiçá subversiva, coroando o debut do autor na literatura infantil em um tempo não menos oportuno para tal.

BUARQUE, Chico. Chapeuzinho amarelo. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1979.
BUARQUE, Chico. Chapeuzinho amarelo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.



Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Evelin de Freitas Costa 

É em volta da fogueira que as histórias criam vida. Daniel Mundukuru, em seu As peripécias do jabuti, conta três histórias e em todas elas o protagonista é o Jabuti. O livro foi publicado em 2007 pela editora Mercuryo Jovem. Os desenhos feitos por Ciça Fittipaldi lembram em muitos momentos as estampas indígenas. 
Pelo fato de ser indígena, o autor pode passar suas experiências em forma de fábula, uma vez que todas as três narrativas trazem uma lição muito parecida, as quais o autor aprendeu com o pajé da nação Munduruku. 
A linguagem utilizada pelo autor é clara e não lança mão de muitas metáforas, o que reduz a possibilidade de diferentes interpretações. Todos os animais se surpreendem com a agilidade e esperteza do Jabuti, e os indiozinhos em volta da fogueira ficam admirados com a sabedoria do pajé e seu maracá com aquela melodia "que tinha a finalidade de manter o céu suspenso". 

MUNDURUKU, Daniel. As Peripércias do Jabuti. São Paulo: Mercuryo Jovem, 2007.



"Porque ela viaja nos livros e se encontra nas palavras, Evelin" (Estudante de Letras - Português e Inglês na Univille)
Gabrielly Pazetto

“Murucututu da beira do telhado
leva esse menino que não quer ficar calado” 
(tradicional cantiga indígena)

Em Murucututu, Marcos Bagno aborda a lenda indígena homônima, de uma grande coruja que aparece (de vez em quando). Alguns povos acreditam que ela traz sorte, outros acreditam que anuncia a morte, mas na história de Bagno ela cuida para que as crianças durmam na hora certa, e fica à espreita, quase como um bicho-papão.
Em uma pequena casa rodeada de mato vive uma menininha muito sabida e sua avó cozinheira que conta a ela a história do Murucututu: a grande coruja da noite que fica de olho nas criancinhas que dormem até tarde, caso isso aconteça, ele vem e leva a criança para um passeio lá no alto e depois joga ela lá de cima.
A menina, porém, não dá muita bola e até acha graça da avó acreditar nessa história. Porém, quando chega a noite, ela não consegue resistir às guloseimas produzidas pela senhora e, quando descoberta, culpa a grande coruja pelos furtos e a sua avó, bastante crédula, acredita nela até que, em uma noite... a coruja aparece para a menina - de verdade - e a leva para um voo noturno cheio de descobertas. Assim, a criança descobre que a coruja não é nada má e sente um grande prazer em vagar pela noite com ela. Resgatando uma das interpretações que o Murucututu tem em algumas tribos indígenas, Bagno apresenta uma coruja que, depois de um tempo, vem buscar a menina em seu leito de morte, agora velha, para o seu voo eterno no céu.
A narrativa, cheia de perguntas e mistérios, envolve o leitor que se vê voando bem alto junto com a menina e seu amigo Murucututu. A lenda ganha complexidade e delicadeza na escrita de Bagno e as descrições são de tirar o fôlego: “o longo rio lento é uma serpente mole e lânguida, que faz suas curvas com a preguiça de quem não teme o passar das eras. O rio é escuro, oleoso, e suas águas brilham quando a lua se derrama, líquida também, sobre sua pele movediça”.
Os tons das ilustrações de Nelson Cruz trazem o Murucututu de maneira bastante detalhada, quase palpável. A avó, retratada como uma matrona forte, também ganha destaque, enquanto a menina, na sua aparente fragilidade, é desenhada de forma minúscula em comparação aos outros elementos das ilustrações.
Desta forma, o livro Murucututu é um prato cheio para quem busca uma história mística, envolvente e extremamente delicada.

