“Com o fôlego resta”

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Por Dhuan Luiz[1]

Tomar fôlego.
Para tudo na vida necessitamos tomar fôlego.
Não menos seria nessa reta final de mais um ano letivo.
Não menos seria para escrever sobre um grande escritor que trabalhava a palavra em toda sua essência poética.
Bartolomeu Campos de Queirós, escritor brasileiro, nascido em 1944 em Belo Horizonte. Sinto-me mal em descrevê-lo assim: escritor brasileiro, nascido em... Meu íntimo induz-me a descrevê-lo alquimista das palavras, no qual a magia transita entre a prosa e a poesia, rompendo qualquer conceito acabado que as distinguisse, o mundo das palavras é grande, e se permitirmos, residem ambas em uma mesma dimensão.
Brasileiro? Sim, orgulho pra nós. Porém é bem verdade que sua prosa poética cabe em qualquer canto do mundo onde houver imaginação e sensibilidade para absorver sinestesicamente a palavra.
Bartolomeu, ou Bartô para os íntimos, e sinto-me assim, íntimo, desde que a lâmina afiada de sua prosa cantou sob minha paixão pela leitura. Sua escrita é destinada a jovens e crianças, e não há nada como preservar esse brilho dentro de nós. Ele mesmo, velho jovem homem, preservava esse brilho, não somente dentro de si como também exteriorizava através de sua escrita autobiográfica, e nela sentimos a nostalgia das coisas que nunca vivemos, mas que semelhanças existem de nossas saudades.
Bartô compreendia a palavra como ácida, bomba ocidental sobre o firmamento do oriente, tal como a compreendia como o afago de uma mãe, e os olhos de uma criança.
Tomar fôlego.
Para tudo na vida necessitamos tomar fôlego, ele dizia.
Injusto da sua parte dizê-lo, quando textos como o que segue insiste em tirar-nos, com excelência, todo o fôlego que nos resta.
“Sem o colo da mãe eu me fartava em falta de amor. O medo de permanecer desamado fazia de mim o mais inquieto dos enredos. Para abrandar minha impaciência, sujeitava-me aos caprichos de muitos. Exercia a arte de me supor capaz de adivinhar os desejos de todos que me cercavam” (Vermelho Amargo, 2011).

PS: Uma frase define um pouco dos sentimentos que transitaram sobre mim ao decorrer de nossas aulas de LIJ esse ano:
“Quantos anos você teria se não soubesse sua idade?” Confúcio.


[1] Acadêmico do 2º ano de Letras na Universidade da Região de Joinville. Texto produzido para a disciplina de Literatura Infantil Juvenil (LIJ), ministrada pela Profª Dra Sueli de Souza Cagneti, neste ano com contribuições do estagiário Silvio Leandro da Silva do Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade, prolijiano e pesquisador de Bartolomeu Campos de Queirós.


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