Resenha de A árvore vermelha

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3 Comments
Maria Lúcia Costa Rodrigues
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade da UNIVILLE
Pesquisadora voluntária do Prolij

Mesmo em momentos difíceis, boas surpresas podem acontecer em nossas vidas. Pode vir com uma palavra, um olhar, um presente ou um livro, que nos revela com poucas palavras e imagens explodindo na página recém descoberta o segredo de vivermos nesse tempo pós-moderno. Falo do livro A árvore vermelha, de Shaun Tan.

O autor conta e ilustra a história de um dia difícil para uma personagem triste e melancólica que não consegue dividir com os outros seus sentimentos em relação ao mundo, por se sentir um peixe fora d’agua em um mundo desumano, individualista e exigente, que massifica o homem.

O livro apresenta um texto bem simples e direto, o autor deixa a surpresa para as imagens, construídas com colagens, tintas e lápis, numa paleta de cores quentes em predominância.

As cenas são impressionantes, ou a palavra correta seria expressionantes. Com luminosidade e escuridão na medida certa para nos transportar ao universo interior da personagem, evidenciando uma atmosfera carregada e enfatizando a circularidade do tempo que parece não passar.

Algumas das cenas nos remetem a Edvard Munch artista do movimento expressionista, principalmente pela eficácia em transmitir a angústia e o desespero. Mas quem lê este texto que fala de um livro com tantos elementos entristecedores deve pensar que seria o livro que jamais desejaria possuir. Não, de maneira alguma é esse o caso. A eficácia do autor em trabalhar as imagens que tomam conta do livro de formato grande, potencializa a nossa carga de sensações a cada cena revelada. Ele nos mostra caminhos possíveis diante do caos, uma fagulha de esperança que se faz sempre presente.

Assim é A árvore vermelha, um convite a reflexões sobre o mundo nesse tempo pós-moderno, com todos os seus problemas, mas também com toda a possibilidade de encontrar saídas. Basta nos permitirmos.



TAN, Shaun. A árvore vermelha. Tradução Isa Mesquita São Paulo: Edições SM, 2009.






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3 comentários:

Í.ta** disse...

o final do texto ficou encantador :)

Claudia Belli disse...

Parabéns Maria Lúcia!
Econtrei palavras encantadas para um convite a leitura deste livro.
Abraços poéticos para todos do PROLIJ!

Geraldo Costa disse...

Gostei Lucia. Muito bom!!

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