BAGNO, Marcos. Murucututu. São Paulo: Ática, 2005.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.
Gabrielly Pazetto
Luana Simão
Nicole Barcelos
*Agradecimentos especiais à Cymara Sell

O segundo domingo de maio é tradicionalmente o domingo para nos lembrarmos da figura que nos alenta, ampara e conforta: mãe. Seja ela de sangue ou de criação, este é um dia excelente para um café, biscoitos e... livros. Pensando nessa data, preparamos uma lista com treze livros que contam histórias que retratam as mais diversas mães – com os mais diferentes filhos.

Mamãe Trouxe um Lobo para Casa, de Rosa Amanda Strausz, com ilustrações de Fernando Nunes – Um divertido menino se vê em uma situação desconfortável quando sua mãe traz um lobo (de verdade) para morar com eles e ambos têm de aprender a lidar um com o outro. Nesta narrativa, a autora aborda a realidade de muitas mães divorciadas que decidem se casar novamente. A história partiu de uma experiência pessoal de Strausz, que afirma: “Hoje, eu, Diogo [filho] e meu novo marido vivemos muito felizes. Garanto a vocês que ninguém morde ninguém”.

Fico à espera, de Davide Cali e Serge Bloch – Nesta envolvente história rica em ilustrações, acompanhamos a narrativa quase inteiramente visual de uma vida inteira ligada por fios: criança, adolescente, adulto, idoso, todas essas fases se apresentam e se entrelaçam para formar uma composição emocionante nesta obra dos europeus Cali e Bloch.

Tchau, de Lygia Bojunga Nunes – Conto que dá nome ao livro homônimo, Tchau é a história de Rebeca, de seu irmão Donatelo, de seu Pai e sua Mãe, e de suas despedidas. No primeiro conto de uma seleção de quatro, Lygia Bojunga tece com leveza infantil o retrato amargo de muitos Pais e Mães – e de seus filhos que ficam para trás.

Orie, de Lucia Hiratsuka – Orie é uma pequena menina em um grande mundo. Acompanhando seus pais, em seu barco a cruzar os caminhos, ela passa a conhecer ao lado deles, pouco a pouco, as novidades que os lugares guardam aos seus olhos cheios de novidade. Em sua história repleta de vai-e-vens, Orie por vezes se deixa levar pela vida, e por vezes se deixa ficar. Porém, é com esse ir e vir, poeticamente escrito e ilustrado por Lucia Hiratsuka, que a menininha deixa de ser tão pequena assim – e aprende a deixar o ninho.

Pacto no bosque, de Gustavo Martin Garzo, com ilustrações de Beatriz Martin Vidal – Já recomendado como uma leitura de Páscoa, essa é uma história de mães e filhos. Todas as noites, Paula e Gustavo pedem à mãe para que conte a história de dois filhotes de coelho que, perdidos no bosque, encontram uma loba que está para dar cria. Pelas palavras da mãe, as crianças se transformam nos próprios coelhinhos que ajudam uma outra mãe: a loba que tem seus filhotes. Em uma narrativa que inspira o “fazer o bem sem olhar a quem”, o encanto das palavras de Gustavo Martin Garzo ganha vida nas ilustrações quase surreais de Beatriz Martin Vidal.

A diaba e sua filha, de Marie NDiaye, com ilustrações de Nadja – Em um lugar qualquer, em um tempo qualquer, vaga pela noite uma diaba. De porta em porta, ela vai indagando quem encontra no caminho a respeito do paradeiro de sua filha que sumiu sem deixar vestígios e da qual não lembra direito. NDiaye constrói nesse curto, porém profundo conto, uma narrativa sobre identidade, medo e preconceito em que todos nós poderíamos ser a diaba e aqueles que fecham suas portas para ela.

