Viagens necessárias

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A vida de Salamanca Árvore Hiddle, uma garota de 14 anos, muda bruscamente quando ela muda-se de Bybanks, Kentucky, onde morava em um sítio, para Euclid, Ohio, em um lugar onde as casas são todas iguais. A mudança ocorreu alguns meses depois que a mãe de Sal (esse é o apelido da nossa protagonista) deixou a família e viajou para Lewiston, Idaho.
Um ano depois da mudança, Sal parte com seus avós para uma viagem de carro de 6 dias, passando por lugares em que sua mãe havia estado. Para Sal, é uma viagem necessária: ela acreditava que, se pudesse chegar a Lewiston a tempo do aniversário da mãe, poderia trazê-la de volta. Durante a viagem, Salamanca conta aos avós a história de Phoebe Hibernal, a amiga que conheceu em Euclid e que vive uma situação de abandono semelhante à sua. Sal acompanha o drama familiar de Phoebe e essa experiência a ajuda a entender o que havia acontecido com sua mãe e por que ela foi embora.
“Andar duas Luas”, de Sharon Creech, conta de viagens necessárias: há a história de Sal, que viaja para encontrar respostas sobre sua mãe; por trás desta, há a história da partida da mãe de Sal, que precisa descobrir a mulher que havia por baixo; e a história de Phoebe e de sua mãe, que também teve que se afastar para encontrar-se.
É interessante observar a questão feminina nas personagens: a mulher que se torna esposa e depois mãe, omitindo-se para dedicar-se aos filhos e ao marido, assumindo o papel de mulher respeitável.
E há os bilhetes deixados misteriosamente na casa de Phoebe, que são um presente também para o leitor: provérbios como “Nunca julgue um homem antes de andar duas luas com os mocassins dele”, ou “Em uma vida, que importância tem isso?” provocam uma leitura profunda, reflexiva, nos levam a pensar sobre a vida e as escolhas que fazemos.
Andar duas Luas é um livro delicado e belo. Sua leitura é um prazer, um deleite. O leitor precisa se deixar envolver, acompanhando Sal em sua viagem e torcendo para que essa personagem tão pura encontre o que busca e seja feliz.
Juliana do Amaral
Acadêmica do 2º ano do Curso de Letras Licenciatura da Univille


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Um comentário:

Í.ta** disse...

é, de fato, um livro delicado e belo. muito bem escrito. maravilhoso de se ler.

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