Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        O livro “Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica” é integrante da coleção Cultura Negra e Identidades e se mostra como uma importante obra teórica acerca da literatura africana e afro-brasileira.
        É dividido em quatro artigos principais e um de conclusão, escritos por três autoras diferentes, docentes da UFMG: Iris Maria da Costa Amâncio, Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge. Integra o projeto Novos percursos e novos horizontes de formação: a continuidade das ações afirmativas para universitários negros na UFMG, apoiado pelo Programa UNIAFRO II (MEC/SESU/SECAD) e realizado pela equipe do Programa Ações Afirmativas na UFMG, nos anos de 2006 e 2007. 
        Preocupadas com a formação de professores e com o currículo que se apresenta nos cursos de graduação, as autoras trazem à luz questões importantes como a ausência da literatura africana e afro-brasileira nos cursos de pedagogia e de questões relacionadas à lei 10.639/03 nos cursos de licenciatura.
        O livro ainda apresenta vários textos de escritores africanos e brasileiros e propostas de atividades elaboradas pelas cursistas participantes do projeto.
        Indispensável na biblioteca de todo professor!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica
Autoras: Iris Maria da Costa Amâncio; Nilma Lino Gomes e Miriam Lúcia dos Santos Jorge
Editora: Autêntica
Ano: 2008
Páginas: 166


Por Cleber Fabiano da Silva e Silvio Leandro da Silva

            Após o café da manhã, Mama Panya e seu filho Adika partem em direção ao mercado – com apenas duas moedas – a fim de comprar ingredientes para fazer panquecas. “__ Quantas panquecas você vai fazer?__ Um pouco e um pouquinho mais”. No caminho encontram Mzee Odolo que é convidado pelo menino para jantar com eles. Em seguida, Adika faz o convite para os amigos Sawandi e Naiman. Tomada de susto, a mãe ouve a resposta de Gamila que também irá ao encontro. Sem contar Bibi Zawenna e Rafiki Kaya.
            Preocupada com o número de convidados, já no caminho de volta para casa Mama pergunta: __ Quantas pessoas convidamos para hoje à noite? (s/p.) Com esse interessante argumento, o livro As panquecas de Mama Panya, editora SM, traz uma narrativa envolvente cujo cenário é uma aldeia na República do Quênia. A história chama atenção pelo grau de confiança da mãe nos convidados do filho, como também, por conta das diferenças entre os convivas. Mzee Odolo, por exemplo, é um senhor idoso e o primeiro a ser lembrado.
            Para além da narrativa, os autores apresentam no final do livro aspectos informativos sobre o cotidiano numa aldeia queniana: dados acerca da população, da vida rural, do modelo escolar e as formas de organização do trabalho. As ilustrações – verdadeiras obras de arte –  complementam o clima festivo do texto fornecendo pistas da riqueza da fauna e da flora do país. Outro dado interessante apresentado são as línguas faladas e alguns cumprimentos e tratamentos do idioma local.
            Enfim, depois de uma bela história e uma rica imersão na cultura de Adika, que tal experimentarmos a receita da famosa panqueca de Mama Panya que se encontra na última página do livro? Não exagere, basta um pouco e um pouquinho mais...

FICHA TÉCNICA:

Obra: As panquecas de Mama Panya
Autores: Mary e Rich Chamberlin
Tradutora: Cláudia Ribeiro Mesquita
Ilustradora: Julia Cairns
Editora: SM
Ano: 2005
Por Silvio Leandro da Silva [1]

“Para muitos, enlouquecer e sonhar são defeitos. Desconhecem que 
só enlouquecemos ao não viver os sonhos."[2]

        A epígrafe acima foi escolhida por mim para confortar e tentar expressar um pouco do que estou sentindo a respeito do acontecimento tão cheio de pesar que foi a recente partida do premiado autor Bartolomeu Campos de  Queiros. Ele viveu seus sonhos! Suas obras, dedicadas principalmente à literatura infantojuvenil, nos foram deixadas como legado literário-patrimonial e humano. Nos últimos meses realizei (juntamente com minha orientadora Sueli de Souza Cagneti) uma série de leituras do autor e sobre aquilo que já se disse sobre ele, pois venho pesquisando as reminiscências presentes em sua escrita e, por isso, exponho aqui algumas de minhas impressões. A leitura de suas prosas poéticas nos convida a compartilhar a singularidade de suas vivências (relatadas de forma autobiográfica) e, a aproximação com o mundo apresentado, nos provoca uma sensação de pertencimento. É através dessa coletividade, que também compartilham desse sentimento os amigos prolijianos que muitas vezes se debruçaram sobre obras de Bartolomeu e, comovidos, realizaram seu movimento de alteridade. Lançamos ao infinito nosso agradecimento por sua existência que nos apresentou um olhar engrandecedor sobre nossas microvivências.
        OBRIGADO, BARTÔ!!!