A galinha que criava um ratinho, de Ana Maria Machado, com ilustrações de Mariana Massarani – Cheios de vontade de ter um filho, um galo e uma galinha adotam um ratinho para criar e formam uma família bem feliz (e inusitada). Nesta curiosa fábula, Ana Maria Machado nos brinda com uma narrativa cheia de intertextualidades e uma moral um tanto quanto surpreendente. Completando o arco, os traços de Mariana Massarani deixam tudo ainda mais delicado.

A bruxa Salomé, de Audrey Wood, com ilustrações de Don Wood – Uma mãe sai para comprar mantimentos e avisa aos seus sete filhos: “Tenham muito cuidado e lembrem-se: não deixem ninguém estranho entrar nem cheguem perto do fogo”. Quando esta regra não é obedecida, é claro, uma grande confusão acontece. As ilustrações realistas de Don Wood e a história de Audrey Wood, sua esposa, fazem desta história uma ótima leitura para nos lembrar da força e da determinação que uma mãe pode ter.

João e Maria, de Neil Gaiman, com ilustrações de Lorenzo Mattotti – Nesta versão do clássico dos irmãos Grimm, Neil Gaiman traz uma mãe cruel, que convence o pai a abandonar João e Maria na floresta para que eles não precisem compartilhar sua comida com os filhos. Perdidos, eles se veem na casa de uma velhinha nada bondosa. Esta história reafirma a imagem da mãe insensível que os próprios Grimm haviam trazido no conto original. O italiano Lorenzo Mattotti completa a composição trazendo ilustrações em preto e branco, coroando o tom sombrio e excêntrico que permeia toda a narrativa.

Tudo e todas as coisas, de Nicola Yoon – Quando era um bebê, Madeline foi diagnosticada com uma doença que a tornava alérgica a todas as coisas. Desde então, nunca saiu de casa, tendo por companhia somente a mãe, a enfermeira e os livros. Agora, na adolescência, depois que uma nova família muda-se para a casa ao lado, Maddy percebe que o mundo e os sentimentos que já experimentou são muito mais amplos do que os limites de sua janela.

O Castelo Animado, de Diana Wynne Jones – Sophie não esperava nada de si mesma, tinha uma vida bem monótona e conformada, vivia na chapelaria que herdara do pai com as irmãs e a madrasta. Quando o feitiço de uma bruxa a torna uma velha de 90 anos, ela percebe que já não tem muito a perder e acaba por ir trabalhar no castelo do terrível mago Howl. Como nem tudo é como parece, Sophie vai ser desafiada a ver as coisas e as pessoas com outro olhar, assim como o livro, que desafia o leitor a ver a relação de madrasta e enteada além daquela dos contos de fadas.

Os Garotos Corvos, Maggie Stiefvater – Blue Sargent é a única não-medium em uma família de médiuns. Ela vive com a mãe, tias, primas e amigas em uma casa que parece mais uma entidade do que uma família, na verdade. Avisada pelas mulheres de sua vida de que se um dia beijasse o amor de sua vida, ele morreria, Blue se vê envolvida com um grupo de pessoas que sempre jurou manter longe. O livro é o primeiro de uma quadrilogia, em que os desafios vão além da aventura, os personagens irão em busca de um passado, de um futuro e de quem essencialmente são.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Luana Simão é graduanda em Letras na Univille (Língua Porutuguesa e Inglesa) e divide seu tempo vago lutando em batalhas épicas, governando reinos distantes e viajando pelo hiperespaço.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Kauane Cambruzzi

