Alguma coisa de muito diferente

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Por Ítalo Puccini
(Colaborador-ouvinte do Prolij e acadêmico do 4º ano de Letras / Univille)

A literatura é um troço louco. Algo nela me encanta de uma maneira difícil de explicar. Escrevo, escrevo, escrevo e leio sobre, mas, ainda bem, jamais conseguirei defini-la, muito menos expressar com uma mínima proximidade o que ela provoca em mim.
Fiz a leitura de De repente, nas profundezas do bosque, do escritor israelense Amós Oz, e, novamente, durante e após a leitura, o sentimento de que a literatura provoca no ser humano algo que foge de sua compreensão me invadiu. É uma sensação muito boa, alguma coisa de muito diferente de todo o resto. Ainda bem que não consigo mais viver sem sentir isto. Um livro após o outro. Um sentimento que complementa o outro.
Uma fábula muito gostosa, sem maiores enrolações, escrita com leveza. Os capítulos são, em sua maioria, curtos. Não são todos os capítulos que terminam fazendo alguma ponte direta com o próximo. Não há essa necessidade.
Em uma aldeia pacata não há bicho algum. O que seria um mistério, é tratado com certo descaso pelos adultos. Não por algumas crianças. Poucas. Três ou nove. O mergulho delas em tal mistério é o fio condutor da narrativa. Elas sentem que há algo a mais naquele bosque. Seus olhos imploram por novas imagens. Elas não recuam. E... (é fazer a leitura e descobrir o que elas descobrem; ou não).
Nunca havia lido nada do escritor israelense. Se a primeira impressão é a que fica, esta é muito boa. É um livro infanto-juvenil. Desconheço se o único do autor para essa faixa etária. Independentemente desta categorização, é um livro para todos aqueles que se dispõem a se aventurar por entre árvores e personagens, mergulhando no mistério da solidão humana e animal.



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