A árvore vermelha

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Mesmo em momentos difíceis, boas surpresas podem acontecer em nossas vidas. Pode vir com uma palavra, um olhar, um presente ou um livro, que nos revela com poucas palavras e imagens explodindo na página recém descoberta o segredo de vivermos nesse tempo pós-moderno. Falo do livro A árvore vermelha, de Shaun Tan.
O autor conta e ilustra a história de um dia difícil para uma personagem triste e melancólica que não consegue dividir com os outros seus sentimentos em relação ao mundo, por se sentir um peixe fora d’agua em um mundo desumano, individualista e exigente, que massifica o homem.
O livro apresenta um texto bem simples e direto, o autor deixa a surpresa para as imagens, construídas com colagens, tintas e lápis, numa paleta de cores quentes em predominância.
As cenas são impressionantes, ou a palavra correta seria expressionantes. Com luminosidade e escuridão na medida certa para nos transportar ao universo interior da personagem, evidenciando uma atmosfera carregada e enfatizando a circularidade do tempo que parece não passar.
Algumas das cenas nos remetem a Edvard Munch artista do movimento expressionista, principalmente pela eficácia em transmitir a angústia e o desespero. Mas quem lê este texto que fala de um livro com tantos elementos entristecedores deve pensar que seria o livro que jamais desejaria possuir. Não, de maneira alguma é esse o caso. A eficácia do autor em trabalhar as imagens que tomam conta do livro de formato grande, potencializa a nossa carga de sensações a cada cena revelada. Ele nos mostra caminhos possíveis diante do caos, uma fagulha de esperança que se faz sempre presente.
Assim é A árvore vermelha, um convite a reflexões sobre o mundo nesse tempo pós-moderno, com todos os seus problemas, mas também com toda a possibilidade de encontrar saídas. Basta nos permitirmos.


TAN, Shaun. A árvore vermelha. Tradução Isa Mesquita São Paulo: Edições SM, 2009.

Maria Lúcia Costa Rodrigues
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade da UNIVILLE
Pesquisadora voluntária do Prolij.


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3 comentários:

Í.ta** disse...

o final do texto ficou encantador :)

Claudia Belli disse...

Parabéns Maria Lúcia!
Econtrei palavras encantadas para um convite a leitura deste livro.
Abraços poéticos para todos do PROLIJ!

Geraldo Costa disse...

Gostei Lucia. Muito bom!!

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