A história do livro Minha família é colorida se inicia quando Ângelo começa a se perguntar por que ele tem um tipo de cabelo e seus irmãos outro; por que a pele dele é como a pele da bisavó e a do irmão dele não. A mãe de Ângelo percebe, então, que é hora de contar a história da família deles para o filho. Ela começa lá atrás, com o pai do pai do pai do Ângelo e a mãe do pai do pai do Ângelo. 
Com uma narrativa simples, porém cheia de poesia e metáforas para explicar para crianças como um filho nasce com os cabelos crespos e o outro com cabelos lisos, ou que juntando os pedacinhos do pai e os pedacinhos da mãe, nasce um filho diferente do outro.
Explorando o que é uma família e como elas se formam (características físicas ou não) Georgina Martins escreve um livro que vale a pena ser lido para qualquer criança, tirando dúvidas e fazendo nascer outras. O livro perfeito para explorar a história de cada um. As ilustrações de Maria Eugênia dão um encanto especial para uma obra que já é mágica. A cada página podemos encontrar um pedacinho da história da família de Ângelo através dos traços da ilustradora.
Nas páginas finais da primeira edição do livro, publicado pela editora SM, há uma explicação mais aprofundada e didática de como nossa genética funciona e como a árvore genealógica de todo mundo é tão colorida como a de Ângelo – e cá entre nós, tudo fica bem melhor com um pouco de cor.


MARTINS, Georgina. Minha família é colorida. São Paulo: Edições SM, 2005.



Kauane Cambruzzi é graduanda em Letras na Univille. Tem os cabelos cacheados e sabe que deve agradecer à bisavó por eles, assim como deve agradecer ao pai por lhe comprar livros e à mãe por lê-los, trazendo a literatura para sua vida.

Luana Seidel

Com o infortúnio da escravidão, muitos africanos foram brutalmente tirados de sua terra e trazidos para o Brasil. Apesar da diferença de culturas, não podemos negar que a África possui uma cultura belíssima e rica, com detalhes e diversas histórias propagadas por meio da fala, a grande maioria sem nenhum uso da escrita, de avô para pai, de pai para filho e assim por diante. 
E por serem detalhes importantes, Raul Lody traz em sua obra Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem o esclarecimento sobre a visão de mundo da cultura africana, das suas crenças, da criação do mundo e dos seus responsáveis. 
Escrito e ilustrado por Lody e publicado pela Editora Pallas em 2007, o autor e ilustrador utiliza – com sucesso – desenhos étnicos, com muitas cores e formas que dão ideias quase ancestrais para aproximar o leitor da temática abordada. 
Entre Ogum, Olodumare e outros grandes, percebemos como é importante que seja explicado de onde veio cada um destes e quais foram seus papeis na criação do mundo, visto que a cultura africana se misturou com a nossa nos tornando um pouco mais malês, iorubas, jejes, mas quando nos perguntamos quem são estes, não sabemos explicar com propriedade.
De um curto trecho, podemos perceber que os homens são muito parecidos uns com os outros e erram quase sempre no mesmo ponto, não importando em que parte do mundo ele vive ou à qual Deus aquele adore: “... O homem, porém, não seguiu rigorosamente as instruções de Ogum: não soube aproveitar a natureza oferecida por Olodumare. O homem preferiu guerrear em vez de plantar, preferiu matar em vez de semear, preferiu formar exércitos em vez de habitar pacificamente a terra.” (p. 13) 
No final do livro, o autor traz um glossário com vinte termos da cultura abordada que serve para tirar a dúvida de quem ainda confunde os diferentes nomes e para explicar mais detalhadamente quem fez o quê, quem é filho de quem e etc. 
A obra é ótima para quem quer ter maior noção sobre a sabedoria das religiões africanas, pode ser lida por diversos públicos, principalmente a partir do juvenil, visto que Lody utiliza a linguagem simples para aproximar o leitor e mostrar as lendas, sem deixar a obra simples ou infantil demais. A sensação pós leitura deste livro é a de que podemos estudar mais e ter ainda mais conhecimento dessa cultura tão bonita e tão importante para o povo brasileiro. 
Até logo, ou melhor: Odàbó!

LODY, Raulo. Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem. Rio de Janeiro: Pallas, 2007.



Luana Seidel é graduanda do curso de Letras (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) da Univille. Trocou o oxigênio por arte há tempos – e não se arrepende disso.


