Evelin de Freitas Costa 

É em volta da fogueira que as histórias criam vida. Daniel Mundukuru, em seu As peripécias do jabuti, conta três histórias e em todas elas o protagonista é o Jabuti. O livro foi publicado em 2007 pela editora Mercuryo Jovem. Os desenhos feitos por Ciça Fittipaldi lembram em muitos momentos as estampas indígenas. 
Pelo fato de ser indígena, o autor pode passar suas experiências em forma de fábula, uma vez que todas as três narrativas trazem uma lição muito parecida, as quais o autor aprendeu com o pajé da nação Munduruku. 
A linguagem utilizada pelo autor é clara e não lança mão de muitas metáforas, o que reduz a possibilidade de diferentes interpretações. Todos os animais se surpreendem com a agilidade e esperteza do Jabuti, e os indiozinhos em volta da fogueira ficam admirados com a sabedoria do pajé e seu maracá com aquela melodia "que tinha a finalidade de manter o céu suspenso". 

MUNDURUKU, Daniel. As Peripércias do Jabuti. São Paulo: Mercuryo Jovem, 2007.



"Porque ela viaja nos livros e se encontra nas palavras, Evelin" (Estudante de Letras - Português e Inglês na Univille)
Gabrielly Pazetto

“Murucututu da beira do telhado
leva esse menino que não quer ficar calado” 
(tradicional cantiga indígena)

Em Murucututu, Marcos Bagno aborda a lenda indígena homônima, de uma grande coruja que aparece (de vez em quando). Alguns povos acreditam que ela traz sorte, outros acreditam que anuncia a morte, mas na história de Bagno ela cuida para que as crianças durmam na hora certa, e fica à espreita, quase como um bicho-papão.
Em uma pequena casa rodeada de mato vive uma menininha muito sabida e sua avó cozinheira que conta a ela a história do Murucututu: a grande coruja da noite que fica de olho nas criancinhas que dormem até tarde, caso isso aconteça, ele vem e leva a criança para um passeio lá no alto e depois joga ela lá de cima.
A menina, porém, não dá muita bola e até acha graça da avó acreditar nessa história. Porém, quando chega a noite, ela não consegue resistir às guloseimas produzidas pela senhora e, quando descoberta, culpa a grande coruja pelos furtos e a sua avó, bastante crédula, acredita nela até que, em uma noite... a coruja aparece para a menina - de verdade - e a leva para um voo noturno cheio de descobertas. Assim, a criança descobre que a coruja não é nada má e sente um grande prazer em vagar pela noite com ela. Resgatando uma das interpretações que o Murucututu tem em algumas tribos indígenas, Bagno apresenta uma coruja que, depois de um tempo, vem buscar a menina em seu leito de morte, agora velha, para o seu voo eterno no céu.
A narrativa, cheia de perguntas e mistérios, envolve o leitor que se vê voando bem alto junto com a menina e seu amigo Murucututu. A lenda ganha complexidade e delicadeza na escrita de Bagno e as descrições são de tirar o fôlego: “o longo rio lento é uma serpente mole e lânguida, que faz suas curvas com a preguiça de quem não teme o passar das eras. O rio é escuro, oleoso, e suas águas brilham quando a lua se derrama, líquida também, sobre sua pele movediça”.
Os tons das ilustrações de Nelson Cruz trazem o Murucututu de maneira bastante detalhada, quase palpável. A avó, retratada como uma matrona forte, também ganha destaque, enquanto a menina, na sua aparente fragilidade, é desenhada de forma minúscula em comparação aos outros elementos das ilustrações.
Desta forma, o livro Murucututu é um prato cheio para quem busca uma história mística, envolvente e extremamente delicada.

