Uma outra margem

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Todos sabemos que o tempo nos traz sabedoria e paciência talvez, mas no caminho da existência aparecem perguntas que nem sempre podem ser respondidas. De onde viemos? Por que sofremos? Para onde vamos? Perguntas que nos intrigam e podem nos fazer espraiar respostas que não passam de suposições, reflexos de nossos desejos mais íntimos, mais profundos.

O livro A preciosa pergunta da pata, de Van den Berg, 2009, remete-nos a esse contexto onde uma pergunta feita pela pata que tinha perdido seu bem mais precioso, seu patinho, norteia todo o enredo.

Nem sempre o que foi perdido pode ser achado; algumas coisas são perenes e não se materializam mais, supostamente.

“Para onde vamos quando morrermos”? Pergunta a pata como quem exige um consolo, uma solução para sua dor. Lidar com as perdas é um fato a que estamos sujeitos. Existir tem dessas coisas.

No livro de Van den Berg, todos criam suas respostas para explicar o que lhes acontecerá após a morte: uns ficarão mais pesados e fortes, outros esperam leveza, a formiga deixará de trabalhar e quem sabe Branca de Neve possa ficar infinitamente deitada em seu aquário sonhando com seu príncipe.

Todos esperam alguma coisa ou anseiam reencontrar algo ou alguém. A preciosa pergunta da pata nos dá a impressão de que realmente estamos em trânsito, não podemos nos agarrar a nada e desconhecemos para onde vamos ou no que nos tornaremos. A incerteza é a única coisa que temos. Mas podemos imaginar como será estar na outra margem, transcender e poder bordar estrelas, escalar macieiras gigantes ou simplesmente sentir o alívio de termos encontrado o que nem sabíamos estar à procura: o retorno, o início de tudo.

Um livro filosófico que nos faz pensar no comportamento humano em relação à morte, mas acima de tudo nos faz lembrar que somos perenes e que talvez algumas perguntas devam realmente ficar sem respostas.


Livro: A preciosa pergunta da pata

Autora: Leen Van den Berg
Ilustração: Ann Ingelbeen
Tradução: De Vraag van Eend
Ed: Brinque-Book, São Paulo, 2009


Andréa de Oliveira
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade
Pesquisadora Voluntária do Prolij





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