A FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil Juvenil) ressalta, em seu último boletim informativo, a convergência de datas importantes para o livro (e para o livro infantil e juvenil) e a literatura em um mês do calendário: o de abril. Não por acaso, afinal, é em abril que ocorre o evento bianual do PROLIJ, o Abril Mundo, que iniciou celebrando justamente um dos autores comemorados nessa época e, esse ano, celebra o aniversário de 18 anos do PROLIJ (Programa Institucional de Literatura Infantil Juvenil da Univille) na exposição realizada na última semana do mês.
Além disso, podemos marcar em nossos calendários o dia do livro infantil, dia do direito autoral, o aniversário de Hans Chrstian Andersen... e vários acontecimentos pertinentes a área acontecendo agora, em abril.
Descubra abaixo as razões para abril ser tão especial e outras informações lendo o documento completo!




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Nessa sexta-feira (24/04), foi realizado às 18h30 (horário de Brasília), o sorteio dos três kits de livros expostos durante os dias 22 a 24 de abril, como encerramento da exposição do Abril Mundo 2015: 18 anos de PROLIJ, ocorrida na própria Univille (Universidade da Região de Joinville). Os ganhadores levam para casa um volume  de cada edição do Livros dos Livros (Livro dos Livros, Livro dos Livros: Literatura Africana e Afro-brasileira, Livro dos Livros: A Literatura Indígena), um exemplar do vencedor do Concurso de Narrativas Visuais Prolij 10 anos, Preto no Branco (lançado em 2007), mais um exemplar sortido de um livro de literatura infantil juvenil.


Confira abaixo os ganhadores:

(05) Haline F. Machado
(33) Joice Gonçalves Marting
(45) Eloizio da S. Vieira



Pedimos aos ganhadores que venham retirar seus prêmios do PROLIJ (a sala do programa fica no piso térreo da Biblioteca Universitária, no Campus do Bom Retiro). Lembrando que o horário de funcionamento do PROLIJ é o seguinte: segunda, quarta, quinta e sexta: 7h30 às 11h30; segunda à sexta: 14h30 às 18h30. 

Foi lançada nessa quinta (12/03) a programação da 12ª Feira do Livro de Joinville. O evento ocorrerá do dia 10 ao dia 19 de abril, no Centreventos Cau Hansen, e contará com diversas atrações. Entre os nomes confirmados, encontram-se Ziraldo, Bia Bedran, Leo Cunha, Paula Pimenta, Lucília Garcez, Luiz Antônio Aguiar, Rogério Pereira e Tino Freitas. 
Para conferir a programação completa, acesse o site do evento ou continue lendo.



Por Lutrícia Monti e Sianny Ferraz

INFANTIL
O menino ia no mato
E a onça comeu ele.
Depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino
E ele foi contar para a mãe.
A mãe disse: Mas se a onça comeu você, como é que
o caminhão passou por dentro do seu corpo?
É que o caminhão só passou renteando meu corpo
E eu desviei depressa.
Olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.
Eu não preciso de fazer razão.






         O poema de Manuel de Barros, “Infantil”, nos leva para um universo de imaginação e a tentativa de um menino criando uma poesia. O poema é uma narrativa simples carregada de imaginação e é também extremamente visual, pois em cada verso percebe-se a sensibilidade do eu lírico.
          O poema é iniciado com uma narrativa em forma de história, sendo que essa história é bem típica do imaginário infantil, “o menino ia no mato/ e a onça comeu ele/ depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino”.  Logo entra o papel da mãe “mas se a onça comeu você, como é que o caminhão passou por dentro do seu corpo?”, a resposta do menino é simples “olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia/ e não preciso fazer razão”, nesse último verso podemos ver a transformação da história que o menino narra, para emoção que ele quer transmitir. E nisso consiste a poesia e o idioleto manoelês, imaginar e não fazer razão, e, dessa maneira, percebe-se com clareza o porquê do título “infantil”, ser criança também é não fazer razão. 
        A delicadeza e sutileza das palavras que seu Manoel de Barros escolhia para seus poemas, refletiam a forma como ele levava a vida, um poeta que escolheu a infância como meio de expressão, que apreciava coisas simples, cotidianas e pouco valorizadas pelos adultos. Para nosso poeta passarinho, a poesia estava na invenção das coisas, a beleza das palavras libertadoras de Manoel de Barros, não podem ser vistas por pessoas razoáveis. Partiu jovem, aos 84 anos, nunca deixou a infância, sempre foi um vagabundo profissional, que nunca precisou de razão para fazer poesia.