BAGNO, Marcos. Murucututu. São Paulo: Ática, 2005.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.
Gabrielly Pazetto
Luana Simão
Nicole Barcelos
*Agradecimentos especiais à Cymara Sell

O segundo domingo de maio é tradicionalmente o domingo para nos lembrarmos da figura que nos alenta, ampara e conforta: mãe. Seja ela de sangue ou de criação, este é um dia excelente para um café, biscoitos e... livros. Pensando nessa data, preparamos uma lista com treze livros que contam histórias que retratam as mais diversas mães – com os mais diferentes filhos.

Mamãe Trouxe um Lobo para Casa, de Rosa Amanda Strausz, com ilustrações de Fernando Nunes – Um divertido menino se vê em uma situação desconfortável quando sua mãe traz um lobo (de verdade) para morar com eles e ambos têm de aprender a lidar um com o outro. Nesta narrativa, a autora aborda a realidade de muitas mães divorciadas que decidem se casar novamente. A história partiu de uma experiência pessoal de Strausz, que afirma: “Hoje, eu, Diogo [filho] e meu novo marido vivemos muito felizes. Garanto a vocês que ninguém morde ninguém”.

Fico à espera, de Davide Cali e Serge Bloch – Nesta envolvente história rica em ilustrações, acompanhamos a narrativa quase inteiramente visual de uma vida inteira ligada por fios: criança, adolescente, adulto, idoso, todas essas fases se apresentam e se entrelaçam para formar uma composição emocionante nesta obra dos europeus Cali e Bloch.

Tchau, de Lygia Bojunga Nunes – Conto que dá nome ao livro homônimo, Tchau é a história de Rebeca, de seu irmão Donatelo, de seu Pai e sua Mãe, e de suas despedidas. No primeiro conto de uma seleção de quatro, Lygia Bojunga tece com leveza infantil o retrato amargo de muitos Pais e Mães – e de seus filhos que ficam para trás.

Orie, de Lucia Hiratsuka – Orie é uma pequena menina em um grande mundo. Acompanhando seus pais, em seu barco a cruzar os caminhos, ela passa a conhecer ao lado deles, pouco a pouco, as novidades que os lugares guardam aos seus olhos cheios de novidade. Em sua história repleta de vai-e-vens, Orie por vezes se deixa levar pela vida, e por vezes se deixa ficar. Porém, é com esse ir e vir, poeticamente escrito e ilustrado por Lucia Hiratsuka, que a menininha deixa de ser tão pequena assim – e aprende a deixar o ninho.

Pacto no bosque, de Gustavo Martin Garzo, com ilustrações de Beatriz Martin Vidal – Já recomendado como uma leitura de Páscoa, essa é uma história de mães e filhos. Todas as noites, Paula e Gustavo pedem à mãe para que conte a história de dois filhotes de coelho que, perdidos no bosque, encontram uma loba que está para dar cria. Pelas palavras da mãe, as crianças se transformam nos próprios coelhinhos que ajudam uma outra mãe: a loba que tem seus filhotes. Em uma narrativa que inspira o “fazer o bem sem olhar a quem”, o encanto das palavras de Gustavo Martin Garzo ganha vida nas ilustrações quase surreais de Beatriz Martin Vidal.

A diaba e sua filha, de Marie NDiaye, com ilustrações de Nadja – Em um lugar qualquer, em um tempo qualquer, vaga pela noite uma diaba. De porta em porta, ela vai indagando quem encontra no caminho a respeito do paradeiro de sua filha que sumiu sem deixar vestígios e da qual não lembra direito. NDiaye constrói nesse curto, porém profundo conto, uma narrativa sobre identidade, medo e preconceito em que todos nós poderíamos ser a diaba e aqueles que fecham suas portas para ela.

A galinha que criava um ratinho, de Ana Maria Machado, com ilustrações de Mariana Massarani – Cheios de vontade de ter um filho, um galo e uma galinha adotam um ratinho para criar e formam uma família bem feliz (e inusitada). Nesta curiosa fábula, Ana Maria Machado nos brinda com uma narrativa cheia de intertextualidades e uma moral um tanto quanto surpreendente. Completando o arco, os traços de Mariana Massarani deixam tudo ainda mais delicado.

