poemizando

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6 Comments
com este poema - abaixo -,
fazemos aqui no blog do prolij
um convite:
apresentarmos os poetas que somos
"nas horas vagas" de nossas escritas.


está lançado o desafio!
_ _ _ _ _ 
sem título


por ítalo puccini


eu sempre quis escrever um poema com sapatos.
vesti-los
e andar por aí a amaciá-los,
como que fazendo brotar dali um poema.

porque o poema, quando brota,
traz consigo um susto,
um estranhamento,
como de quem veste sapatos
para fazê-los,
ou usá-los,

poema e sapato.

mesmo que incompleto,
mesmo que sem sola,
eu sempre quis escrever um poema com sapatos.


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6 comentários:

Prolij / Univille disse...

Gostei, Italo. do poema e da ideia. que cheguem ao nosso blog os nossos poetas.

Aninha Kita disse...

Que legal! Gostei da proposta, conhecer atrás desses ótimos professores e resenhistas (existe isso? neologismo é permitido!), os possíveis poetas e poetizas!

Lindo poema, Ítalo! Simples e cheio de verdade! ;D

Beijos.
Ana

Marina Leonardi Fiamoncini disse...

Oi! O Link do Twitter está dando erro!

Í.ta** disse...

arrumado!

Aline Strey disse...

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. (Clarice Lispector)

Sou o tempo todo, a mistura do que gostaria de ser e estar, do que sinto e da imaginação que me move. Sou pés que trazem. Não tenho folga de mim, e isto cansa -os livros salvam todos- Não posso ser nova, outra. Sempre com a dúvida eterna do “eu não sei”, e, da invasão que sinto sempre. Não é, portanto de folga, que eu vivo para viver a poesia. Na minha preguiça, eu leio.Na loucura eu leio.Quando apenas fico a refletir, e olho por uma janela qualquer, interna ou real... e de desistente posso querer ter esperança de novo e de novo com as pessoas, comigo e com o mundo.Por isso estou sempre falando alto.Por isso estou sempre estranhando a minha volta.Não sou aquela com momentos de poeta.
Nada de intervalos internos. Posso ser aquela que disfarça a poeta para a rotina...Adaptação.Mas, ela é constante, nas pequenas coisas.Está sempre lá...Como os olhos felizes de uma criança, a se distrair por um brilho do sol, em algum lugar...

Alice Strey

mcris disse...

Oi, Ítalo!

Sabe o Gianni Rodari? Ao ler o seu poema, me lembrei dessa história, criada pelas crianças da escola maternal Diana, de Reggio Emilia, a partir do 'binômio fantástico' luz e sapatos:

Tinha um menino que sempre punha os sapatos do seu pai. Uma noite o pai do menino ficou cansado de ficar sem sapatos, então pendurou o menino na luz, mas quando era meia-noite o menino caiu, então o pai dele disse: - O que será, um ladrão?
Foi ver e encontrou o menino no chão. O menino tinha ficado todo aceso. Então o pai experimentou girar-lhe a cabeça e ele não apagava, experimentou puxar-lhe as orelhas e ele não apagava, experimentou dar-lhe um apertão no nariz e ele não apagava, experimentou puxar-lhe os cabelos e ele não apagava, experimentou cutucar-lhe o umbigo e ele não apagava, experimentou tirar-lhe os sapatos fora e conseguiu: o menino se apagou.


A proposta do 'binômio fantástico' (além daquela outra, mais simples mas tão bela quanto, a da 'pedra no pântano') está na Gramática da Fantasia e aqui: http://bit.ly/bcRQ3R.

Abraço.

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