Nicole Barcelos

No sonho, a liberdade voa com mais asas.
(Bartolomeu Campos de Queirós)

Livro que mais parece sonho, Elefante, obra póstuma de Bartolomeu Campos de Queirós, editada em 2013 pela extinta Cosac Naify, não tem medo de mergulhar (e, quem sabe, se afogar) no mundo do eu e no outro, pelo fio dos mais humanos dos sentimentos.
De lirismo ímpar, essa narrativa guia o leitor para um universo onírico, em que o protagonista (ou melhor, eu-lírico), dentro das linhas do horizonte das paredes de seu quarto, transborda-se ao encontrar uma curiosa criatura: um elefante que cabe na palma de sua mão a adentrar, sem licença, em seu sonho. É pelo encontro com esse outro (que também é eu) que o eu-lírico tem em si despertados sentimentos contraditórios acerca do amor e da liberdade - e que se vê num conflito quase tão profundo quanto a imensidão do ser.
Com imagens poéticas de beleza singela, Elefante é igualmente bem ilustrado por Bruno Novelli (que assina como 9LI), que traz em suas gravuras em laranja e azul uma narrativa à parte, contando ainda mais dessa imersão em si mesmo.
A última obra de Bartolomeu Campos de Queirós a ser publicada é, como tudo aquilo que o autor fez, de poesia e humanidade sem igual.


QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Elefante. São Paulo: Cosac Naify, 2013, 1. ed.


Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Cymara Sell
Nicole Barcelos


Azuis, amarelos e vermelhos também, grandes, pequenos, redondos e até quadrados... Os ovos de Páscoa - símbolos quase universais dessa festividade - são de todas as cores e formas. No entanto, não são apenas os ovinhos que podem adoçar essa data que é marcada por um sentimento tão forte de esperança. Livros de todas as cores e formas também podem nos alimentar, independentemente da cor, forma, ou credo de cada um! Por isso, para essa Páscoa nós reunimos uma pequena seleção de histórias que de alguma maneira conversam com essa tradição!


Advinha quanto eu te amo, de Sam McBratney, ilustrado por Anita Jeram - Graciosamente ilustrada, essa é uma história de pais e filhos (talvez muito similarmente ao imaginário cristão). Em um divertido jogo com ares de competição, Coelhinho e Coelho Pai vem a descobrir que o amor não é assim tão fácil de se medir.

Pacto no bosque, de Gustavo Martin Garzo e Beatriz Martin Vidal - Duas crianças ouvem a mãe contar a história de dois filhotes de coelho perdidos no bosque que se deparam com uma loba prestes a dar cria. Com ilustrações belíssimas que mostram as crianças entrando na fantasia narrada pela mãe, esta é uma história que encanta sobretudo pela mensagem esperançosa da renovação trazida por pequenos gestos de bondade – e pelos filhos. Para todos os lobos e coelhos lerem, tenham ou não filhotes.

O Mistério do Coelho Pensante, de Clarice Lispector: Joãozinho é um coelho que vive preso em uma casinhola. Como tantos outros, franze o nariz para pensar até que um dia, de tanto franzi-lo, acaba tendo uma ideia ótima para fugir e passa a viver uma vida muito melhor. Que ideia foi essa é o grande mistério deste livro cheio de entrelinhas que, segundo Clarice, “só serve para criança que simpatiza com coelho”.

Aura, de Carlos Fuentes: Um jovem historiador lê um anúncio de oferta de emprego cujas exigências parecem descrevê-lo. Necessitando de um trabalho bem remunerado e certo de sua qualificação, dirige-se ao local indicado, uma velha mansão encravada entre prédios modernos onde moram uma velha senhora, sua bela sobrinha Aura e uma coelha chamada Saga. Com a tarefa de organizar e editar as memórias do falecido marido da velha, o jovem envolve-se com as mulheres até compreender, quando já não pode mais fugir, as forças sombrias que o trouxeram até ali. Saga é a chave do mistério que liga a velha à sua sobrinha Aura e o motivo pelo qual esta novela do escritor mexicano consta dessas indicações de Páscoa. Afinal, a simbologia de renascimento que envolve os coelhos é muito anterior à crença cristã na ressurreição, remontando aos cultos mágicos e pagãos à deusa Eostre, de cujo nome originou-se Easter (Páscoa em inglês).