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[1] Pesquisador voluntario do PROLIJ e mestrando em Patrimônio cultural e Sociedade - UNIVILLE.

[2] QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Antes do Depois. Rio de Janeiro: Manati, 2006. p.14
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

        Em Mãe África, o escritor Celso Sisto traz uma coletânea de contos, lendas, mitos e fábulas africanas, fruto de um trabalho longo e árduo. A paixão do escritor pela literatura infantil e pela contação de histórias fez com que o livro falasse por si só.
        Histórias de criação do mundo, de feiticeiras e monstros, animais e natureza são o carro chefe do livro. Ao todo são 31 narrativas de várias partes da África, mostrando um continente amplo, plural e mágico. Muitas dessas histórias já viajaram o mundo e chegaram aqui, trazendo um pedacinho da África pra nós.
        Uma boa pedida para levar para sala de aula um pouquinho da magia africana e perceber a grande diversidade daquele continente.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Mãe África
Autor e ilustrador: Celso Sisto
Editora: Paulus
Ano: 2007
Por Sonia Regina Reis Pegoretti

      A história de “Krokô e a galinhola” veio do Burundi, um pequeno país da África Central, e traduzido e adaptado por Maté pela Brinque-Book. É realmente uma narrativa fabulosa!
      O livro traz como personagens principais um crocodilo faminto e uma galinha d’angola que insiste em ciscar perto do rio. A esperteza dessa pintada, fazendo conexões sobre os antepassados de ambos vai conquistando pouco a pouco o voraz crocodilo. “Irmão, ó meu irmão, você não pode me caçar!”
      A narrativa faz uma ótima reflexão sobre as relações e a tolerância, bem como a diversidade. Se vivemos no mesmo mundo, somos todos parentes?
      A ilustração de Maté é belíssima. Muito colorida em pintura em aquarela, chamando muito a atenção para os personagens e seu ambiente.  Em todas as páginas também aparecem desenhos “misteriosos” que foram inspirados nos motivos tradicionais do povo kuba, da África Central, que são bordados pelas mulheres em suas saias de cerimônia.
      Uma leitura que traz prazer, diversão e um mundo de possibilidades!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Krokô e a galinhola
Autora e ilustradora: Maté
Editora: Brinque-Book
Ano: 2008
Por Sueli de Souza Cagneti

Você sabia a razão de não podermos olhar fixamente para a luz e o brilho do Sol? E com referência à Lua por que ocorre o contrário? Pois é. Através do reconto de um dos tantos mitos de origem, Celso Sisto nos expõe o que fizeram o menino Sol e a quase mocinha Lua, quando suas mães tomavam banho no rio. A eles era proibido olhá-las nessa hora. A curiosidade, no entanto, numa tarde, foi maior e...
Essa história que nos chega do Senegal, através de Sisto, foi ilustrada por Maurício Negro. Negro, como se sabe, dispensa comentários como ilustrador. Principalmente quando se trata da temática africana ou afro-brasileira, pois suas imagens nos transportam não apenas para a paisagem africana como para um mundo místico, carregado de mistérios, mitos e ritos, próprio de culturas ancestrais, cujo imaginário se perpetuou através de suas narrativas orais.

FICHA TÉCNICA:

Obra: Raio de Sol, Raio de Lua
Autor: Celso Sisto
Ilustrador: Maurício Negro
Editora: Prumo
Ano: 2011

Por Sonia Regina Reis Pegoretti

      “Madiba!” É dessa forma que os africanos carinhosamente chamam o sul-africano Nelson Mandela. Político e também homem do povo, conhece a fundo as riquezas e os problemas do continente africano, berço das civilizações.
      É nada mais, nada menos desse ícone mundial que vem o livro “Meus contos africanos”. Nelson Mandela selecionou 32 histórias entre fábulas, mitos e lendas de 14 países diferentes. Um verdadeiro tesouro! Segundo ele, essas histórias viajam, e a mesma história pode ser encontrada em diversos lugares com variações locais, sofrendo metamorfoses e floreios ao longo dos séculos.
      Um dos destaques do livro é “Natiki”, considerada a cinderela africana. Para quem gosta de contos de fada, é uma boa oportunidade de comparar as várias cinderelas presentes na literatura infanto-juvenil e dar vazão à criatividade das crianças depois de conhecerem essa bela narrativa.
      Histórias de reis e rainhas, príncipes e princesas, animais que falam e contam histórias povoam esse livro mágico. Imperdível!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Meus contos africanos
Seleção: Nelson Mandela
Editora: Martins Fontes
Ano: 2009
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