A bruxa Salomé, de Audrey Wood, com ilustrações de Don Wood – Uma mãe sai para comprar mantimentos e avisa aos seus sete filhos: “Tenham muito cuidado e lembrem-se: não deixem ninguém estranho entrar nem cheguem perto do fogo”. Quando esta regra não é obedecida, é claro, uma grande confusão acontece. As ilustrações realistas de Don Wood e a história de Audrey Wood, sua esposa, fazem desta história uma ótima leitura para nos lembrar da força e da determinação que uma mãe pode ter.

João e Maria, de Neil Gaiman, com ilustrações de Lorenzo Mattotti – Nesta versão do clássico dos irmãos Grimm, Neil Gaiman traz uma mãe cruel, que convence o pai a abandonar João e Maria na floresta para que eles não precisem compartilhar sua comida com os filhos. Perdidos, eles se veem na casa de uma velhinha nada bondosa. Esta história reafirma a imagem da mãe insensível que os próprios Grimm haviam trazido no conto original. O italiano Lorenzo Mattotti completa a composição trazendo ilustrações em preto e branco, coroando o tom sombrio e excêntrico que permeia toda a narrativa.

Tudo e todas as coisas, de Nicola Yoon – Quando era um bebê, Madeline foi diagnosticada com uma doença que a tornava alérgica a todas as coisas. Desde então, nunca saiu de casa, tendo por companhia somente a mãe, a enfermeira e os livros. Agora, na adolescência, depois que uma nova família muda-se para a casa ao lado, Maddy percebe que o mundo e os sentimentos que já experimentou são muito mais amplos do que os limites de sua janela.

O Castelo Animado, de Diana Wynne Jones – Sophie não esperava nada de si mesma, tinha uma vida bem monótona e conformada, vivia na chapelaria que herdara do pai com as irmãs e a madrasta. Quando o feitiço de uma bruxa a torna uma velha de 90 anos, ela percebe que já não tem muito a perder e acaba por ir trabalhar no castelo do terrível mago Howl. Como nem tudo é como parece, Sophie vai ser desafiada a ver as coisas e as pessoas com outro olhar, assim como o livro, que desafia o leitor a ver a relação de madrasta e enteada além daquela dos contos de fadas.

Os Garotos Corvos, Maggie Stiefvater – Blue Sargent é a única não-medium em uma família de médiuns. Ela vive com a mãe, tias, primas e amigas em uma casa que parece mais uma entidade do que uma família, na verdade. Avisada pelas mulheres de sua vida de que se um dia beijasse o amor de sua vida, ele morreria, Blue se vê envolvida com um grupo de pessoas que sempre jurou manter longe. O livro é o primeiro de uma quadrilogia, em que os desafios vão além da aventura, os personagens irão em busca de um passado, de um futuro e de quem essencialmente são.



Gabrielly Pazetto é graduanda em Letras (Língua Porutuguesa e Inglesa) pela Univille e técnica em Informática. Atua como bolsista no Prolij e faz dos livros que lê barcos de viagens inesquecíveis.

Luana Simão é graduanda em Letras na Univille (Língua Porutuguesa e Inglesa) e divide seu tempo vago lutando em batalhas épicas, governando reinos distantes e viajando pelo hiperespaço.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Kauane Cambruzzi

A história do livro Minha família é colorida se inicia quando Ângelo começa a se perguntar por que ele tem um tipo de cabelo e seus irmãos outro; por que a pele dele é como a pele da bisavó e a do irmão dele não. A mãe de Ângelo percebe, então, que é hora de contar a história da família deles para o filho. Ela começa lá atrás, com o pai do pai do pai do Ângelo e a mãe do pai do pai do Ângelo. 
Com uma narrativa simples, porém cheia de poesia e metáforas para explicar para crianças como um filho nasce com os cabelos crespos e o outro com cabelos lisos, ou que juntando os pedacinhos do pai e os pedacinhos da mãe, nasce um filho diferente do outro.
Explorando o que é uma família e como elas se formam (características físicas ou não) Georgina Martins escreve um livro que vale a pena ser lido para qualquer criança, tirando dúvidas e fazendo nascer outras. O livro perfeito para explorar a história de cada um. As ilustrações de Maria Eugênia dão um encanto especial para uma obra que já é mágica. A cada página podemos encontrar um pedacinho da história da família de Ângelo através dos traços da ilustradora.
Nas páginas finais da primeira edição do livro, publicado pela editora SM, há uma explicação mais aprofundada e didática de como nossa genética funciona e como a árvore genealógica de todo mundo é tão colorida como a de Ângelo – e cá entre nós, tudo fica bem melhor com um pouco de cor.