14 Pérolas Judaicas, de Ilan Brenman, ilustrado por Ionit Zilberman: que tal aproveitar a Pessach para conhecer um pouco mais da cultura judaica? Nesta coletânea estão reunidos contos da tradição oral que, segundo o autor, contém humor e a “reafirmação da beleza da vida e sua preservação”, características importantes na identidade e preservação de um povo que desde a libertação do Egito ainda procura a terra prometida. Destaque para o conto “O sábio de Chelm”, sobre o rabino de uma pequena cidade que queria conhecer Varsóvia e acaba perdendo-se (ou encontrando-se?) de um jeito muito inusitado.

Yeshua Absoluto, de Laudo Ferreira, com arte-final de Omar Viñole: para recontar a vida de Jesus numa perspectiva mais humana e menos divina, o autor utilizou como elemento de pesquisa tanto evangelhos canônicos quanto apócrifos, com destaque para o de Maria Madalena. Respeitando profundamente a importância dos preceitos éticos estabelecidos pelo jovem nazareno, a história aborda a importância de Madalena como confidente, discípula e par intelectual de Jesus.



Cymara Sell atua como bolsista no Prolij desde 2016. É graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) e lê para lembrar que é gente.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
No dia 18 de abril comemora-se, por ocasião do nascimento de Monteiro Lobato, o dia nacional da literatura infantil. Em 2017, Lobato completa 135 anos e o Prolij, que desde sua criação tem se dedicado à literatura infantil juvenil, completa seus 20 anos.

Para dar início ao ano que marca a segunda década do programa, o Prolij irá promover, no dia 18 de abril, uma palestra comemorativa! As convidadas dessa noite são as professoras Gilmara Goulart (Timbó/SC) e a professora sênior e fundadora do programa, Sueli de Souza Cagneti. Com a palestra "Literatura Infantil Brasileira: história antes, com e pós Lobato, ilustrada por textos de seus diferentes tempos", as palestrantes discutirão a trajetória e importância da literatura infantil nacional, tendo como ponto central Monteiro Lobato. Será discutido, assim, o que se tinha no Brasil como textos/histórias/poemas para crianças antes de Lobato, o que se teve com ele, e qual seu legado em relação ao florescimento literário da década de 70, bem como as mudanças ocorridas no mundo e suas influências sobre o livro para a criança na contemporaneidade.

A palestra ocorrerá a partir das 19h, no Auditório da Reitoria, e não é preciso realizar inscrições ou pagar pela entrada. Todos aqueles interessados podem participar dessa noite de comemoração! Aqueles que assinarem o livro de assinaturas disponível no espaço também poderão validar as horas de participação em declaração de horas complementares!

Para mais informações, acesse o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/130019957530552/ 



Estão abertas as inscrições para os grupos de estudos do nosso programa! Os interessados tem até o dia 24 de março (sexta-feira) para realizar suas inscrições, devendo entrar em contato conosco até essa data. É possível realizar a inscrição por e-mail (prolij@univille.br), pelo telefone (47) 34619059, ou pessoalmente na sala do programa (piso térreo da Biblioteca Universitária, no campus Bom Retiro), lembrando que o Prolij está aberto das 14h30 às 18h30, de segunda à sexta. 
Qualquer um (membros da comunidade, acadêmicos de quaisquer cursos, egressos da Univille ou de outras instituições, professores, etc.) pode participar dos grupos! Se houver interesse, o participante pode optar por participar dos dois grupos (o de leitura e contação de histórias e o de leitura e discussão).
Para mais detalhes sobre ambos os grupos, acesse suas respectivas páginas: grupo de leitura e contação de histórias e grupo de leitura e discussão.

Em caso de dúvidas, contate o programa por um desses canais!




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