Algumas considerações sobre o livro "João e os sete gigantes mortais", de Sam Swope

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1 Comments

No livro João e os sete gigantes mortais somos convidados a acompanhar o protagonista na busca por suas origens, numa tentativa de constituição da própria identidade. Durante a viagem, João enfrenta sete gigantes mortais que personalizam os sete pecados capitais. Estes seres míticos representam desafios interiores para João, que tem também em si os pecados que enfrenta. A derrota de cada gigante representa a superação de uma fraqueza e mostra o caminho para a constituição do herói.
A capa do livro apresenta João à sombra de um gigante em posição ameaçadora. João está com as mãos no bolso e parece frágil, à mercê do risco iminente. À frente de João vemos a parte posterior da vaca e seu rabo. De acordo com o dicionário de Simbologia de Manfred Lurker “no hinduísmo, o moribundo agarra um rabo de vaca a fim de ser levado em segurança sobre o rio da morte”. Essa definição aplica-se ao contexto da trama: há uma espécie de pacto entre João e a vaca, pois ela guia o menino, que viaja deitado sobre suas costas.
As cores da capa e contracapa são verde e laranja; elas podem sugerir o amadurecimento do personagem durante a narrativa. O livro tem formato padrão; esse recurso pode ter sido utilizado para inseri-lo no campo dos infanto-juvenis, pois o livro infantil tem tamanho diferenciado.
As ilustrações são de suma importância. Para Sonia Salomão Khéde, a verdadeira relação entre texto e imagem ocorre somente se a ilustração
“(...) Dialogar com o texto em vários níveis e de diversos modos, através de uma interpretação, uma leitura ‘imagística’ do texto. (...) A perspectiva narrativa da ilustração pode levá-la a representar cenas e situações que não estão, inclusive, no texto verbal.”
Em “João e os sete gigantes mortais” há uma ilustração para cada abertura de capítulo. As imagens, criadas por Carll Cneut, são em preto e branco e possibilitam uma leitura aberta e dinâmica, estabelecendo a relação texto-imagem de maneira interessante e subjetiva.
Juliana Amaral
Acadêmica do 2° ano Curso de Letras Licenciatura da Univille


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Um comentário:

Í.ta** disse...

que legais esses olhares de formato do livro, do que ele diz ao leitor além do escrito.

legal mesmo!

parabéns!

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