Relação dos participantes do Programa Institucional de Literatura Infantil Juvenil da Univille.
Por Carolina Reichert

O livro “Fita verde no cabelo”, de João Guimarães Rosa, publicado pela editora Nova Fronteira, em 1992, e ilustrado por Roger Mello, traz uma releitura da conhecida história de “Chapeuzinho Vermelho”.

Nessa, como na original, a menina é mandada à casa da avó pela mãe, com cesto e pote e uma “fita verde inventada no cabelo”. O caminho trilhado por Fita-Verde também é repleto de distrações, mas diferente das versões conhecidas, dos Irmãos Grimm e de Perrault, não há sinal de lobo, e é a própria Fita-Verde quem escolhe trilhar o caminho mais longo.
O lobo, até então ausente na história de Guimarães Rosa, é encontrado na casa da avó que, já doente, despede-se de sua neta, quando questionada sobre seus olhos: “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha…”. Fita-Verde conhece a morte pela primeira vez, e este grande lobo consome parte do mundo que conheceu até ali.
Em “Fita verde no cabelo”, Guimarães mostra ao leitor novas possibilidades de leitura, aproximando a clássica história de “Chapeuzinho Vermelho” do cenário brasileiro, também tornando o temido lobo mau em medos comuns a todos, como são a morte e a solidão que Fita-Verde vivencia. Além disso, a liguagem poética usada pelo autor só tem a favorecer a leitura do conto.
A ilustração de Roger Mello é outro ponto enriquecedor quando se trata de linguagem. O ilustrador possibilita um novo olhar sobre a leitura, traduzindo sentimentos que a obra desperta e guiando o leitor por diferentes perspectivas do conto.
“Fita verde no cabelo” é uma obra que pode ser apreciada tanto por jovens quanto por adultos. A narrativa é atemporal e trabalha de maneira poética temas universais, comuns a todo ser humano, independente da idade.



Obra: Fita verde no cabelo.
Autor: Guimarães Rosa
Ilustrador: Roger Mello
Editora: Nova Fronteira
Ano: 1992.
Por Msc. Alcione Pauli
alcionepauli@hotmail.com
                                 
  “A primeira luz reinava absoluta. Porém, quando foram criadas as noites que serviam para os homens descansarem, as serpentes resolveram roubá-la, e a esconderam em uma caverna.” (GUARÁ, 2011, p. 9)

Com muita sensibilidade e delicadeza no traçado da escrita, Roní Wasiry Guará, artista da etnia Maraguá, traz o relato do surgimento do primeiro grande amor do mundo.
O texto inicia com o cuidado de informar ao leitor de que lugar é a história, ou seja, há uma contextualização sobre o mundo ao qual a narrativa pertence.  Há ainda um glossário para esclarecer vocábulos escritos em tupy.
Roní Wasiry Guará, em sua primeira publicação, escreve suavemente sobre a existência de um primeiro grande amor. Conta como foram os primeiros contatos, os gracejos, as relações... a separação e como conseguiram superar a distância e encontrar-se.
Quem são os protagonistas deste amor? Onde eles estão? Ele existe? Há de ter amor à distância? O que é o amor?
Um texto apaixonante, humano que trata do mito do surgimento de um fenômeno natural. Para conhece-lo, basta ler e voar no livro: Çaíçu ´Indé: O primeiro grande amor do mundo um livro com sabor de estrelas e com os sons dos raios de sol.

Obra: Çaíçu ´Indé: O primeiro grande amor do mundo
Autora: Roní Wasiry Gruará
Ilustradora: Humberto Rodrigues
Editora: Valer

Ano: 2011
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