segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A força que vem do coração


Por Sonia Regina Reis Pegoretti

A Costa do Ouro era conhecida pelas suas riquezas e foi dominada pela Inglaterra por mais de 80 anos, sendo o primeiro país ao sul do deserto do Saara a tornar-se independente, em 1957. Naquele ano passou a ser chamado de Gana, em homenagem ao primeiro grande império do oeste da África.
O chamado de Sosu” se passa justamente em Gana, um país ao oeste da África, em uma aldeia que fica entre o mar e a laguna. Contam que essa aldeia já foi maior, mas cada vez que as ondas quebram na praia, o mar avança mais sobre ela. A laguna se estende longe... mas também seca de forma surpreendente. As pessoas da aldeia a vêem como uma boa mãe. Escuta-se dizer na aldeia que “o mar só deixará de avançar quando a laguna aceitar se casar com ele”. Apesar disso, as pessoas não querem sair de lá, pois o mar oferece bom peixe, a laguna proporciona outras iguarias e a terra, por sua vez, produz excelentes verduras e legumes para o mercado.
Nessa aldeia vive Sosu e sua família: seus pais, a irmã, o irmão pequeno, seu cachorro e umas vinte galinhas. Assim como outras casas da aldeia, a de Sosu fica bem perto do mar. O que há de diferente nessa história? Nada além de Sosu não poder andar. Quando ele era pequeno, sua mãe o levava nas costas e assim podia conhecer a aldeia toda... mas agora enquanto os mais velhos trabalham e as crianças iam para escola, Sosu fica em casa brincando com seu cachorro.
Seu pai tentou levá-lo para a pesca. Até ensinou a remendar as redes, porém outros homens da aldeia acharam que já era uma infelicidade ter um menino assim ali na aldeia e que o espírito da laguna poderia não gostar de ter Sosu por perto.
O fio condutor da narrativa a partir daí são as emoções de Sosu sobre a aceitação dele pela aldeia e sobre si mesmo. Seu cachorro Fusa se constitui em um elemento mágico, sempre o incentivando e encorajando, mesmo nos momentos mais difíceis.
O escritor Meshack Asare, que também ilustrou o livro com belas aquarelas, se mostra sensível com as questões da inclusão e da tolerância, dentro de sua própria cultura. Em 2005 quando lançado no Brasil, ocupava o 12º lugar numa lista dos 100 melhores livros da África, recebendo da Unesco o Prêmio Literatura Para Crianças e Jovens a Serviço da Tolerância.

FICHA TÉCNICA:

Obra: O chamado de Sosu
Autor e ilustrador: Meschack Asare
Editora: SM
Ano: 2005

Nenhum comentário: