Transbordar

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Ah! Como é bom amar.
Bartolomeu Campos de Queirós nos mostra em seu livro Ah! Mar, RHJ, 2007, toda a beleza e plenitude do amor pelo desconhecido e pelo impossível. Através de sua prosa poética já conhecida dos leitores, com muita graça e melodia, seu texto aponta deslumbre, coragem e afeição pelo mar. Depositado por quem nasce entre montanhas e sonha em conhecer a imensidão azul do mar, colocando-o como seu amado que lhe embala e o faz sonhar.
Um livro carregado de lirismo e de um desejo enorme de amar e ser correspondido. Uma jornada embalada pelo canto das sereias que pode ser confundido com o canto das lavadeiras dos riachos. Assim como um marinheiro que sai para a imensidão à procura de aventuras, o mineiro procura encontrar o amor que provém do mar.
Depois de ter crescido como marinheiro de terra seca e tentado fazer o céu virar mar, ele conhece o rio São Francisco com suas carrancas e decide: “não quero ser marujo de água doce, brotando em serras e eternamente procurando o sal do mar”. O protagonista não quer ter medo da morte, pois tudo deságua em mar.
As ilustrações de André Neves apresentam imensa sintonia com o texto e proporcionam ao mesmo tempo, angustia e prazer. Um texto que trata da difícil arte de existir, da solidão e do sofrer.
Ah! Mar. Realmente um livro de tirar o fôlego e inventar oceanos. Um encontro de marejar os olhos. De transbordar.

Livro: Ah! Mar
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Ilustrações: André Neves
Editora: RHJ editora, Belo Horizonte, 2007

Andréa OliveiraMestranda em Patrimônio Cultural e sociedade – UNIVILLE
Pesquisadora Voluntaria do PROLIJ


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2 comentários:

Anônimo disse...

Andréa...Bartolomeu foi homenageado com sua resenha. Parabéns pela sensibilidade nos "teclados".
Beijos,
Alcione

Í.ta** disse...

tô com a alcione!

teu texto ficou ótimo.
assim como ficou o sobre "a garota das laranjas".

bartolomeu dá bem estar só de pensar em lê-lo :)

parabéns!

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