Nem tudo passa sobre a Terra

/
1 Comments

Por Sueli de Souza Cagneti

                                               A jandaia cantava ainda no olho do coqueiro, mas não
                                               Mais repetia já o mavioso nome de Iracema.
                                               Tudo passa sobre a Terra.” (Alencar, 2011, p.112)

Assim termina Iracema de José de Alencar, nosso mais importante escritor indianista, com um dos mais belos finais de romance já escritos, naquela que é considerada sua obra prima.
Em tempos de inserção da cultura, arte e literatura afro e indígena nas escolas – a partir de uma lei federal – nada mais convidativo que um olhar apurado sobre uma obra clássica, sem a justificativa de sempre: “precisamos ler esse livro porque vai cair no vestibular”.
Lida por um novo ângulo e auxiliados pelo professor, talvez seja o momento para Iracema – embora do século XIX – ser vista pelos alunos como uma narrativa, cuja beleza vai além dos procedimentos apontados pelo cânone. Ao ler o índio, sua história, sua arte, através dos livros infantis, juvenis e informativos que ora chegam ao mercado editorial e, em seguida à escola, por que não complementar essa visão com a clássica historia de amor de uma índia brasileira e um branco português, cujo filho Moacir (o nascido da dor) é a marca do início de uma nação?
E, se como disse Alencar, “tudo passa sobre a terra” o leitor brasileiro do século XXI, com certeza, tem por onde andar e ressignificar a ideia de nossa identidade, de nossas crenças e do próprio romantismo que – com seu autor maior – marcou o inicio de nossa Literatura Nacional. Afinal, a arte literária nos permite justamente essas possibilidades: de fazer sempre mais e maiores leituras de um mesmo texto. Esse aqui discutido, aliás, está de roupagem nova, numa edição cuidadosa, feita pela FTD, em 2011, com um interessante prefácio de Eliane Yunes e um posfácio, acompanhado de informações históricas, de Luis Antonio Aguiar.
Fica a sugestão e o desejo de que Alencar – apesar de sua assertiva - não passe!

FICHA TÉCNICA:

Obra: Iracema
Autor: José de Alencar
Editora: FTD
Ano: 2011 (edição renovada)


Posts relacionados

Um comentário:

Anônimo disse...

Como é boom ler suas escritas!
É surpreendente sua percepção.
Beijos!
Alcione

Tecnologia do Blogger.