MARTINS, Georgina. Minha família é colorida. São Paulo: Edições SM, 2005.



Kauane Cambruzzi é graduanda em Letras na Univille. Tem os cabelos cacheados e sabe que deve agradecer à bisavó por eles, assim como deve agradecer ao pai por lhe comprar livros e à mãe por lê-los, trazendo a literatura para sua vida.

Luana Seidel

Com o infortúnio da escravidão, muitos africanos foram brutalmente tirados de sua terra e trazidos para o Brasil. Apesar da diferença de culturas, não podemos negar que a África possui uma cultura belíssima e rica, com detalhes e diversas histórias propagadas por meio da fala, a grande maioria sem nenhum uso da escrita, de avô para pai, de pai para filho e assim por diante. 
E por serem detalhes importantes, Raul Lody traz em sua obra Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem o esclarecimento sobre a visão de mundo da cultura africana, das suas crenças, da criação do mundo e dos seus responsáveis. 
Escrito e ilustrado por Lody e publicado pela Editora Pallas em 2007, o autor e ilustrador utiliza – com sucesso – desenhos étnicos, com muitas cores e formas que dão ideias quase ancestrais para aproximar o leitor da temática abordada. 
Entre Ogum, Olodumare e outros grandes, percebemos como é importante que seja explicado de onde veio cada um destes e quais foram seus papeis na criação do mundo, visto que a cultura africana se misturou com a nossa nos tornando um pouco mais malês, iorubas, jejes, mas quando nos perguntamos quem são estes, não sabemos explicar com propriedade.
De um curto trecho, podemos perceber que os homens são muito parecidos uns com os outros e erram quase sempre no mesmo ponto, não importando em que parte do mundo ele vive ou à qual Deus aquele adore: “... O homem, porém, não seguiu rigorosamente as instruções de Ogum: não soube aproveitar a natureza oferecida por Olodumare. O homem preferiu guerrear em vez de plantar, preferiu matar em vez de semear, preferiu formar exércitos em vez de habitar pacificamente a terra.” (p. 13) 
No final do livro, o autor traz um glossário com vinte termos da cultura abordada que serve para tirar a dúvida de quem ainda confunde os diferentes nomes e para explicar mais detalhadamente quem fez o quê, quem é filho de quem e etc. 
A obra é ótima para quem quer ter maior noção sobre a sabedoria das religiões africanas, pode ser lida por diversos públicos, principalmente a partir do juvenil, visto que Lody utiliza a linguagem simples para aproximar o leitor e mostrar as lendas, sem deixar a obra simples ou infantil demais. A sensação pós leitura deste livro é a de que podemos estudar mais e ter ainda mais conhecimento dessa cultura tão bonita e tão importante para o povo brasileiro. 
Até logo, ou melhor: Odàbó!

LODY, Raulo. Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem. Rio de Janeiro: Pallas, 2007.



Luana Seidel é graduanda do curso de Letras (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) da Univille. Trocou o oxigênio por arte há tempos – e não se arrepende disso.


Nicole Barcelos

No sonho, a liberdade voa com mais asas.
(Bartolomeu Campos de Queirós)

Livro que mais parece sonho, Elefante, obra póstuma de Bartolomeu Campos de Queirós, editada em 2013 pela extinta Cosac Naify, não tem medo de mergulhar (e, quem sabe, se afogar) no mundo do eu e no outro, pelo fio dos mais humanos dos sentimentos.
De lirismo ímpar, essa narrativa guia o leitor para um universo onírico, em que o protagonista (ou melhor, eu-lírico), dentro das linhas do horizonte das paredes de seu quarto, transborda-se ao encontrar uma curiosa criatura: um elefante que cabe na palma de sua mão a adentrar, sem licença, em seu sonho. É pelo encontro com esse outro (que também é eu) que o eu-lírico tem em si despertados sentimentos contraditórios acerca do amor e da liberdade - e que se vê num conflito quase tão profundo quanto a imensidão do ser.
Com imagens poéticas de beleza singela, Elefante é igualmente bem ilustrado por Bruno Novelli (que assina como 9LI), que traz em suas gravuras em laranja e azul uma narrativa à parte, contando ainda mais dessa imersão em si mesmo.
A última obra de Bartolomeu Campos de Queirós a ser publicada é, como tudo aquilo que o autor fez, de poesia e humanidade sem igual.


QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Elefante. São Paulo: Cosac Naify, 2013, 1. ed.


Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
Cymara Sell
Nicole Barcelos


Azuis, amarelos e vermelhos também, grandes, pequenos, redondos e até quadrados... Os ovos de Páscoa - símbolos quase universais dessa festividade - são de todas as cores e formas. No entanto, não são apenas os ovinhos que podem adoçar essa data que é marcada por um sentimento tão forte de esperança. Livros de todas as cores e formas também podem nos alimentar, independentemente da cor, forma, ou credo de cada um! Por isso, para essa Páscoa nós reunimos uma pequena seleção de histórias que de alguma maneira conversam com essa tradição!


Advinha quanto eu te amo, de Sam McBratney, ilustrado por Anita Jeram - Graciosamente ilustrada, essa é uma história de pais e filhos (talvez muito similarmente ao imaginário cristão). Em um divertido jogo com ares de competição, Coelhinho e Coelho Pai vem a descobrir que o amor não é assim tão fácil de se medir.

Pacto no bosque, de Gustavo Martin Garzo e Beatriz Martin Vidal - Duas crianças ouvem a mãe contar a história de dois filhotes de coelho perdidos no bosque que se deparam com uma loba prestes a dar cria. Com ilustrações belíssimas que mostram as crianças entrando na fantasia narrada pela mãe, esta é uma história que encanta sobretudo pela mensagem esperançosa da renovação trazida por pequenos gestos de bondade – e pelos filhos. Para todos os lobos e coelhos lerem, tenham ou não filhotes.

O Mistério do Coelho Pensante, de Clarice Lispector: Joãozinho é um coelho que vive preso em uma casinhola. Como tantos outros, franze o nariz para pensar até que um dia, de tanto franzi-lo, acaba tendo uma ideia ótima para fugir e passa a viver uma vida muito melhor. Que ideia foi essa é o grande mistério deste livro cheio de entrelinhas que, segundo Clarice, “só serve para criança que simpatiza com coelho”.

Aura, de Carlos Fuentes: Um jovem historiador lê um anúncio de oferta de emprego cujas exigências parecem descrevê-lo. Necessitando de um trabalho bem remunerado e certo de sua qualificação, dirige-se ao local indicado, uma velha mansão encravada entre prédios modernos onde moram uma velha senhora, sua bela sobrinha Aura e uma coelha chamada Saga. Com a tarefa de organizar e editar as memórias do falecido marido da velha, o jovem envolve-se com as mulheres até compreender, quando já não pode mais fugir, as forças sombrias que o trouxeram até ali. Saga é a chave do mistério que liga a velha à sua sobrinha Aura e o motivo pelo qual esta novela do escritor mexicano consta dessas indicações de Páscoa. Afinal, a simbologia de renascimento que envolve os coelhos é muito anterior à crença cristã na ressurreição, remontando aos cultos mágicos e pagãos à deusa Eostre, de cujo nome originou-se Easter (Páscoa em inglês).

14 Pérolas Judaicas, de Ilan Brenman, ilustrado por Ionit Zilberman: que tal aproveitar a Pessach para conhecer um pouco mais da cultura judaica? Nesta coletânea estão reunidos contos da tradição oral que, segundo o autor, contém humor e a “reafirmação da beleza da vida e sua preservação”, características importantes na identidade e preservação de um povo que desde a libertação do Egito ainda procura a terra prometida. Destaque para o conto “O sábio de Chelm”, sobre o rabino de uma pequena cidade que queria conhecer Varsóvia e acaba perdendo-se (ou encontrando-se?) de um jeito muito inusitado.

Yeshua Absoluto, de Laudo Ferreira, com arte-final de Omar Viñole: para recontar a vida de Jesus numa perspectiva mais humana e menos divina, o autor utilizou como elemento de pesquisa tanto evangelhos canônicos quanto apócrifos, com destaque para o de Maria Madalena. Respeitando profundamente a importância dos preceitos éticos estabelecidos pelo jovem nazareno, a história aborda a importância de Madalena como confidente, discípula e par intelectual de Jesus.



Cymara Sell atua como bolsista no Prolij desde 2016. É graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa) e lê para lembrar que é gente.

Nicole Barcelos é graduanda em Letras na Univille (Língua Portuguesa e Língua Inglesa). Atua como bolsista do Prolij desde 2014 e vive se perdendo em buracos de coelho.
No dia 18 de abril comemora-se, por ocasião do nascimento de Monteiro Lobato, o dia nacional da literatura infantil. Em 2017, Lobato completa 135 anos e o Prolij, que desde sua criação tem se dedicado à literatura infantil juvenil, completa seus 20 anos.

Para dar início ao ano que marca a segunda década do programa, o Prolij irá promover, no dia 18 de abril, uma palestra comemorativa! As convidadas dessa noite são as professoras Gilmara Goulart (Timbó/SC) e a professora sênior e fundadora do programa, Sueli de Souza Cagneti. Com a palestra "Literatura Infantil Brasileira: história antes, com e pós Lobato, ilustrada por textos de seus diferentes tempos", as palestrantes discutirão a trajetória e importância da literatura infantil nacional, tendo como ponto central Monteiro Lobato. Será discutido, assim, o que se tinha no Brasil como textos/histórias/poemas para crianças antes de Lobato, o que se teve com ele, e qual seu legado em relação ao florescimento literário da década de 70, bem como as mudanças ocorridas no mundo e suas influências sobre o livro para a criança na contemporaneidade.

A palestra ocorrerá a partir das 19h, no Auditório da Reitoria, e não é preciso realizar inscrições ou pagar pela entrada. Todos aqueles interessados podem participar dessa noite de comemoração! Aqueles que assinarem o livro de assinaturas disponível no espaço também poderão validar as horas de participação em declaração de horas complementares!

Para mais informações, acesse o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/130019957530552/ 



Estão abertas as inscrições para os grupos de estudos do nosso programa! Os interessados tem até o dia 24 de março (sexta-feira) para realizar suas inscrições, devendo entrar em contato conosco até essa data. É possível realizar a inscrição por e-mail (prolij@univille.br), pelo telefone (47) 34619059, ou pessoalmente na sala do programa (piso térreo da Biblioteca Universitária, no campus Bom Retiro), lembrando que o Prolij está aberto das 14h30 às 18h30, de segunda à sexta. 
Qualquer um (membros da comunidade, acadêmicos de quaisquer cursos, egressos da Univille ou de outras instituições, professores, etc.) pode participar dos grupos! Se houver interesse, o participante pode optar por participar dos dois grupos (o de leitura e contação de histórias e o de leitura e discussão).
Para mais detalhes sobre ambos os grupos, acesse suas respectivas páginas: grupo de leitura e contação de histórias e grupo de leitura e discussão.

Em caso de dúvidas, contate o programa por um desses canais!




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